O governo do presidente argentino Javier Milei mobilizou a Secretaria de Inteligência, o Ministério da Segurança e a Chancelaria para garantir a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. A operação ocorreu nesta semana, partindo de Puerto Iguazú, após o Supremo Tribunal Federal determinar a retenção dos passaportes do parlamentar brasileiro, derrotado no pleito presidencial recente.
Três frentes principais atuaram no suporte à viagem do senador. O Ministério da Segurança mobilizou a Polícia de Segurança Aeroportuária para escoltar os veículos da família até o aeroporto.
A Chancelaria, responsável pelas relações exteriores, teria fornecido uma caminhonete com placa diplomática para o transporte terrestre na fronteira. Por fim, o SIDE, que é o serviço de inteligência do país, monitorou toda a logística, desde a contratação da aeronave particular até o momento do embarque.
A ação teve supervisão direta de assessores do círculo íntimo do presidente Javier Milei. O senador é alvo de investigações que apuram suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que ele nega enfaticamente.
Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou que ele entregasse seus passaportes e proibiu sua saída do Brasil. Apesar da restrição judicial brasileira, a Polícia Federal esclareceu que a ida aos EUA não configura, por si só, uma fuga ou motivo para prisão imediata.
Já em solo americano, Flávio divulgou uma carta onde se posiciona como líder da oposição e questiona a integridade do processo eleitoral realizado no último domingo. A revelação dos detalhes da ajuda governamental gerou um forte embate no Congresso da Argentina.
Parlamentares da oposição protocolaram pedidos de convocação para que os ministros da Segurança, da Chancelaria e o chefe de gabinete prestem esclarecimentos oficiais. O foco dos questionamentos é descobrir se houve uso indevido de recursos públicos para auxiliar um aliado político estrangeiro.
Enquanto Milei mantém silêncio sobre o caso e sobre a vitória de Lula no Brasil, aliados próximos, como Patricia Bullrich, defendem o senador e criticam o que chamam de uso político do Judiciário brasileiro. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
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