Geladeira inteligente pode ser hackeada? Veja riscos e como se proteger

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As geladeiras inteligentes podem ser hackeadas caso utilizem softwares desatualizados, senhas fracas de fábrica ou mantenha portas de acesso vulneráveis por rede Wi-FI. A invasão pode ocorrer por brechas em serviços de nuvem ou falhas no roteador doméstico.

O invasor pode desregular a temperatura dos alimentos, espionar a rotina familiar e usar o aparelho como ponte para invadir computadores e celulares no mesmo ambiente. Os recentes ataques cibernéticos, na europa registrados na França, contra controladores industriais de refrigeração, reacendem o alerta de blindagem para modelos residênciais.

E foi pensando nisso, que o TechTudo ouviu o especialista em cibersegurança e professor do Instituto Mauá, Rudolf Theoderich Bühler, para reunir orientações sobre como proteger os eletrodomésticos iteligentes de invasões. Veja a seguir, mais informações sobre quais modelos podem ser afetados, como os hackers conseguem invadir eletrônicos e se o uso de inteligência artificial pode realmente aumentar a chance de ataques na sua rede.

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1. O que aconteceu na França?

Na noite de 11 para 12 de outubro de 2026, sistemas de refrigeração de centenas de supermercados franceses foram atingidos por um ataque cibernético. De acordo com informações divulgadas pela imprensa da França, os invasores alteraram parâmetros de funcionamento de equipamentos responsáveis pelo controle de temperatura de câmaras frias e freezers, fazendo com que os sistemas de degelo permanecessem ativos por mais tempo.

Em alguns estabelecimentos, as temperaturas chegaram a 50 °C, provocando a perda de alimentos perecíveis e danos materiais. A fabricante Danfoss informou que boa parte das unidades afetadas estava obsoleta ou havia deixado de receber atualizações de software e segurança.

O episódio chamou a atenção porque os criminosos não precisaram necessariamente roubar dados ou bloquear computadores para causar danos concretos. Ao obter acesso aos sistemas de controle, conseguiram interferir no funcionamento físico dos equipamentos.

As investigações apontaram problemas relacionados a controladores de refrigeração conectados à internet, incluindo dispositivos com softwares desatualizados ou que já não recebiam atualizações de segurança. O caso demonstra que uma vulnerabilidade digital pode comprometer processos físicos, mesmo quando o objetivo principal do ataque não é acessar informações pessoais.

Para o professor Bührer, o episódio demonstra como uma falha digital pode afetar diretamente uma operação física. “Sistemas comerciais e eletrodomésticos têm pontos em comum.

Ambos podem ter acesso remoto, software que envelhece e dependência de senhas e painéis bem configurados”, explica. Ataque hacker na França afetou dezenas de geladeiras em supermercados do país

Reprodução/TV Globo A diferença, segundo ele, está na escala e na gestão: enquanto supermercados podem contar com equipes de manutenção, nas residências a atualização dos aparelhos geralmente depende do próprio consumidor.

O especialista ressalta, porém, que o ataque francês envolveu controladores de refrigeração comerciais e não comprova a ocorrência de invasões semelhantes em geladeiras domésticas. 2.

Quais eletrodomésticos podem ser afetados? Qualquer aparelho conectado à internet pode apresentar vulnerabilidades, mas o nível de risco varia conforme o software, as permissões disponíveis, a configuração da rede e o suporte oferecido pelo fabricante.

Entre os equipamentos que merecem atenção estão geladeiras e freezers inteligentes, máquinas de lavar e secar, lava-louças, air fryers conectadas, robôs aspiradores, smart TVs, câmeras, babás eletrônicas, fechaduras, portões e sistemas de automação residencial. “O risco maior está nos aparelhos que têm câmera, microfone ou algum componente capaz de agir sobre o ambiente.

Uma invasão pode permitir espionagem, acionamento indevido de funções e alteração de temperatura. Dano material ou físico exige um aparelho com atuador de potência e sem proteção independente”, alerta o professor do Instituto Mauá de Tecnologia.

Celular casa conectada casa smart casa inteligente Reprodução/Pexels (Jakub Zerdzicki)

3. Como um hacker consegue acessar esses aparelhos?

Uma das principais portas de entrada é a exploração de falhas conhecidas no firmware, o software que controla o funcionamento do equipamento. Quando o fabricante identifica uma vulnerabilidade, pode disponibilizar uma atualização para corrigi-la.

Se o usuário não instala o pacote ou se o aparelho deixou de receber suporte, o problema pode permanecer aberto. Outra situação de risco ocorre quando interfaces administrativas ficam expostas diretamente à internet, permitindo tentativas de acesso remoto sem as proteções adequadas.

