“Essa história de a bolsa estar muito barata tem alguns cenários que podem ser muito ruins, de a gente discutir algo perto do que aconteceu na Turquia e na Argentina se Lula for reeleito", disparou Christian Faricelli, sócio e gestor da Absolute, em painel da conferência anual do Santander, em São Paulo. "Se alguém está colocando chance zero [de um cenário de Argentina ou Turquia] está errado. Não é o nosso cenário-base, mas é real. Num cenário desses, entre ter CDI ou ativo real, eu prefiro o ativo real, mas com muito cuidado nas oportunidades que há na bolsa."
O gestor disse estar bem preocupado com a economia doméstica dada a alavancagem da população e das empresas, algo que o balanço dos bancos começa a mostrar. Ajudaria se houvesse uma tendência clara de corte de juros, mas as taxas podem cair mais pelo "mau motivo: pela economia fraca de verdade e por uma recessão nos próximos dois anos".
As empresas atingiram um nível de "valuation" que as coloca no topo do risco. As exportadoras seriam uma alternativa, "mas o problema é que o câmbio não vai [ajudar a puxar as receitas], mas é um bom lugar para estar", disse Faricelli. Ele disse haver dúvidas sobre se num novo governo Lula não poderia haver novas taxações de alguns setores para aumentar a arrecadação. "O painel de controle que ele [o governo] sabe dar, que é o crédito, quebrou. A ver que próximos botões ele vai apertar. Por isso, nos ativos reais, tenho mais conforto."
Os juros reais na casa dos 10% nos últimos anos prejudicaram até as companhias boas pagadoras de dividendos, a exemplo das empresas de energia elétrica e outras concessionárias de serviços públicos. Esse custo explica por que nomes como Equatorial, Energisa e Motiva "não andaram".
"Dado o nível de alavancagem da população, do país, é difícil imaginar uma solução para o Brasil que não passe por um 'default' da dívida pública ou das famílias", continuou o gestor da Absolute. Com tal percepção, na comparação com o spread das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), ele disse preferir os ativos de empresas de utilidade pública e exportadoras. "O principal motivo é que o mundo inteiro está precisando de capital e o Brasil vai emitir muita dívida." Christian Faricelli, sócio e gestor da Absolute Investimentos Keiny Andrade/Valor
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