Governo da Espanha pede desculpas por polêmica 'lista negra' de jornalistas; entenda

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Ministério do Interior da Espanha pediu desculpas a jornalistas nesta terça-feira e negou ter tentado silenciar a imprensa, após uma reportagem revelar que o órgão compilou secretamente uma lista de repórteres e suas opiniões políticas. Essa controvérsia incomum sobre a liberdade de expressão em um país da União Europeia surge em um momento em que o ministério, liderado pelo Partido Socialista, já enfrenta críticas pela forma como lidou com o fluxo migratório em massa sem precedentes para Ceuta, território espanhol no norte da África, em julho. Como é feita a cobertura do Rock in Rio? Repórter mostra os bastidores do trabalho do GLOBO no festival Leia também: Hungria expulsa 10 diplomatas russos por 'atividades inaceitáveis'; Moscou promete resposta 'dura e dolorosa' O jornal online El Confidencial publicou uma reportagem exclusiva nesta terça-feira afirmando que o Ministério do Interior compilou uma lista contendo diversos jornalistas, incluindo editores e colunistas. "O Ministério do Interior possui um dossiê sobre dezenas e dezenas de jornalistas atuantes na mídia para monitorar suas filiações políticas", afirmou a reportagem. "O documento foi compilado em segredo e contém diversos arquivos" sobre os jornalistas, acompanhados de fotografias e "comentários sobre seu trabalho e posicionamentos políticos", informou o El Confidencial. "Afiliado ao PSOE", "tendências conservadoras", "independente", "centro-direita moderado", "extrema-direita" e "desinformação" foram alguns dos rótulos citados pelo jornal. Centenas de migrantes entram em Ceuta após cruzar fronteira com Marrocos A Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE) criticou duramente o Ministério do Interior por introduzir um elemento de vigilância e potencial represália, uma prática "incompatível com o Estado de Direito" que "poderia ter consequências para a prática do jornalismo crítico". O Ministério do Interior declarou em um comunicado à imprensa que a lista era "um documento interno" criado em 2024 com "propósito consultivo e sem qualquer intenção de estabelecer censura, restrição ou qualquer limite ao trabalho dos jornalistas". "Pedimos desculpas a quaisquer profissionais que possam ter se sentido ofendidos pelo conteúdo do documento e por algumas das opiniões expressas", acrescentou o comunicado. O Ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, declarou em conferência de imprensa em Ceuta que o documento não tinha "nenhuma motivação oculta" e que "de forma alguma" gerou "diferenças entre meios de comunicação ou entre jornalistas no que diz respeito ao fornecimento de informações ou ao atendimento de qualquer pedido".

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