Hospitais em todo o Iêmen enfrentam dificuldades para lidar com o forte aumento do número de vítimas da guerra, enquanto a intensificação dos combates em várias frentes interrompeu o acesso à ajuda humanitária essencial para cerca de 800 mil pessoas, informaram organizações humanitárias nesta quarta-feira (14). Leia também: Houthis do Iêmen atacam sede da Aramco, estatal de petróleo da Arábia Saudita Houthis ameaçam novos ataques a aeroportos e instalações de petróleo da Arábia Saudita Irã muda tática de ataques a navios para manter petróleo caro antes das eleições nos EUA
As organizações alertam para a rápida deterioração das condições no Iêmen desde que a guerra entre os houthis, aliados do Irã, e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, foi retomada no mês passado, em um conflito reacendido pelo confronto entre Estados Unidos e Irã no Golfo.
Em Taiz, cidade controlada pelo governo que foi cercada por combatentes houthis no início deste mês, os estoques de farinha de trigo estão quase esgotados, informou nesta quarta-feira o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.
Os alimentos restantes podem não durar muito se as restrições de acesso persistirem, afirmou a agência, acrescentando que mais de 600 mil pessoas em Taiz dependem de ajuda humanitária, incluindo mais de 200 mil crianças.
Os suprimentos médicos também estão se esgotando. Um hospital de Taiz informou que enfrenta uma grave escassez de materiais para hemodiálise e que seus estoques durarão apenas mais 14 dias.
"Uma remessa de Aden estava programada, mas, devido à situação atual, não conseguimos recebê-la", disse à Reuters Yussef al-Zakari, chefe do centro renal do Hospital al-Thawra.
O paciente renal Maamun Abdulwahad Naaman, que faz hemodiálise duas vezes por semana no hospital, afirmou que não consegue voltar à sua aldeia, a cerca de 15 quilômetros da cidade de Taiz, devido aos confrontos na estrada.
"Se eu ficar em casa, não conseguirei voltar ao centro renal, e meu estado de saúde vai piorar se eu permanecer lá", disse.
O PMA informou que, no total, 800 mil pessoas estão fora do alcance de suas operações humanitárias no Iêmen.
"Esse é o tipo de situação que pode rapidamente se transformar em uma catástrofe humanitária se a assistência não puder circular com segurança e chegar àqueles que mais precisam", afirmou El-Khidir Daloum, representante e diretor do PMA no Iêmen, em comunicado.
A Cruz Vermelha informou que hospitais próximos às linhas de frente, em áreas como Marib, Taiz e a costa iemenita do Mar Vermelho, estão recebendo um número sem precedentes de pacientes feridos por armas, com algumas unidades registrando mais de 700 vítimas em uma única semana.
Mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde o início dos combates no país, nas últimas semanas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), das Nações Unidas.
"As equipes responsáveis pelo atendimento de vítimas de traumas estão sob enorme pressão", afirmou Feras Abusamra, coordenador de saúde do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em comunicado.
De acordo com ele, apenas uma pequena parcela das unidades de saúde em funcionamento no Iêmen tem capacidade para oferecer atendimento completo a vítimas de traumas, enquanto os hospitais enfrentam um grande número de feridos em meio à escassez de materiais cirúrgicos, anestésicos, oxigênio e medicamentos.
Os serviços de saúde do Iêmen, já debilitados por mais de uma década de conflito, crise econômica, deslocamentos populacionais e surtos de doenças, podem ter capacidade limitada para absorver um novo aumento expressivo do número de vítimas caso os combates se intensifiquem ainda mais, alertou o CICV.
Um trabalhador despeja trigo em um moinho de sua loja, enquanto continuam os confrontos entre combatentes houthis, aliados do Irã, e forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita REUTERS/Ebrahim al-Suhaibi
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