Geração Z impulsiona volta aos cinemas e deve levar 2026 ao melhor resultado de bilheteria desde a pandemia

 

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Tudo indica que os boatos sobre o fim das salas de cinema são exagerados. Projeções do setor indicam que 2026 pode se tornar o melhor ano da bilheteria global desde o início da pandemia. A principal responsável por essa retomada, quem diria, é a geração Z.

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Segundo uma pesquisa da plataforma americana Fandango, os jovens nascidos entre 1997 e 2012 são hoje o grupo que mais frequenta cinemas nos Estados Unidos. Cerca de 87% afirmam ter assistido a pelo menos um filme em uma sala nos últimos 12 meses. Entre os millennials, o índice é de 82%; entre a geração X, 70%; e entre os baby boomers, 58%. Além disso, a geração Z vai mais vezes ao cinema do que qualquer outro grupo: em média, sete idas por ano.

Criada em um ambiente dominado por redes sociais e pela oferta quase infinita de conteúdo sob demanda, essa geração cresceu tendo telas individuais como principal forma de entretenimento. Parte desses jovens, no entanto, parece cansada da vida mediada por algoritmos, notificações e consumo fragmentado.

Para muitos deles, a ida ao cinema passou a representar justamente o oposto: concentração, presença e convivência presencial. “Ir ao cinema virou uma forma de me conectar com amigos e compartilhar a experiência pessoalmente. Um lugar onde você pode desligar o celular por algumas horas e simplesmente se desconectar do mundo”, disse ao jornal britânico The Guardian a criadora de conteúdo Florence Rose, de 22 anos.

O cinema aparece como uma alternativa de entretenimento acessível (é mais barato do que ir a bares ou shows), segura e culturalmente relevante. Em casa, o filme compete com pausas, mensagens, redes sociais e múltiplas abas abertas. No cinema, o espectador é convidado a permanecer atento por duas horas.

As redes sociais também passaram a impulsionar a experiência presencial. Campanhas de marketing de grandes estúdios hoje apostam em trechos virais de coletivas, entrevistas com elenco, memes e tendências on-line para transformar estreias em grandes eventos.

Aplicativos como o Letterboxd, rede social dedicada a filmes, reforçam esse ciclo. Na plataforma, usuários publicam críticas curtas, listas e comentários bem-humorados logo após as sessões. O serviço, cuja base principal está entre 18 e 24 anos, saltou de 1,7 milhão de usuários em 2020 para 26 milhões em 2026 e funciona como espaço de comunidade, identidade e pertencimento para jovens cinéfilos.

No fim, a geração Z não está rejeitando as telas. Apenas prefere a maior delas.