Grupos da sociedade civil divulgam manifesto pela educação integral durante Festival LED
Um grupo de 15 instituições da sociedade civil divulgou durante o Festival LED Globo um manifesto em defesa da educação integral em carga horária ampliada — aquela com pelo menos sete horas de aula por dia. Na avaliação deles, a estratégia é “determinante para responder, com urgência e responsabilidade, às necessidades dos estudantes”.
O lançamento foi feito durante o encerramento do evento no Palco Dialoga, cuja programação foi organizada pela Fundação Roberto Marinho, que também é uma das instituições que assinam a carta. Todos Pela Educação, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Fundação Lemann, Instituto Alana, Instituto Sonho Grande e Porticus são algumas das organizações que aderiram ao manifesto.
“Queremos que cada criança, adolescente e jovem se forme como um sujeito de direitos, um cidadão participativo, com ética e responsabilidade, e preparado para o mundo do trabalho”, defende o grupo.
Em 2025, o país registrou 923 mil novas matrículas em tempo integral na rede pública. Os dados do Censo Escolar mostram ainda que de 2021 ao ano passado a proporção de alunos em jornada ampliada passou de 56,2% para 61,7% em creches do país, enquanto no ensino fundamental foi de 11,3% para 23,7%. No ensino médio, de 16,7% para 26,8%. De acordo com o Plano Nacional de Educação, o objetivo é chegar a 50% até 2036.
— Para garantir educação integral em tempo integral, precisamos nos organizar para oferecer oportunidades de múltiplas atividades educacionais aos estudantes. Isso passa por ampliar as possibilidades de aprendizagens, autocuidado, e também por poder vivenciar a cultura e ter acesso às diferentes linguagens da arte nas escolas — afirmou João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.
A carta diz que o tempo na escola influencia o desempenho, especialmente entre os mais vulneráveis. O estudo “Cada hora importa” (2019) revelou que, no Brasil, crianças de famílias de alta renda acumulam até sete mil horas a mais de experiência de aprendizagem ao fim do ensino fundamental, considerando leitura, atividades artísticas, culturais, esportes e viagens.
“O país precisa de uma ruptura intencional com modelos precários e fragmentados, ainda marcados pela predominância de uma jornada escolar de insuficientes quatro horas diárias”, defende o grupo.
