Registro antigo do terminal aéreo de ViracoposReprodução Aeroin Em 19 de outubro de 1960, a cidade de Campinas dava um passo importante para se conectar ainda mais ao Brasil e ao mundo. Há 66 anos, o Aeroporto Internacional de Viracopos era oficialmente inaugurado como terminal internacional, em uma época em que a aviação comercial passava por grandes transformações. O primeiro voo daquele dia foi realizado por um Boeing 707 da Varig, comandado pelo piloto Durval Breda Cardoso, com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.A data marcou muito mais do que a abertura de uma nova estrutura aeroportuária. Representou o início de uma trajetória que transformaria Viracopos em um dos principais pontos de conexão aérea e logística do país, colocando Campinas em posição estratégica no mapa da aviação brasileira.Mais de seis décadas depois, o aeroporto tem uma dimensão muito diferente daquela encontrada pelos primeiros passageiros. Mas a história começou com uma pista extensa para os padrões da época, uma estrutura ainda modesta e uma cerimônia que teve até um episódio curioso nos minutos que antecederam a decolagem.Um aeroporto preparado para a era dos jatosA inauguração de 1960 não aconteceu por acaso. A aviação comercial vivia uma fase de modernização, com a chegada de aeronaves a jato capazes de percorrer distâncias maiores e transportar passageiros com mais rapidez. Para acompanhar essa mudança, Viracopos precisava de uma infraestrutura compatível com os novos aviões.O aeroporto foi oficialmente elevado à categoria internacional por meio da Portaria Ministerial nº 756, de 19 de outubro de 1960. A homologação permitiu que o terminal recebesse aeronaves a jato, incluindo modelos de grande porte que começavam a ganhar espaço na aviação mundial.Um dos diferenciais era a pista, que chegou a 3.240 metros de comprimento por 45 metros de largura. A extensão permitia receber aeronaves como o Boeing 707, modelo que simbolizava a nova geração de aviões comerciais.Naquele momento, entretanto, Viracopos ainda estava longe da estrutura que os passageiros conhecem hoje. O aeroporto começou a operar com um pátio pequeno, espaço para poucas aeronaves e uma estação provisória. Era o início de uma transformação que levaria décadas.O Boeing 707 que entrou para a históriaO voo inaugural foi realizado por um Boeing 707 da Varig, uma das companhias aéreas mais importantes do Brasil naquele período. A aeronave partiu de Viracopos com destino ao Galeão, no Rio de Janeiro, tendo Durval Breda Cardoso no comando.O modelo é o protagonista da história do primeiro voo de ViracoposAcervo histórico da companhia aérea A escolha do avião não foi um detalhe qualquer. O Boeing 707 era um dos símbolos da popularização dos voos comerciais a jato e representava uma mudança significativa na maneira como as pessoas viajavam entre cidades e países.A decolagem também teve um significado especial para Campinas. A cidade passava a contar oficialmente com um aeroporto internacional preparado para receber aeronaves modernas, ampliando seu potencial de ligação com outros centros econômicos.A história curiosa por trás da decolagemA cerimônia de inauguração também ficou marcada por uma situação inusitada, lembrada anos depois por Pedro Lobo, responsável pelo cerimonial do evento.Segundo relato publicado pelo Correio Popular em 2014, Lobo havia recebido a missão de organizar a lista de convidados que participariam do voo inaugural, a pedido do então prefeito de Campinas, Miguel Vicente Cury.Quando o Boeing 707 já estava prestes a decolar, um deputado permaneceu na pista, insistindo para embarcar. O político não estava na lista inicialmente prevista e, conforme a lembrança de Lobo, chegou a fazer gestos de súplica para conseguir uma vaga.Diante da situação e da necessidade de concluir o embarque, o cerimonialista abriu uma exceção e permitiu que o deputado se juntasse às demais autoridades.Registro da inauguração e do voo inaugural em ViracoposAcervo histórico da companhia aérea Só então, com os convidados a bordo, o comandante Durval Breda Cardoso pôde acelerar o Boeing 707 e realizar a decolagem que entrou para a história do aeroporto.O episódio ajuda a humanizar um acontecimento que poderia ser lembrado apenas por seus registros oficiais: mesmo em uma cerimônia histórica, houve improviso, expectativa e gente tentando garantir um lugar naquele primeiro voo.Antes de 1960, Viracopos já tinha uma históriaEmbora a inauguração internacional tenha ocorrido em 1960, a relação da área com a aviação começou muito antes.O local já era utilizado como campo de operações aéreas durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Naquela época, a infraestrutura era rudimentar, e a pista foi aberta com ferramentas simples, como enxadas e picaretas.Depois de um período de pouca atividade, o campo de pouso passou por trabalhos de limpeza e terraplanagem em 1946. A pista foi ampliada, e a construção de um hangar, em 1948, e de uma estação de passageiros, em 1950, ajudou a dar forma ao aeroporto.Na década de 1950, começaram as obras e adaptações necessárias para receber aeronaves maiores. A preparação para a operação internacional culminou na inauguração de outubro de 1960.Concorde: um dos aviões mais famosos da história, no pátio do aeroportoAcervo Haroldo Pazinatto Assim, o voo da Varig não representou o nascimento absoluto de Viracopos, mas a consolidação de um projeto que vinha sendo desenvolvido havia anos.Por que Viracopos ganhou importância?A localização foi um dos fatores que favoreceram o desenvolvimento do aeroporto. Campinas fica em uma região economicamente importante do interior paulista, próxima a grandes centros industriais, rodovias e áreas de produção e distribuição de mercadorias.Viracopos também passou a ter relevância para a aviação internacional em um período no qual o Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, concentrava boa parte do movimento de passageiros. A infraestrutura de Campinas ajudava a ampliar as possibilidades de operação de aeronaves a jato.O crescimento, porém, não foi imediato nem linear. Ao longo das décadas, o aeroporto enfrentou desafios estruturais e passou por diferentes fases de expansão e modernização. Sua vocação para o transporte de cargas ganhou força especialmente a partir dos anos 1990, quando investimentos em infraestrutura e logística ampliaram sua importância nesse segmento.De uma pequena estação a um terminal estratégicoO contraste entre o aeroporto de 1960 e o atual ajuda a dimensionar a transformação ocorrida ao longo de 66 anos.Na inauguração, Viracopos tinha estrutura modesta e um pátio que comportava apenas algumas aeronaves. Hoje, o aeroporto é uma peça importante da infraestrutura de transporte brasileira, com operações de passageiros e cargas e conexões nacionais e internacionais.A evolução também acompanha as mudanças de Campinas e da região, que se consolidaram como polos industriais, tecnológicos, universitários e logísticos.A história do aeroporto, portanto, não se resume aos aviões que pousam e decolam. Ela também passa pelo desenvolvimento econômico, pela expansão urbana e pela integração da região com outros mercados.Uma decolagem que atravessou geraçõesO voo de 19 de outubro de 1960 durou apenas o tempo necessário para ligar Campinas ao Rio de Janeiro. Seu significado, porém, ultrapassou aquela viagem.A decolagem do Boeing 707 da Varig simbolizou uma nova etapa para Viracopos e abriu caminho para que o aeroporto assumisse, ao longo das décadas, um papel cada vez mais importante na aviação brasileira.
Há 66 anos, Viracopos entrava para a história com primeiro voo
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