No ataque francês, a obsolescência de parte dos controladores e as falhas nos sistemas de gestão estiveram entre os pontos destacados nas investigações e nos relatos publicados pela imprensa. Uma das principais portas de entrada é a exploração de falhas conhecidas no software que controla o eletrodoméstico

Reprodução/Freepik Também existem ataques que começam fora do eletrodoméstico.

Mensagens falsas podem levar o usuário a fornecer sua senha, instalar um aplicativo malicioso ou revelar códigos de autenticação. Uma conta comprometida pode dar acesso a dispositivos vinculados a ela.

Em outros casos, o invasor procura equipamentos expostos diretamente à internet, serviços de acesso remoto mal configurados ou falhas no roteador. Para reduzir a exposição, o especialista recomenda retirar interfaces de gestão da internet pública e utilizar mecanismos protegidos, como VPNs, quando o acesso remoto for necessário.

A separação dos dispositivos em redes distintas também pode limitar o alcance de uma invasão. 4.

Ter inteligência artificial torna o aparelho mais vulnerável? A inteligência artificial não torna automaticamente um eletrodoméstico mais vulnerável.

Um aparelho pode utilizar IA para reconhecer comandos de voz, sugerir configurações ou otimizar o consumo de energia sem que isso represente, por si só, uma falha de segurança. A preocupação é que modelos mais capazes possam ajudar criminosos a localizar vulnerabilidades, adaptar instruções a diferentes equipamentos e automatizar etapas de ataques.

Em 12 de outubro, a Anthropic, criadora e dona da ferramenta de inteligência artificial Claude, divulgou um comunicado sobre a possibilidade de modelos menores de IA conseguirem se autorreplicar em dispositivos comerciais de Internet das Coisas, como fornos inteligentes e aparelhos de TV baseados em Android.

A empresa relatou que um modelo com nove bilhões de parâmetros conseguiu executar inferência em oito dos nove tipos de hardware testados. Rudolf Bühler destaca que esse cenário ainda precisa ser interpretado com cautela.

“A IA não torna o aparelho mais frágil por si só. O que muda é o custo e a velocidade do atacante”, afirma.

Inteligência artificial sozinha não deixa um aparelhos menos seguro, mas avanço da tecnologia pode aumentar os riscos Samsung/Divulgação

Segundo o professor, modelos com até 30 bilhões de parâmetros já conseguem executar várias tarefas necessárias à autorreplicação, mas ainda cometem erros ao tentar combinar todas as etapas de forma confiável. O comunicado da Anthropic também aponta limitações nos experimentos, embora alerte que a evolução dos modelos possa tornar essas atividades mais viáveis.

Portanto, a possibilidade de uma IA se espalhar por dispositivos conectados representa um cenário de risco, e não uma confirmação de que eletrodomésticos residenciais estejam sendo infectados dessa maneira no mundo real. “A porta de entrada segue sendo a mesma, falha conhecida, senha fraca e aparelho sem atualização.

A IA pode automatizar a busca por essas brechas em larga escala. Trata-se de um cenário de risco, não de um fato consumado”, completa o professor.

5. Um hacker pode provocar um incêndio ou desativar sistemas de segurança?

Em determinadas circunstâncias, um ataque cibernético pode produzir consequências físicas. Isso depende, porém, da arquitetura do equipamento, do nível de acesso obtido pelo invasor e das proteções implementadas.

O caso francês ilustra como a alteração remota de parâmetros em sistemas de refrigeração pode levar à perda de alimentos e, segundo relatos publicados pela imprensa, estar associada a incêndios em alguns estabelecimentos. O incidente envolveu sistemas de controle de refrigeração e não comprova que qualquer geladeira doméstica possa ser manipulada da mesma forma.

Um ataque cibernético pode produzir consequências físicas Reprodução/Redes Sociais

Em equipamentos residenciais conectados, uma vulnerabilidade pode permitir a alteração de configurações, o acionamento não autorizado de funções remotas ou a interrupção de serviços. Um aparelho de ar-condicionado, por exemplo, pode ser configurado para funcionar em horários inconvenientes.

Uma câmera conectada pode ter sua privacidade comprometida, enquanto uma fechadura inteligente ou um sistema de alarme vulnerável pode representar um risco mais direto à segurança da residência. Em equipamentos residenciais conectados, uma vulnerabilidade pode permitir a alteração de configurações

Lucas Loyo/TechTudo A possibilidade de provocar superaquecimento, danos elétricos ou incêndios depende de outros fatores, como o nível de acesso obtido pelo invasor, os comandos aceitos pelo equipamento, as proteções térmicas e elétricas e a existência de mecanismos independentes de segurança.

