Giancarlo: novo italiano da dupla por trás de casas como Quartinho e Pope é alegre e sem frescuras
Ouvi de um empresário com casas no Rio e em São Paulo que a capital carioca hoje está mais interessante para comer fora do que a paulista. Quis entender melhor esse “interessante”. Ele respondeu: “é mais divertido, criativo e prazeroso”. Gostei do recorte e me lembrei dele assim que cheguei no Giancarlo — italiano que abriu recentemente em Botafogo— e dei de cara com a porta de madeira e vidro com dois farfalles de resina (a massa que parece uma borboletinha) se passando por maçanetas. É isso!
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Porta de entrada com maçaneta charmosa no Giancarlo
Divulgação/Bruno Machado
E foi a primeira de muitas irreverências dessa casa tocada por mãos sérias, calejadas (exagero, mas bastante experientes) e seguras, que se instalou em uma antiga oficina de restauro de tapetes persas. Outro detalhe ótimo, porque ninguém imagina que esse espaço com arcos, ares déco e um pequeno pastifício de onde saem as massas frescas tenha abrigado um negócio tão raro por aqui. Tudo no restaurante tem a supervisão de Matheus Zanchini, chef ítalo-paulista dono do Borgo Mooca, trattoria veterana que faz sucesso por lá.
Giancarlo é o nome do filho de 7 anos do chef, que tem rostinho desenhado nas louças e na plaqueta da rua. Está literalmente estampado que o espaço traz referências familiares. Com ótimas cifras, reúne receitas de mãe, avó e tia, mais contribuições de Zanchini. E aqui vale dizer que casa tem por trás, na sociedade com o chef, a dupla Edu Araújo e Jonas Aisengart (Pope, Quartinho, Chanchada, Guadalupe). Uma trattoria de pegada carioca.
Massas feitas na casa
Divulgação/Bruno Machado
De entrada, as bolotas crocantes de arancini traziam recheio de ragu de ossobuco caldoso, com açafrão de verdade, molho da carne embaixo (R$ 16, cada); a polpetta é clássica, bolinhas de carne moída bem temperadas e assadas no molho de tomate (R$ 38), e a porchetta tonnata é uma bem-vinda licença poética do chef: fatias fininhas de porchetta com molho tonnato (de atum), raspinhas de limão, alcaparras e pão (R$ 48).
O paillard (R$ 132) batidinho ocupava o prato todo, com gosto de sálvia, molhadinho, grelhado com perfeição — e deixa com vontade de voltar. Chega junto um prato com fios amarelos, lindos, do fettuccine alfredo, puxado no pecorino. Servem seis tipos de massas, entre elas lasanha bolonhesa com ragu de boi e porco, fior di latti, grana padano e molho branco (R$ 74), e agnolotti com queijo de cabra, espinafre e manjericão com molho tomate (R$ 64). Lindas, perfumadas. Não chegamos ao ossobuco (R$ 88) nem em nada do mar. Ficam para uma outra vez, a do repeteco do “paillard” e também do tiramisù, que não me lembro de outro melhor. Giancarlo é daquelas casas que a gente torce para que nada mude ali, que fique anos exatamente do jeitinho que está. Que só mantenha o padrão. E a alegria, sempre.
Giancarlo: três garfinhos (bom)
Rua Oliveira Fausto 11, Botafogo. Ter a qui, das 12h à meia-noite. Sex e sáb, das 12h à 1h. Dom, das 12h às 23h.
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