O deputado federal e senador eleito por Goiás, Gustavo Gayer (PL), publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos teria como objetivo evitar que uma eventual prisão do senador fosse utilizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como instrumento de pressão sobre parlamentares de direita no Senado.
Segundo Gayer, a medida poderia enfraquecer a atuação da oposição e dificultar o avanço de pautas como o impeachment de ministros da Corte. Além disso, Gayer afirmou que uma eventual prisão de Flávio poderia ser utilizada para impedir a eleição de lideranças conservadoras para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
“O Alexandre de Moraes ia usar o Flávio Bolsonaro como peça de barganha pra tentar se proteger desse avanço da direita no Senado. Se o Flávio Bolsonaro fosse preso, realmente ele conseguiria neutralizar a mobilização dessa maioria da direita no Senado em avançar com pautas de resgatar a democracia, de acabar com essa ditadura do Judiciário”, declarou.
Na avaliação do parlamentar, a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos permitiria que ele continuasse participando do debate político brasileiro e apresentasse à comunidade internacional denúncias contra instituições nacionais. “A melhor coisa que o Flávio fez, tanto pra ele quanto pro Brasil nesse momento, é não se tornar essa peça de barganha e ir pros Estados Unidos.
Lá ele vai poder denunciar para todo mundo o que está acontecendo aqui”, afirmou. Gayer relacionou a suposta saída de Flávio Bolsonaro do Brasil à decisão atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, que teria determinado a apreensão dos passaportes do senador após o resultado das eleições presidenciais.
Segundo o deputado, a medida teria sido adotada apenas sete minutos depois da divulgação do resultado eleitoral. Na avaliação de Gayer, a decisão representaria uma tentativa de impedir a atuação política de Flávio Bolsonaro e poderia resultar em sua prisão.
As alegações, entretanto, foram apresentadas pelo parlamentar sem comprovação no material analisado. “Todos nós sabemos que era uma questão de tempo que ele seria preso e usado como peça de barganha no Senado pra impedir que Rogério Marinho ou um presidente do Senado da direita fosse eleito, ou até mesmo que o impeachment do Alexandre de Moraes fosse concretizado”, afirmou.
Gayer também defendeu a decisão atribuída a Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil. Como justificativa, alegou que a permanência do senador no país representaria riscos à sua liberdade e à segurança de sua família.
“Se você tá numa ditadura que tem um intuito e que tem um alvo, você tem um alvo nas suas costas de pessoas que perseguem, não seguem as leis, que já demonstraram que prenderam o seu pai e pessoas inocentes, o correto é você pensar em si, na sua família”, disse. Imagem internacional do Brasil
Gayer afirmou que o episódio poderia provocar consequências negativas para a imagem do Brasil no cenário internacional, especialmente entre investidores estrangeiros. Na avaliação do parlamentar, a adoção de medidas judiciais contra um candidato que recebeu uma votação expressiva na eleição presidencial poderia transmitir uma percepção de instabilidade institucional.
“Você tem noção do tanto que pega mal pra qualquer lugar do mundo? Um dia após umas eleições, onde o candidato tem quase cinquenta por cento dos votos, onde a urna foi estendida durante duas horas pelo advogado do adversário. Um dia depois, um ministro da Suprema Corte […] decide apreender o passaporte dele”, declarou.
O deputado também avaliou que o episódio poderia comprometer a confiança de outros países no ambiente econômico brasileiro, com possíveis reflexos sobre investimentos estrangeiros. “O tanto que isso macula a imagem do Brasil no mundo, isso tem prejuízo econômico no nosso país.
Isso causa prejuízos econômicos na nossa nação. Os outros países olham e falam: não tem como investir num país assim.
Não tem como levar um país assim a sério”, disse. Gayer prevê novas ações contra integrantes da oposição
O senador eleito afirmou acreditar que outros integrantes da direita poderão ser alvo de medidas judiciais. Segundo ele, parlamentares eleitos para o Senado poderão enfrentar ações destinadas a enfraquecer a atuação da oposição no Congresso Nacional.
“Agora vai vir muito mais paulada, se prepare. Eles vão tentar derrubar um por um, eles vão tentar prender, buscar apreensão, humilhar, desgastar todos que foram eleitos no Senado”, afirmou.
Apesar desse cenário, Gayer declarou que pretende manter sua atuação política, mesmo diante da possibilidade de enfrentar consequências pessoais. “A gente vai ter que se manter firme, pessoal.
E eu tô disposto a me manter firme até o final. Eu tô entregando minha vida pra isso aqui.
Eu estou disposto a sacrificar a minha liberdade. O nosso país precisa que nós façamos isso”, complementou.
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