Golpe da CNH usa ameaça de suspensão da carteira para atrair vítimas; veja como identificar mensagens falsas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A ameaça de perder o direito de dirigir tem sido utilizada por criminosos para convencer motoristas a fornecer informações pessoais e realizar pagamentos indevidos. Mensagens que simulam comunicados oficiais dos departamentos de trânsito informam sobre supostas multas, débitos e processos de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O alerta mais recente foi feito pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), após moradores receberem notificações fraudulentas pelo WhatsApp na sexta-feira (30). Veja também: Jornalista de 36 anos morre após quase dois meses internado por AVC hemorrágico em São Paulo

Os contatos utilizam o nome do órgão para dar credibilidade à abordagem. Em um dos casos identificados, a mensagem partiu de uma conta comercial chamada "Expreso Brasilia", vinculada a um número com código internacional da Colômbia.

O texto mencionava irregularidades na documentação dos destinatários e apresentava um endereço eletrônico para suposta consulta ou regularização dos débitos. A estratégia não se restringe ao Distrito Federal.

A Associação Nacional dos Detrans (AND) já identificou ocorrências semelhantes em diferentes estados. Segundo a entidade, os criminosos também recorrem a SMS e e-mails para comunicar falsos processos de suspensão ou cassação da habilitação.

Em algumas dessas abordagens, o endereço enviado conduz a páginas que imitam o ambiente do governo federal. Depois de inserir informações pessoais, o usuário visualiza supostas infrações e valores pendentes, acompanhado de uma opção para regularizar a situação.

O objetivo é obter dados e induzir a vítima a transferir dinheiro. Como identificar a fraude

Um dos principais cuidados é desconfiar de mensagens que apresentam prazos curtos para pagamento ou ameaçam consequências imediatas caso o destinatário não siga as instruções. Links enviados por números desconhecidos, endereços eletrônicos que não correspondem aos domínios oficiais e pedidos de informações bancárias também devem ser tratados com cautela.

O especialista em direito bancário Raimundo Nonato recomenda que qualquer comunicação inesperada seja conferida diretamente com a instituição responsável, sem utilizar os endereços disponibilizados pelo remetente. Senhas, códigos de autenticação e informações financeiras não devem ser compartilhados.

A orientação também é evitar responder ao contato suspeito, bloquear o número e utilizar os recursos de denúncia disponibilizados pelo aplicativo de mensagens. O que fazer se receber uma mensagem suspeita

O Detran-DF esclarece que não encaminha cobranças nem links de pagamento por meio de mensagens de WhatsApp enviadas por terceiros. Para verificar a existência de multas ou outras pendências, os motoristas devem acessar diretamente o Portal de Serviços do departamento ou utilizar o aplicativo Detran-DF Digital.

A recomendação acompanha um alerta mais amplo da Associação Nacional dos Detrans. A entidade orienta que notificações sobre infrações e processos administrativos sejam verificadas nos canais oficiais de cada estado.

Outra possibilidade é utilizar a Carteira Digital de Trânsito, que permite consultar infrações e aderir ao Sistema de Notificação Eletrônica (SNE). Quem forneceu dados pessoais ou bancários deve procurar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais, comunicar a possível fraude e solicitar as medidas de segurança necessárias, incluindo o bloqueio de operações suspeitas e a troca de senhas.

Se houve transferência via Pix, o Banco Central recomenda que a vítima entre em contato com o banco para solicitar a devolução dos valores por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O procedimento permite que as instituições financeiras analisem a ocorrência e, quando identificada fraude e houver recursos disponíveis, providenciem a restituição.

Também é importante registrar um boletim de ocorrência e preservar provas, como capturas de tela, números utilizados pelos criminosos, endereços eletrônicos e comprovantes de transferência. O Detran-DF reforça que esses registros podem auxiliar na apuração do caso.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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