'Colocou segurança em risco': ex-DJ venezuelano é preso no Reino Unido por vender 60 mil peças de avião falsas

 

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Um ex-DJ venezuelano foi condenado nesta segunda-feira a quatro anos e oito meses de prisão no Reino Unido por vender dezenas de milhares de peças de motores de avião com documentação falsificada a companhias aéreas globais, em um esquema que levantou alertas de segurança e resultou em prejuízos milionários para o setor.

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Segundo a investigação do Serious Fraud Office (SFO) britânico, José Alejandro Zamora Yrala, de 38 anos, dirigiu a empresa AOG Technics Ltd. de sua casa em Surrey, nos arredores de Londres, entre 2019 e julho de 2023, comercializando mais de 60 mil componentes de motor — como parafusos, anéis e juntas — com certificados de autenticidade forjados.

A maioria dessas peças era destinada a motores CFM56, amplamente usados em aeronaves Airbus A320 e Boeing 737. Os documentos apresentados como garantia de conformidade foram criados em um computador doméstico e frequentemente acompanhados de identidades e e-mails de funcionários fictícios, segundo o SFO.

— A operação de Zamora colocou a segurança pública em risco em escala global, de uma forma que desafia qualquer crença. Tenho orgulho de termos usado nossas habilidades e expertise especializadas para levá-lo à Justiça e desmantelar essa operação criminosa o mais rápido possível — disse, em nota, a Diretora de Operações do SFO, Emma Luxton.

A fraude só veio à tona em 2023, quando um parafuso fornecido à TAP Air Portugal não se encaixou corretamente, levando técnicos a questionar a autenticidade do certificado anexado. A fabricante do motor identificou a falsificação e alertou as autoridades, desencadeando uma série de verificações que levaram autoridades de aviação do Reino Unido, dos Estados Unidos e da União Europeia a emitir alertas de segurança e a imobilizar aeronaves para inspeções.

O esquema gerou um impacto financeiro estimado em mais de £39 milhões (cerca de R$ 290 milhões) em custos para as companhias aéreas, incluindo gastos com inspeções, substituições de peças e tempo em solo de aeronaves. Dentre as afetadas estão Ethiopian Airlines, que comprou mais de 5,6 mil peças com documentação fraudulenta, e American Airlines, que identificou partes falsificadas em vários de seus motores, embora não tenha comprado diretamente da AOG.

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Durante o julgamento, o juiz Simon Picken classificou a operação de Zamora Yrala como uma violação grave do sistema regulatório que garante a segurança aérea — um padrão fundamental para a confiança nos voos comerciais.

Além da pena de prisão, ele foi impedido de atuar como diretor de empresa por oito anos e enfrentará procedimentos para a recuperação de valores relacionados ao crime.

Investigadores destacam que o caso expõe fragilidades no rastreamento e verificação de peças na cadeia global de fornecimento de componentes aeronáuticos — um setor altamente regulamentado e crítico para a segurança de passageiros e tripulantes.