Governador do Alasca ordena investigação criminal contra campanha democrata após plano para dividir votos republicanos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governador do Alasca, Mike Dunleavy, anunciou na noite de quarta-feira que determinou a abertura de uma investigação para apurar se a campanha da democrata Mary Peltola ao Senado dos Estados Unidos deve responder a acusações criminais ou sofrer sanções civis por seu envolvimento no recrutamento de candidatos destinados a desviar votos do atual senador republicano pelo estado.

A decisão foi anunciada após uma reportagem do New York Times revelar a participação da campanha de Peltola em um plano para lançar um aposentado chamado Dan J. Sullivan contra o senador Dan S.

Sullivan, que tenta a reeleição. Contexto: Atrás nas pesquisas, Trump quer barrar possível vitória de democrata em disputa do Senado no Alasca

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“Enganar deliberadamente os eleitores para que votem em outra pessoa atinge a integridade de nossas eleições”, escreveu Dunleavy, republicano, em uma publicação no X. “Qualquer pessoa ou organização que tenha violado a lei deve ser responsabilizada”.

Mais cedo, o presidente Donald Trump havia exigido que Peltola fosse retirada da disputa e processada, embora não tenha explicado que crime poderia ter sido cometido. Em declaração a jornalistas enquanto seguia para um comício em Ohio, Trump disse que a iniciativa democrata era “uma fraude eleitoral do mais alto nível”:

— Eles disseram que não fizeram isso, mas fizeram e foram pegos. O plano envolveu assessores de alto escalão da campanha de Peltola e da principal comissão responsável por apoiar os candidatos democratas ao Senado.

O aposentado, morador de uma pequena vila pesqueira do Alasca, foi recrutado por ter o mesmo nome e sobrenome do senador republicano. Os dois Sullivan aparecerão nas cédulas eleitorais de terça, ao lado de Peltola e de um quarto candidato, Gerald Heikes.

Divisão: Trump defende anúncio de candidato que explora rompimento de rival com sua mãe por denúncia de abuso sexual Trump condenou a estratégia e pediu que Daniel J.

Sullivan fosse retirado da disputa. Demonstrar que houve crime, no entanto, pode ser difícil.

Autoridades locais já haviam tentado retirar Daniel J. Sullivan da cédula no início deste ano, mas a Suprema Corte do Alasca decidiu que não havia fundamento na legislação estadual nem na Constituição que permitisse ao tribunal avaliar as motivações de um candidato.

Estratégia ‘não é novidade’ A campanha de Peltola, por sua vez, está longe de ser a primeira organização política a recorrer à estratégia de lançar candidaturas adicionais para dividir votos, prática conhecida nos EUA como ballot-stacking.

Muitos democratas defenderam a iniciativa argumentando que esse tipo de manobra é comum na política americana e já foi utilizado pelos republicanos em diferentes estados, incluindo o próprio Alasca. Alguns integrantes do Partido Democrata chegaram a considerar a elaboração do plano um sinal positivo de que a legenda estava disposta a lutar com todas as forças contra a agenda de Trump, em uma eleição que consideram decisiva para seu futuro.

Lauren French, porta-voz do Senate Majority PAC, grupo democrata alinhado ao senador Chuck Schumer, publicou no X uma série de exemplos de estratégias semelhantes. Eleições/EUA: Democratas apostam em frente ampla e estratégia digital contra extrema direita

Entre os casos mencionados estava o de uma comissão com ligações republicanas que gastou milhares de dólares no Alasca para impulsionar candidatos dos partidos Democrata e Verde nas primárias deste ano para o Senado. Em 2024, o Partido Republicano do Alasca também participou de uma ação judicial para manter na cédula um candidato democrata que cumpria pena em uma prisão federal de Nova York.

“A realidade é que, embora talvez seja uma história interessante, esse tipo de coisa não é exatamente uma novidade”, escreveu Chris Meagher, experiente estrategista democrata que trabalhou no governo de Joe Biden (2021-2025), no X. Ação incomum

A própria Peltola pareceu minimizar a repercussão da reportagem durante um comício na quarta-feira, quando classificou o episódio como “apenas mais uma distração”. Um porta-voz do senador Sullivan, por outro lado, acusou a democrata e sua equipe de terem passado meses tentando manipular a percepção dos eleitores do Alasca, ao negar a existência de um esquema que, disse, já estava em andamento.

