Goiás ganha ou perde? O que esperar para o Estado com Flávio ou Lula no poder

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Fonte da notícia: Portal6 Portal6

Goiás chega ao segundo turno das eleições de 2026 com uma posição declarada. Desde 06 de outubro, o governador reeleito Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), terceiro colocado na disputa presidencial, apoiam Flávio Bolsonaro (PL).

Em caso de vitória do senador, Caiado é cotado nos bastidores para o Ministério da Segurança Pública, com Agricultura também citada. O próprio Flávio disse, em Goiânia, que pretende se inspirar na segurança pública de Goiás.

A pergunta que fica é a outra ponta: se Lula (PT) for reeleito, como fica a relação do governo goiano com Brasília, de repasses a obras federais? O cientista político Guilherme Carvalho avalia o que o Estado tem a ganhar e a perder em cada cenário. Para o especialista, a decisão de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado de apoiar Flávio Bolsonaro logo no início do segundo turno tem relação com os desafios econômicos e fiscais que Goiás deverá enfrentar nos próximos anos.

Entre eles, está a regulamentação da reforma tributária e os possíveis efeitos sobre estados produtores, como Goiás, cuja economia tem forte participação do agronegócio. Na avaliação do cientista político, o posicionamento também considera a possibilidade de maior proximidade com um eventual governo do PL.

“Haja visto que para onde está caminhando a reforma tributária é exatamente no sentido de punir fiscalmente estados que são produtores, como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, estados que sobrevivem em grande medida do agronegócio. Foi uma decisão muito pragmática logo de cara.

Houve ali uma leitura de cenário que foi feita para constatar aquilo que fazia mais sentido”, disse. O especialista avalia que uma eventual vitória de Flávio poderia facilitar a interlocução entre o governo estadual e o federal, especialmente pela aproximação política construída por Daniel Vilela e Caiado com o senador.

Contudo, o alinhamento não garante, por si só, a liberação de recursos ou a priorização de projetos. Isso porque, após a eleição, o presidente precisará conciliar as demandas de diferentes estados e grupos políticos.

Entre os temas sensíveis para Goiás e que poderiam aproximar o governo goiano de uma eventual presidência de Flávio Bolsonaro, o cientista político destaca os impactos fiscais da reforma tributária, a avanço em inteligência artificial e a exploração de terras raras. Para Guilherme Carvalho, o Estado ampliou os investimentos nessas áreas durante a gestão de Caiado, especialmente no segundo mandato, e poderia encontrar convergência com as propostas do candidato do PL.

“Na agenda da inteligência artificial, a gente sabe que o Estado de Goiás ampliou o orçamento para programas envolvendo ciência, tecnologia e inovação. E essa é uma agenda que está muito tangenciada no governo Lula.

Flávio tem falado muito de uma priorização da pauta e o estado de Goiás está configurando uma espécie de um hub de excelência aqui”, ressalta. Já a exploração mineral, segundo o entrevistado, depende de definições regulatórias e da atuação da União, uma vez que os recursos minerais do subsolo estão sujeitos ao regime jurídico federal.

Para ele, uma maior articulação com Brasília poderia ajudar Goiás a avançar nessa agenda, considerada relevante para a geração de receitas e a movimentação da economia estadual. “São duas pautas, além da pauta fiscal, que são extremamente caras para o Governo de Goiás nos próximos anos para gerar caixa, para movimentar a nossa economia e que podem eventualmente ser portas abertas para o Governo de Goiás em Brasília”, avaliou.

Outro ponto envolve o futuro político de Ronaldo Caiado. Cotado nos bastidores para assumir um ministério em um eventual governo Flávio, o ex-governador é considerado pelo cientista político uma liderança respeitada no cenário nacional, com potencial para ampliar a participação de Goiás nas decisões federais.

“Ronaldo Caiado é um quadro de muito valor na política nacional. E eu costumo dizer que acho que Ronaldo Caiado é mais respeitado pela elite política em Brasília do que em Goiás.

E olha que em Goiás ele é muito respeitado”, afirmou. Entretanto, o especialista pondera que a relação entre os dois políticos pode impor dificuldades a uma eventual nomeação, em razão das críticas que Caiado fez ao senador durante a disputa eleitoral.

Em caso de reeleição de Lula, o principal desafio para Goiás, segundo o especialista, seria construir uma relação institucional em meio às divergências políticas. A aproximação de Daniel Vilela e Caiado com Flávio pode dificultar as negociações com o governo petista, especialmente diante das articulações partidárias que precisariam ser refeitas.

“Sem dúvida nenhuma, há uma prevalência de vantagens para os governantes em Goiás de uma vitória de Flávio, tendo em vista os desafios que nós vamos ter. Também há a possibilidade de termos uma redução da importância do estado de Goiás na agenda nacional em um eventual governo Lula”, declarou.

Apesar da avaliação favorável a Flávio, o especialista ressalta que os efeitos práticos de cada resultado não podem ser definidos antecipadamente. A execução de obras, a liberação de recursos e a continuidade de projetos dependem também de orçamento, regras institucionais, articulação parlamentar e prioridades do governo federal.

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