Governo amplia possibilidade de atuação dos Correios e empresa pode levantar mais R$ 500 milhões por ano

 

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O goveno ampliou as possibilidades de contratação dos Correios com o setor público para aumentar as receitas da estatal, que enfrenta uma crie financeira sem precedentes. Além de alugar galpões ociosos para armazenar produtos apreendidos pela Receita Federal, os Correios poderão tratar de documentos físicos arquivados por prefeituras e governos estaduais.

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Uma portaria do Ministério das Comunicações, publicada nesta quinta-feira, traz uma gama de serviços que já estão sendo negociados pela direção da empresa e precisavam de regulamentação.

Segundo a direção da empresa, na próxima semana, o departamento jurídico da estatal terá uma ideia mais clara sobre o alcance da medida em conversas com órgãos contratantes. Mas a expectativa é que a medida possa gerar receitas de R$ 500 milhões por ano.

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Há demanda em todos os estados e só faltava essa regulamentação. Estamos aumentando nosso escopo de atuação para aumentar receitas e ocupar uma ociosidade instalada, disse um integrante da diretoria.

A portaria atualiza e consolida as regras para a atuação dos Correios em áreas como logística integrada, serviços digitais, serviços financeiros e telefonia celular.

"A medida moderniza normativos antigos, acompanha o avanço da transformação digital e amplia a segurança jurídica para contratos firmados pela estatal", diz o Ministério das Comunicações em nota.

As novas regras fazem parte do processo de modernização do arcabouço legal postal, elaborado por um grupo de trabalho, e consolida quatro portarias atualmente vigentes em um único normativo.

Crise sem precedentes

Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Em 2024, o resultado havia ficado negativo em R$ 2,6 bilhões. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas, sequência iniciada no quarto trimestre de 2022.

A empresa afirma que o principal gasto responsável pelo resultado do ano passado foi o pagamento de precatórios, despesas decorrentes de decisões judiciais. Além disso, a receita bruta em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, valor 11,35% menor que o registrado no ano anterior.

No fim do ano passado, os Correios conseguiram fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. O valor foi depositado quase integralmente no dia 30 de dezembro.

Para tentar driblar a crise, a empresa passa por um processo de reestruturação. Porém, uma das principais apostas da estratégia de recuperação econômica — o plano de demissão voluntária (PDV) — terminou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, segundo balanço parcial da estatal.

O número representa apenas 30% da meta de desligar 10 mil trabalhadores do quadro para economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do próximo ano. O PDV teve duração de cerca de dois meses.