O Governo de Goiás ampliou a participação feminina no meio científico e tecnológico por meio do ‘Goianas na Ciência e Inovação’ da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), que articula editais de fomento, capacitação em robótica e apoio a pesquisas lideradas por mulheres.
A política estadual foi divulgada durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontece até este domingo, 1º de novembro, e que neste ano adota o tema “Ciência Delas”. Na ponta desse esforço, pesquisadoras transformam investimentos públicos em soluções para problemas sociais.
Um exemplo é o projeto Proteção Integrada e Prevenção de Risco Letal, coordenado pela pesquisadora Jéssica Traguetto, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Com recursos de R$ 1 milhão destinados pela Fapeg em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), a iniciativa apoia dez pesquisas aplicadas ao enfrentamento da violência contra meninas e mulheres.
O estudo prevê atuação em 45 municípios goianos, onde desenvolverá ferramentas gratuitas para identificar situações de maior risco e orientar a atuação integrada das redes de segurança pública, Justiça, assistência social e saúde. A pesquisa também elaborará uma matriz para priorização de casos e um guia voltado a profissionais que atuam na proteção de mulheres, com atenção especial a meninas e idosas.
“Investir na ciência feita por mulheres é investir em respostas mais próximas da realidade de quem mais precisa delas”, afirma Jéssica. Formação e empreendedorismo
Além do fomento à pesquisa aplicada, o Estado investe na formação de novas gerações de cientistas. O programa Start, que oferece cursos de robótica e programação, reserva 50% das vagas a meninas e mulheres e recebeu R$ 4,42 milhões desde 2024.
Na mesma direção, os editais do programa Eleve, lançados em 2024 e 2026, somam R$ 670 mil em apoio a empreendimentos liderados por mulheres. A Fapeg também financiou iniciativas desenvolvidas nas instituições de ensino.
O projeto STEAM4Girls: Aprendizagem Criativa para Estímulo de Meninas Cientistas, coordenado por Thamise Sampaio Vasconcelos Vilela, do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia, recebeu R$ 100 mil da Fundação. Entre 2024 e 2026, a iniciativa levou atividades de robótica, programação e aprendizagem criativa a cerca de 120 alunas de seis escolas públicas.
As atividades incluíram impressão 3D, sensores, realidade virtual e construção de sistemas de automação, além da capacitação de pelo menos 30 professores e da promoção de mentorias entre estudantes do IFG e alunas da educação básica. Pesquisas
O financiamento estadual também alcança áreas estratégicas do conhecimento. Na UFG, as professoras Danielle Cangussu de Castro Gomes e Andreia Luisa da Rosa coordenam o projeto Materiais Moleculares Multifuncionais rumo à Spintrônica e Informação Quântica, contemplado com R$ 54 mil da Fapeg e duas bolsas de iniciação científica.
A equipe investiga materiais com propriedades que podem contribuir para o desenvolvimento futuro de tecnologias nas áreas de nanotecnologia, eletrônica molecular, spintrônica e computação quântica. Outra iniciativa apoiada é o programa Meninas Cientistas, do IFG, campus Uruaçu, que oferece bolsas de iniciação científica júnior e de desenvolvimento tecnológico e inovação.
Em 2024, duas chamadas públicas lançadas com previsão inicial de R$ 2 milhões ampliaram o escopo do programa Goianas na Ciência e Inovação. A iniciativa busca incentivar o ingresso, a permanência e o desenvolvimento profissional de meninas e mulheres em áreas como ciências exatas, engenharia, computação e tecnologia.
Além do financiamento de pesquisas, o Estado desenvolve ações relacionadas à permanência de mulheres na carreira acadêmica, abordando temas como as dificuldades de conciliação entre maternidade e produção científica, o acesso a bolsas e recursos e a participação feminina em funções de liderança.
Investimento Entre 2019 e 2026, a Fapeg destinou R$ 448,1 milhões à sua área finalística, considerando recursos executados e empenhados.
Desse montante, R$ 354,8 milhões, equivalentes a 79,2%, concentram-se no período de 2023 a 2026. Leia também:
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