Há 3 formas prazerosas de desacelerar o envelhecimento do cérebro, segundo pesquisadores; saiba quais são

 

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O cérebro humano adora economizar energia. Por isso, tende a escolher tarefas mais fáceis, atalhos e soluções rápidas. Esse comportamento, segundo pesquisadores, foi amplificado pela tecnologia e pela possibilidade cada vez maior de evitar esforço mental. Mas o conforto pode ter um custo: menos estímulo cognitivo está associado ao declínio da saúde cerebral ao longo do envelhecimento.

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Em meio ao aumento da expectativa de vida global, cientistas alertam para outro fenômeno: as pessoas vivem mais, mas também passam mais anos convivendo com problemas de saúde. Nesse cenário, cresce o interesse por estratégias capazes de proteger o cérebro e ampliar a chamada “expectativa de vida saudável” — o período vivido com boa saúde física e mental.

Em entrevista à rede BBC, pesquisadores apontam que pequenas mudanças graduais na rotina já podem ajudar a fortalecer a “reserva cognitiva”, mecanismo de proteção cerebral associado a menor risco de declínio cognitivo e demência.

— Independentemente da idade, existem coisas que podemos fazer em maior ou menor grau que talvez deem um impulso às nossas habilidades de pensamento — afirma o psicólogo Alan Gow, da Universidade Heriot-Watt.

Entre as estratégias consideradas mais eficazes (e também mais prazerosas) estão estimular a orientação espacial, manter uma vida social ativa e continuar aprendendo ao longo da vida.

Perder o GPS de vez em quando pode fazer bem

Uma das áreas cerebrais mais importantes para orientação espacial é o hipocampo — justamente a primeira região afetada pelo Alzheimer, antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

— Há anos sabemos que pessoas com Alzheimer frequentemente começam se perdendo — afirma o neurologista Dennis Chan, da University College London: — Quanto antes identificarmos os comprometimentos cognitivos, mais rápido podemos agir.

Segundo os estudos citados, atividades que exigem navegação espacial ajudam a proteger o hipocampo. Pesquisas mostraram, por exemplo, que motoristas de táxi e ambulância — profissões que dependem fortemente de orientação espacial — apresentam algumas das menores taxas de mortalidade relacionadas ao Alzheimer.

Taxistas que aprenderam trajetos sem depender de mapas digitais também apresentaram aumento do hipocampo.

Entre as atividades recomendadas estão esportes de orientação, videogames focados em navegação espacial, brincadeiras com blocos de montar e até tentar se localizar sem GPS de vez em quando.

O uso constante de aplicativos de navegação, por outro lado, já foi associado a pior memória espacial.

Um estudo citado pela reportagem da BBC acompanhou homens saudáveis durante quatro meses e observou melhora nas habilidades de orientação, além da ausência da perda de volume do hipocampo normalmente ligada ao envelhecimento.

Chan afirma que pessoas sem sintomas de declínio cognitivo costumam compartilhar algumas características.

— Em geral, são pessoas fisicamente ativas, intelectualmente ativas e socialmente ativas.

Conversar também protege o cérebro

Outra estratégia associada à saúde cerebral é manter uma vida social ativa.

Pesquisas mostram que pessoas socialmente mais engajadas têm menor risco de desenvolver demência. Um estudo observacional encontrou redução de 30% a 50% nesse risco entre indivíduos mais ativos socialmente.

Outro trabalho, realizado com 1.923 idosos, concluiu que os menos socialmente ativos desenvolveram demência cinco anos antes dos mais ativos.

A explicação pode envolver a redução do estresse crônico, associado à perda de neurônios no hipocampo.

— O fator protetor é a capacidade de discutir, debater, compartilhar ideias. Essas conversas também podem proteger o cérebro — afirma a epidemiologista Pamela Almeida-Meza, do King’s College London.

Alan Gow também destaca o efeito fisiológico das conexões sociais.

— Existe um componente de estímulo cognitivo. Isso pode promover saúde cerebral, mas também sabemos que boas conexões sociais reduzem diversos fatores fisiológicos de estresse.

Aprender coisas novas muda o cérebro

O terceiro hábito apontado pelos pesquisadores é continuar aprendendo ao longo da vida.

Mais anos de educação formal já foram associados a menor risco de demência, mas os estudos indicam que o aprendizado contínuo também produz benefícios semelhantes.

Desafios e novidades ajudam a fortalecer áreas cerebrais vulneráveis ao envelhecimento por meio da chamada neuroplasticidade — capacidade do cérebro de criar novos neurônios, fortalecer conexões existentes e se adaptar ao longo da vida.

— A plasticidade e a capacidade de regenerar novas células nervosas e sinapses é precisamente o que dá às pessoas resiliência contra o Alzheimer — afirma Dennis Chan.

Um estudo longitudinal acompanhou participantes desde a infância até o fim dos 60 anos e concluiu que atividades enriquecedoras aumentavam a reserva cognitiva, reduzindo a perda de memória inclusive em pessoas que apresentavam baixo desempenho cognitivo quando crianças.

Os pesquisadores afirmam que o envelhecimento costuma tornar a rotina mais repetitiva e reduzir oportunidades de aprendizado, justamente o oposto do que beneficia o cérebro.

Entre os exemplos de estímulo cognitivo citados estão jardinagem, clubes de leitura, conversar sobre livros, testar trajetos diferentes e priorizar relações sociais.