Genial/Quaest: pesquisa aponta que Zema terá dificuldade para emplacar aliado como sucessor em MG
Escolhido pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) como seu candidato à sucessão em Minas Gerais, o atual governador, Mateus Simões (PSD), enfrenta desafios na corrida à reeleição e, por enquanto, aparece, numericamente, na quarta posição entre os principais nomes colocados no pleito, de acordo com nova pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira. O baixo desempenho se soma a uma piora captada no levantamento na aprovação do governo Zema entre os eleitores mineiros.
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Simões assumiu o governo em março, após Zema se desincompatibilizar do cargo para disputar a Presidência. A Quaest mostra que 68% dos entrevistados afirmam não conhecer o atual chefe do Executivo mineiro a cinco meses do pleito. O índice supera o registrado pelos principais rivais, que têm taxas de desconhecimento entre 31%, caso do ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT), e de 41%, caso do senador Cleitinho (Republicanos).
O levantamento mostra Cleitinho, que ainda não definiu se será candidato ou não, na liderança em todos os cenários de primeiro e segundo turno ao governo. No panorama mais completo de primeiro turno, o parlamentar aparece com 30% das intenções de voto e chega a 37% a depender dos adversários testados.
Disputa em Minas Gerais
Editoria de Arte
Cleitinho, no cenário com mais nomes, é seguido por Kalil, que marca 14%, e pelo também senador Rodrigo Pacheco (PSB), com 8% — que, embora não tenha lançado oficialmente sua pré-candidatura, é o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser seu palanque no estado. Simões, por sua vez, aparece empatado com Ben Mendes, do Missão — com 4% cada — e com Pacheco na margem de erro, de três pontos percentuais para mais ou menos.
Aposta do PL por ser outsider na política local, o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do estado (Fiemg), marca somente 2%. O partido atua para garantir um palanque mais forte para o senador Flávio Bolsonaro (RJ) em sua candidatura à Presidência em Minas, estado considerado decisivo para a eleição.
Queda de popularidade
Além da dificuldade para se tornar mais conhecido, Simões é pressionado por uma piora na aprovação de Zema, seu padrinho político, no estado, ainda segundo os resultados da Quaest. Em meio ao recente embate protagonizado pelo ex-governador mineiro com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sua aprovação caiu de 62%, em fevereiro de 2025, para 52% neste mês. A avaliação negativa de seu governo quase dobrou no mesmo período, passando de 14% para 26%.
Em um eventual segundo turno, a maior vantagem de Cleitinho é contra Simões e Roscoe. Enquanto o senador aparece com 46% das intenções de voto, o atual governador marca 13%. Contra o nome do PL, que também marca 13%, Cleitinho vai a 45%. Contra Kalil, o senador soma 48% a 26%, enquanto contra Pacheco lidera por 43% a 23%.
Em um cenário de segundo turno entre Simões e Pacheco, o ex-presidente do Senado aparece à frente com 30%, contra 17% do governador. Já em um eventual embate entre o aliado de Zema e Kalil, o pré-candidato à reeleição teria 28%, ante 18% do ex-prefeito.
Na terça-feira, o governador Simões afirmou que recebeu o levantamento com “seriedade”, mas ponderou que, historicamente no estado, as disputas são vencidas por candidatos que começam abaixo nas pesquisas de intenção de voto e passam por uma virada.
— Aqui em Minas estamos acostumados com candidatos que saem em condições menos favoráveis nas primeiras pesquisas e depois ganham a eleição — afirmou Simões.
Já Cleitinho afirmou que deixará a decisão se disputará ou não o governo mais para frente:
— Devo decidir isso lá para junho. Há algumas questões particulares ainda.
Em um primeiro turno sem a presença de Cleitinho, a liderança é herdada por Kalil, com 18%. Nesse cenário, ele é seguido por Pacheco, com 12%, enquanto Simões aparece com 5% — numericamente, atrás de Mendes, do Missão, com 6%.
Os dados da Quaest indicam que ainda há alta proporção de indecisos no estado, o que deixa a disputa em aberto. Nos cenários estimulados de primeiro turno, o percentual varia entre 13% e 19%. Já na pesquisa espontânea — quando o eleitor não é apresentado a uma lista de nomes — 86% não têm um escolhido na ponta da língua.
Além disso, para apenas 38% da população mineira, a escolha do voto para governador já é definitiva, contra 60% que relatam que ainda podem mudar. O levantamento ouviu 1.482 eleitores, entre os dias 22 e 26 de abril.
