Greve geral leva multidões às ruas da Itália contra arrocho salarial e gastos militares

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes e ativistas participaram, na sexta-feira (30), de uma greve geral de 24 horas na Itália, em protesto contra a perda do poder de compra, a insuficiência dos serviços públicos e a ampliação das despesas militares. As manifestações atingiram importantes centros urbanos e provocaram confrontos pontuais com as forças de segurança.

Segundo a agência Reuters, a paralisação foi convocada pelo sindicato Unione Sindacale di Base (USB), que organizou mobilizações em mais de 40 cidades italianas. Os participantes reivindicaram reajustes salariais, maior investimento em serviços públicos e medidas para enfrentar o aumento do custo de vida, além de contestarem a destinação crescente de recursos para o setor militar.

Os protestos reuniram diferentes categorias profissionais e movimentos estudantis. Embora a maior parte dos atos tenha transcorrido pacificamente, houve episódios de tensão em Roma, Turim e Milão, incluindo intervenções policiais, bloqueios de vias e incêndios de objetos em espaços públicos.

Polícia usa canhões de água e detém manifestantes em Roma Na capital italiana, uma grande marcha percorreu as imediações do Coliseu.

Parte dos participantes anunciou a intenção de instalar barracas e permanecer mobilizada durante o fim de semana, prolongando a pressão sobre as autoridades. Durante os atos, algumas lixeiras foram posicionadas nas ruas e incendiadas.

A situação se agravou à noite, quando um grupo numeroso tentou avançar em direção ao Parlamento italiano. De acordo com a agência de notícias ANSA, policiais utilizaram canhões de água para dispersar os manifestantes que tentavam ultrapassar as barreiras de segurança.

Oito pessoas foram detidas após sucessivas tentativas de romper os bloqueios montados pelas forças policiais. Trabalhadores portuários participam de protesto contra transporte de armas

Em Gênova, aproximadamente 15 mil pessoas, entre trabalhadores portuários, estudantes e integrantes de movimentos sociais, participaram de uma mobilização que chegou às instalações do porto da cidade. A manifestação incorporou uma pauta internacional de oposição à utilização de instalações portuárias para o transporte de armamentos.

Os participantes se somaram a movimentos semelhantes realizados em outros países europeus e em diferentes regiões do mundo. Os manifestantes também chamaram a atenção para as mortes de marinheiros em conflitos que atingem rotas marítimas estratégicas, desde o Golfo Pérsico até o Mar Negro.

A mobilização relacionou, assim, as reivindicações trabalhistas à contestação das atividades militares e de seus efeitos sobre o transporte marítimo. Milão e Turim registram bloqueios e confrontos

Em Milão, os participantes percorreram a via expressa circular da cidade, interferindo na circulação de veículos. A manifestação terminou nas proximidades da Universidade Politécnica de Milão, importante instituição de ensino superior do país.

Durante o percurso, manifestantes utilizaram sinalizadores e incendiaram objetos. A mobilização reuniu estudantes e trabalhadores em torno das reivindicações econômicas e da oposição ao aumento dos gastos militares.

Em Turim, estudantes e ativistas de esquerda se aproximaram das barreiras policiais instaladas para proteger o prédio da prefeitura. As forças de segurança reagiram com o emprego de um canhão de água para afastar os manifestantes.

Os episódios ocorreram após confrontos registrados anteriormente em outubro, quando protestos na Itália foram acompanhados por choques com policiais, saques a estabelecimentos comerciais e depredações. Apesar desse histórico recente, os atos de sexta-feira foram predominantemente pacíficos.

Custo de vida impulsiona manifestações em países europeus A greve italiana ocorre em meio a uma sequência de mobilizações sociais em diferentes países da Europa.

França, Espanha, Bélgica e Albânia também registraram protestos motivados, entre outras questões, pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela população. Na Itália, as reivindicações concentraram-se especialmente na recomposição dos salários e no fortalecimento dos serviços públicos.

A oposição ao crescimento das despesas militares acrescentou uma dimensão política à paralisação, aproximando sindicatos, estudantes e movimentos contrários à militarização. A abrangência territorial dos atos, realizados em mais de 40 cidades, e a participação de trabalhadores de setores estratégicos, como o portuário, evidenciaram a capacidade de mobilização dos organizadores.

As manifestações também expuseram a insatisfação de parcelas da sociedade italiana com as prioridades de investimento público e com os efeitos da elevação do custo de vida.

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