O Google disponibilizou nesta semana seu chatbot Gemini para alguns estudantes do ensino fundamental e médio que utilizam seu popular aplicativo Classroom para escolas, intensificando a corrida entre as gigantes de tecnologia dos Estados Unidos para familiarizar os alunos com suas ferramentas de inteligência artificial. Não só para espiões: Óculos 'inteligentes' ganham espaço desde hobbies a atender pessoas com limitações Concorrente: Modelos de IA da Alibaba atingem 3 bilhões de downloads, ultrapassando Meta e Google O Google Classroom, um sistema de gerenciamento de aprendizagem usado para publicar tarefas e receber trabalhos escolares, é utilizado por mais de 150 milhões de estudantes e professores em todo o mundo. Até esta semana, o Google habilitava automaticamente o Gemini no Classroom apenas para estudantes com 18 anos ou mais. Agora, uma nova aba do Gemini dentro do Classroom permitirá que estudantes de todas as idades recorram à IA para obter ajuda com problemas de matemática e tarefas de redação. Eles também poderão gerar recursos para os cursos, como guias de estudo, questionários e cartões de memorização, além de produzir imagens. Em um e-mail, o Google afirmou que disponibilizou o Gemini no Classroom porque a nova configuração permitirá que os estudantes façam perguntas à IA sobre materiais específicos dos cursos e tarefas fornecidas por seus professores.
Segundo o Google, as mudanças relacionadas à IA no Classroom afetarão apenas as escolas que permitirem que os alunos tenham acesso ao aplicativo Gemini ou ao Gemini Notebook, outro produto da empresa. Os administradores das escolas poderão ativar ou desativar o acesso ao Gemini para todos os estudantes, informou a companhia, ou apenas para grupos específicos, como alunos das séries iniciais. 'Violação desproporcional': Conselho da França rejeita lei que veta redes sociais a menores de 15 anos Mesmo assim, administradores escolares afirmaram que o Google fez tantas mudanças em seus produtos de IA voltados para escolas que pode ser difícil para eles acompanhar as alterações ou até mesmo saber o que está ativado ou desativado. — Parece que somos os últimos a saber — disse Derek Moore, diretor de tecnologia do Distrito Escolar Unificado de Palo Alto, na Califórnia, que permite que estudantes do ensino médio usem o Gemini apenas para finalidades específicas autorizadas por seus professores. A iniciativa do Google para ampliar o acesso dos estudantes às suas ferramentas de IA intensifica uma disputa de longa data entre as gigantes de tecnologia Apple, Google e Microsoft pelo domínio das salas de aula e pela conquista de estudantes como clientes no longo prazo.
Na Austrália: Meta afirma ter fechado 750 mil contas de menores de 16 anos Novas empresas no mercado de tecnologia educacional, como as startups de IA Anthropic e OpenAI, também começaram recentemente a desenvolver programas voltados para professores do ensino fundamental e médio. Até agora, porém, OpenAI e Anthropic não disponibilizaram seus chatbots ChatGPT e Claude para uso por estudantes em escolas públicas dos Estados Unidos. A indústria vem pressionando pela adoção de chatbots em salas de aula enquanto grupos de pais em Nova York, Los Angeles e outras cidades pressionam as escolas a suspender temporariamente a implementação de produtos de IA destinados aos estudantes.
Esses grupos afirmam que os chatbots de IA podem representar riscos à segurança e à privacidade das crianças, além de prejudicar sua capacidade de pensamento crítico. Alguns alertam que o uso de chatbots para gerar recursos de estudo, como cartões de memorização e resumos de textos, pode dificultar a aprendizagem dos alunos. As mudanças promovidas pelo Google em suas ferramentas de IA ilustram uma dinâmica de poder existente há muito tempo entre as gigantes da tecnologia voltadas ao consumidor e o sistema público de educação dos Estados Unidos.
Entenda: O que realmente acontece com seus dados quando você clica em 'deletar'? As empresas de tecnologia costumam ativar regularmente novos recursos de seus produtos educacionais para os estudantes. Essas mudanças automáticas frequentemente exigem que os administradores escolares optem por desativá-las, em vez de as escolas precisarem autorizar sua ativação. Em entrevistas concedidas nesta semana, vários dirigentes de distritos escolares defenderam que as empresas de tecnologia permitam que as escolas avaliem previamente mudanças significativas nas ferramentas de IA destinadas aos estudantes e só então decidam se desejam ativá-las. — Um distrito escolar não deveria adotar acidentalmente uma plataforma de IA simplesmente porque ninguém encontrou a opção correta para desativá-la seis meses atrás — disse James O’Hagan, diretor de equidade digital, inovação e serviços de biblioteca do Distrito Escolar Glendale-River Hills, em Glendale, Wisconsin.
Ele observou que o Google já havia ativado anteriormente outro serviço de IA, o Workspace Intelligence, para clientes de distritos escolares, uma mudança que criticou em uma publicação no LinkedIn. —O padrão deveria ser a autorização, não a adoção — acrescentou. Claude: Modelo Anthropic e concorrente do ChatGPT vai revelar quem está usando texto de inteligência artificial Neste outono no Hemisfério Norte, o Google planeja ativar outra nova configuração para estudantes menores de 18 anos que estejam conectados a contas escolares do Google, desta vez como parte de seus serviços de busca, segundo um comunicado da empresa destinado a administradores escolares e publicado nesta semana. Chamada de Controle de Recomendações Personalizadas da Busca (Search Personalized Recommendations Control), a configuração permite que o sistema de buscas da empresa personalize as sugestões com base nos dados das contas Google dos estudantes — “como atividades salvas em sites e aplicativos do Google”, incluindo dados de localização, segundo o comunicado.
Por exemplo, o Google afirmou que o sistema poderá analisar pesquisas anteriores de um estudante sobre temas de ciências para tornar as respostas “mais relevantes para aquilo que o aluno está aprendendo”. Em um e-mail, o Google informou que a nova configuração de recomendações será ativada neste outono apenas para as escolas que tiverem habilitado seus serviços de busca. Depois de descobrir o comunicado na quinta-feira, O’Hagan disse que utilizou o painel de administração escolar do Google para desativar os serviços de busca da empresa e, assim, impedir antecipadamente a ativação do novo recurso para os estudantes.
O Globo