Antes mesmo da publicação da reportagem do Times, o governo Trump havia apresentado uma ação judicial para impedir a homologação do resultado da eleição ao Senado no Alasca caso Sullivan fosse derrotado. O processo, no entanto, não apontava nenhuma atividade ilegal específica.

Em entrevista à Fox News na quarta-feira, o procurador-geral Todd Blanche pareceu reconhecer que a estratégia democrata talvez não tivesse violado nenhuma lei. — Deveria ser! — exclamou Blanche, ao ser questionado se o plano era ilegal.

Senador republicano Dan Sullivan (D), em ato de campanha com o presidente dos EUA, Donald Trump DOUG MILLS/The New York Times

A ação, apresentada pelo Departamento de Justiça na semana passada por determinação de Trump, é considerada incomum por exigir preventivamente uma investigação, mas apenas na hipótese de derrota do senador republicano. O processo acusa Daniel J.

Sullivan de tentar “enganar os eleitores do Alasca, levando-os a acreditar que ele é o senador Sullivan”. O aposentado já afirmou ter votado nos democratas nas últimas três eleições apoiado Peltola em 2022 e 2024.

Momento escolhido A juíza-chefe Sharon Gleason, do Tribunal Distrital Federal do Alasca, aceitou um pedido da Divisão Eleitoral do estado para acelerar a tramitação do processo e estabeleceu a tarde desta quinta-feira como prazo para que o Departamento de Justiça respondesse a uma solicitação de arquivamento da ação.

Em suas decisões, a magistrada também destacou o momento escolhido pelo governo para recorrer à Justiça. Segundo Gleason, a administração Trump esperou para entrar com o processo até “depois que os habitantes do Alasca já haviam começado a votar nas eleições de novembro de 2026 — e quase quatro meses depois de a Suprema Corte do Alasca ter determinado que a Divisão Eleitoral incluísse Daniel J.

Sullivan na cédula”. Aponta pesquisa: Aprovação de Trump atinge novo mínimo duas semanas antes das eleições de meio de mandato nos EUA

A campanha de Peltola e a Comissão de Campanha Democrata para o Senado solicitaram autorização para participar do processo, lembrando que o próprio órgão eleitoral estadual havia tentado impedir a candidatura do aposentado antes de ser contrariado pelos tribunais. O governo Trump inicialmente se opôs ao pedido, mas retirou sua objeção na tarde de quarta-feira, alegando uma “mudança nas circunstâncias”.

A administração citou a reportagem do New York Times, que detalhou o que advogados federais classificaram como uma “ampla conspiração para recrutar e promover um candidato de fachada com o objetivo de enganar os eleitores do Alasca”. ‘Golpe sujo’

Para Scott Kendall, advogado de Anchorage que trabalhou para a senadora republicana Lisa Murkowski e para o ex-governador independente Bill Walker, a iniciativa democrata pode ser considerada um “golpe sujo”, mas está longe de representar uma novidade na política americana. Ele lembrou que essas estratégias remontam a décadas anteriores, incluindo a trajetória do ex-presidente John F.

Kennedy. — Volte à época de John F.

Kennedy. Há uma longa história desse tipo de manobra — afirmou Kendall, citando a primeira campanha de Kennedy ao Congresso, quando a estrutura política de seu pai foi acusada de pagar a um homem para concorrer contra um candidato mais conhecido que tinha o mesmo nome, dividindo os votos em uma primária democrata com vários concorrentes.

Obsessão: Na reta final da campanha para as eleições de meio de mandato, Trump não para de elogiar os corpos dos homens Kendall, que idealizou o sistema de votação por ordem de preferência adotado no Alasca, também argumentou que o modelo pode reduzir os efeitos de uma eventual confusão entre os eleitores.

Isso porque os republicanos que incluírem os dois Sullivan em sua lista deverão ter seus votos transferidos, ao longo da apuração, para o senador que tenta a reeleição. A revelação do plano também provocou indignação entre republicanos que não costumam aderir ao estilo político do governo Trump.

Uma delas foi Murkowski, considerada moderada e que apoiou Peltola em campanhas anteriores, mas decidiu respaldar Sullivan na disputa deste ano. Em nota, ela afirmou que, embora “alguns possam tentar descartar isso como simplesmente a maneira como a política funciona hoje”, a prática de “lançar candidaturas adicionais para dividir votos não deveria ter lugar em nosso processo eleitoral”:

“Os habitantes do Alasca merecem ouvir a verdade de Mary e de sua campanha”, escreveu. “O que foi revelado é um padrão de mentiras e acobertamentos e uma cultura de enganação”.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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