Governo deve definir mínimo de corridas para motoristas de aplicativo terem acesso a crédito subsidiado
O governo deve estabelecer um critério de corte para o acesso à linha de crédito para motorista de aplicativos que está em fase de finalização para ser lançada pelo governo. A ideia é que a pessoa tenha feito pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses, o que representa mais ou menos duas corridas por semana. Até o anúncio, esse número pode mudar, mas a tendência era que ficasse nessa faixa.
O objetivo é garantir que o acesso seja para pessoa com habitualidade na profissão, mesmo que não trabalhe todos os dias, mas evitar que a partir do anúncio da linha haja uma corrida para cadastramento em plataformas para se buscar o crédito mais barato.
Além dos motoristas de aplicativos a linha de financiamento deve beneficiar também taxistas. Os dois grupos poderão comprar veículos de até R$ 150 mil de qualquer natureza. O valor se insere numa faixa de corridas de categoria superior, que têm maior rentabilidade para o motorista, e colocaria à disposição cerca de 60% dos veículos oferecidos no país atualmente.
O governo tem como um dos objetivos ajudar os motoristas a trocarem a despesa de aluguel semanal, que fica maior conforme o nível do carro, pelo financiamento, que garante o bem para a pessoa. Cerca de metade dos motoristas, segundo dados do Executivo obtidos junto às plataformas, alugam o instrumento de trabalho.
As discussões para colocar a linha de pé agora estão em detalhes e envolvem não só as plataformas, mas também bancos e o setor automotivo. No caso desse último, o governo quer viabilizar que as montadoras e concessionárias concedam descontos para quem estiver comprando com esse recurso do crédito.
A ideia é colocar até R$ 30 bilhões do Tesouro para essa linha. O recurso será repassado ao BNDES que fará as operações de forma indireta, por meio da rede bancária. O montante será contabilizado como despesa financeira do governo, ou seja, não afeta a meta de resultado primário.
A taxa de juros será abaixo da Selic. A tendência era de ser em torno de 12% ao ano, mas há ainda uma discussão para se reduzir um pouco mais para compensar os “spreads” (taxa extra) que os bancos cobrarão nas operações. Como se trata de um cliente de risco, esse é um tópico que preocupa o governo e ainda estava sendo finalizado. De outro lado, quanto mais abaixo da Selic for o juro da operação do Tesouro com o BNDES, maior o impacto na dívida pública - é o chamado subsídio implícito.
Com a linha de crédito, o governo dá sequência a uma série de ações mirando animar a economia e conquistar parte do eleitorado de classe média. O segmento de motoristas de aplicativos estava no radar do Planalto desde o início dessa gestão, mas só agora que está se conseguindo colocar uma política de pé.
