Governo desembolsa maior valor da história em emendas em 2025: mais de R$ 31 bilhões

 

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O governo pagou o maior valor em emendas parlamentares em um único ano. Até 31 de dezembro de 2025, o governo desembolsou R$ 31,5 bilhões – esse é o recorde da história do Brasil. Em 2024, o valor foi parecido, mas um pouco menor: R$ 31,3 bilhões pagos. Em 2023, R$ 21,9 bilhões foram pagos em emendas. Em 2022, ano eleitoral, o governo desembolsou R$ 17 bilhões.

Se a gente olha na última década, ou seja, desde 2015: o valor destinado às emendas só aumentou. Mas a proporção ainda maior foi nos últimos anos, já no governo Lula. A título de comparação, em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, foram pagos R$ 5,7 bilhões em emendas. Em 2020, esse valor triplicou e chegou a R$ 16 bilhões. No primeiro ano do governo Lula, em 2023, mais um salto: quase R$ 22 bilhões pagos aos redutos eleitorais dos parlamentares.

Em 2025, a maior parte das emendas pagas foram as individuais – aquelas com a rubrica de cada parlamentar para o seu reduto eleitoral: quase R$ 20 bilhões (63% do total). Em seguida, vem as de bancada: R$ 6,2 bilhões. Por fim, as de comissão, que não são obrigatórias. São elas que são cortadas, quando há contingenciamento, por exemplo. Foram mais de R$ 5 bilhões gastos.

Ao todo, foram pagos quase 70% do total de emendas empenhadas. O governo empenhou R$ 47 bilhões – isso significa que esse dinheiro já está reservado para ser gasto, mas ainda não foi efetivamente pago. O orçamento de 2025 previa R$ 50 bilhões em emendas, mas o valor foi reduzido ao longo do ano e chegou a R$ 48 bilhões. Ao separar R$ 47 bilhões, o governo faz um aceno ao Congresso ao separar 97% de todo o valor destinado aos parlamentares.

Isso num ano de relação difícil com o Congresso. Mais do que nunca, as emendas foram utilizadas como moeda de troca ao longo do ano para várias votações. O governo liberou as emendas a conta gotas. Em outubro, por exemplo, quando parlamentares derrubaram a MP do IOF, a ministra de relações institucionais segurou a liberação das emendas. Dias depois, com o aceno do Congresso em votar as medidas do pacote de corte de gastos, os valores voltaram a ser liberados.

A liberação de emendas vem numa crescente não necessariamente porque o governo pagou mais, mas são os parlamentares que definem os valores separados para emendas ao votar o orçamento de cada ano. Em 2016, por exemplo, o valor aprovado foi de R$ 9 bilhões, saltando agora para R$ 61 bilhões, em 2026. Um aumento de 577%.

Para 2026, além do repasse maior de emendas, o Congresso já garantiu que 65% das emendas individuais e de bancada terão que ser pagas ainda no primeiro semestre. Levando isso em conta, só nos primeiros meses do ano, o governo vai desembolsar quase R$ 40 bilhões – mais que o recorde atingido em todo o ano de 2025.