Grupo diz que empresário brasileiro não fretou jato nem autorizou voo após apreensão de 189 kg de ouro na Bolívia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Grupo Dallas, pertencente a Valdir José Zorzo, rechaçou qualquer vínculo do empresário brasileiro com os 189 quilos de ouro apreendidos no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Um avião de propriedade dele ficou sob restrição das autoridades locais em 22 de julho, quando agentes frustraram a tentativa de transporte aéreo da carga, avaliada em US$ 25 milhões (o equivalente a quase R$ 127,5 milhões, na cotação atual), até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Quem é pesquisadora que virou alvo de chacota após fazer vaquinha para bancar doutorado na Austrália Brasileiro é preso após se entregar à polícia por matar a namorada compatriota na Flórida Na ocasião, um homem de 22 anos, identificado como Ádrian Lema Roca, foi apontado como responsável pela carga. Ele teve decretada a prisão preventiva por 150 dias e foi encaminhado ao presídio de Palmasola. O rapaz tentava deixar o terminal com quatro malas carregadas com o minério num voo fretado — uma aeronave Gulfstream G100 (IAI Astra) de matrícula PS-ZRZ, registrada em nome de Zorzo. "A aeronave de prefixo PS-ZRZ é de propriedade particular, destinada a uso próprio, e não opera serviços de fretamento comercial. Seu proprietário não estava a bordo e não autorizou qualquer operação em desacordo com as leis vigentes", disse o Grupo, em nota divulgada à imprensa, segundo a qual o avião está em território brasileiro e não se encontra sob medidas restritivas. Ainda de acordo com o Grupo, Zorzo soube do caso "por meio da imprensa e determinou a imediata apuração interna, com preservação integral dos registros e colaboração com as autoridades competentes, no Brasil e no exterior". O comunicado aponta, ainda, que o empresário e o conglomerado repudiam qualquer prática ilícita. Apreensão de ouro Os agentes impediram o translado da carga — que não havia sido declarada, segundo a emissora Unitel — durante as verificações pré-embarque da bagagem de mão. Segundo a Aduana Nacional, a equipe de plantão do terminal tomou conhecimento, "por meio do responsável do voo fretado", que se tratava de transporte de ouro e foram checar a documentação de autorização para exportação. Conforme o boletim de ocorrência, os funcionários identificaram inconsistências na documentação. Não foram identificados registros a respeito da carga no sistema "SUMA". O Serviço Nacional de Alfândega confirmou que a remessa não possuía registro legal de exportação.

Um funcionário do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom), responsável pela supervisão da comercialização e exportação de minerais na Bolívia, foi chamado e considerou o formulário M03 inválido. A força policial foi, então, acionada para a apreensão e a abertura de uma investigação.

A aeronave ficou no país para diligências iniciais e depois retornou ao Brasil. Já a carga permanecerá sob a custódia do Banco Central da Bolívia (BCB) até a conclusão das investigações, segundo o procurador Gomer Padilla, dado o seu alto valor econômico. O juiz Fernando Daniel Mejía ordenou, ainda, uma nova pesagem do material para verificar com precisão a quantidade de minério a ser transferida para o BCB. As autoridades locais apuram a procedência do minério. Segundo a acusação, há suspeitas dos crimes de contrabando, compra e venda ilegal de recursos minerais e enriquecimento ilícito de particulares em detrimento do Estado. Além de Roca, outras cinco pessoas liberadas após prestarem esclarecimentos, incluindo três funcionários públicos — o chefe da Alfândega, o chefe da Senarecom e o responsável pelo processamento de voos fretados do Aeroporto de Viru Viru, segundo o portal Vision 360. Os outros dois seriam primo e amigo de Roca. Documento de voo As informações sobre a aeronave como meio de transporte da carga constam do documento de autorização para a viagem, obtido pela emissora DTV. O jato saiu de Campo Grande, com parada em Corumbá, e chegou à Bolívia em 21 de julho. O formulário aponta Jim Clark D’Angelo Macedo como piloto responsável — no LinkedIn, ele se apresenta como comandante da empresa de Zorzo. Um advogado ligado a Zorzo e à companhia destacou ao Jornal Midiamax que o avião fica à disposição para voos fretados "quando não está em uso pela companhia". Ele afirmou que tais contratos seriam de responsabilidade de Jim Clark, que inclusive não seria mais piloto. O defensor reforçou que o piloto "tem contatos" no meio da aviação e faz o procedimento, os registros, os planos de voo. — Ele é o responsável irrestrito sobre qualquer local que a aeronave vai. A responsabilidade é dele — destacou. Jim Clark ainda não se manifestou sobre o caso. O GLOBO tenta contato com ele ou representantes. O diretor da Força Nacional de Combate ao Crime, Marcelo Boris Sánchez Mercado, afirmou à emissora Unitel que uma empresa de Laz Paz é suspeita de ser a proprietária do ouro. Ela estaria registrada em nome de dois estudantes bolivianos.

Segundo o portal Vision 360, a companhia realizou duas operações de comércio de ouro para uma compradora identificada como Asian Gold LCC, de Dubai. Os investigadores também apuram se a empresa é usada como fachada.

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