Portanto, não é correto afirmar que um invasor conseguirá provocar um incêndio simplesmente por ter acesso à rede Wi-Fi ou a um aplicativo. Muitos dispositivos possuem limitações de funcionamento e mecanismos de proteção que impedem determinados comandos ou reduzem os riscos associados a falhas.

No caso de uma geladeira residencial, a alteração indevida da temperatura, com a consequente perda de alimentos, pode ser uma preocupação mais plausível do que a ocorrência de um incêndio. Também pode haver exposição de dados da conta do usuário, dependendo das vulnerabilidades do dispositivo e dos serviços associados.

Isso não elimina a possibilidade de outros riscos, que devem ser avaliados de acordo com as características de cada modelo. A invasão pode ocasionar alteração indevida do eletrodoméstico e perda de alimentos

Reprodução/Brastemp Também é importante distinguir os riscos digitais dos problemas elétricos e mecânicos convencionais.

Um eletrodoméstico que apresente cheiro de queimado, fumaça, aquecimento anormal ou ruídos incomuns deve ser tratado com cautela, independentemente de haver suspeita de ataque cibernético. Nesses casos, interrompa o uso e procure assistência técnica qualificada.

Se houver fumaça ou fogo, priorize a saída segura do local e acione os serviços de emergência. Não tente investigar uma possível invasão nessas circunstâncias.

6. Como identificar se um eletrodoméstico está desatualizado?

O primeiro passo para verificar se um aparelho inteligente está desatualizado é consultar o site oficial do fabricante e buscar informações sobre atualizações de firmware, compatibilidade com aplicativos e prazo de suporte. Também é importante verificar se o aplicativo usado para controlar o equipamento continua recebendo atualizações e se a empresa divulgou algum comunicado sobre o encerramento do suporte de segurança.

A falta de atualizações por um período prolongado merece atenção, embora esse fator, isoladamente, não seja suficiente para indicar que o aparelho está vulnerável. O especialista em cibersegurança recomenda atenção especial aos aparelhos que estão há mais de um ano sem atualizações, além da consulta à política de suporte antes da compra.

Esse período, porém, deve ser considerado um sinal de alerta, e não um prazo técnico universal. A necessidade de atualização depende das características do produto, da existência de vulnerabilidades conhecidas e das informações divulgadas pelo fabricante.

Quando o equipamento deixa de receber correções de segurança, a substituição pode ser a alternativa mais prudente, especialmente se ele controlar funções importantes da residência. Atualização dos eletrodomésticos inteligentes não podem ser ignoradas

Reprodução/Redes Sociais 7.

Como proteger a casa inteligente A proteção de uma casa conectada depende de uma combinação de cuidados com os dispositivos, as contas utilizadas nos aplicativos e a rede residencial.

Entre as principais medidas estão substituir as senhas padrão, instalar atualizações, restringir o acesso remoto e separar os dispositivos inteligentes dos computadores e celulares usados em atividades pessoais. Essas ações dificultam o acesso não autorizado e ajudam a evitar que uma invasão inicial se espalhe para outros equipamentos.

O professor Rudolf Bührer recomenda começar pela proteção das credenciais e do roteador. A primeira medida é trocar as senhas de fábrica, tanto dos aparelhos quanto do roteador.

A segunda é ativar as atualizações automáticas e manter o roteador em dia. Em seguida, é recomendo separar os aparelhos da casa em uma rede Wi-Fi própria, como a rede de convidados, desligar o acesso remoto que não é usado e ativar a verificação em duas etapas nas contas de todos os aplicativos que oferecerem essa opção.

Outro ato importante é escolher produtos homologados pela Anatel e de fabricantes com política de suporte clara. Roteador BE11000 é opção inteligente para quem deseja expandir conexão à internet dentro de casa

Lucas Loyo/TechTudo Se houver suspeita de invasão, alguns sinais podem indicar que um dispositivo foi comprometido, como a execução de comandos inesperados por um eletrodoméstico, alterações inexplicáveis nas configurações ou acessos desconhecidos à conta vinculada.

Nesses casos, o primeiro passo é verificar o aplicativo oficial e consultar os avisos do fabricante. Se houver indícios consistentes de comprometimento, desconecte o aparelho da internet, desde que isso possa ser feito com segurança e sem prejudicar funções essenciais.

Em seguida, altere as senhas das contas afetadas usando um dispositivo confiável, encerre as sessões desconhecidas, atualize o firmware e entre em contato com o suporte técnico. Se o problema envolver câmeras, fechaduras, alarmes ou outros dispositivos de segurança, verifique também o funcionamento dos mecanismos físicos de proteção.

Evite restaurar o aparelho para as configurações de fábrica antes de consultar as orientações do fabricante, pois o procedimento pode apagar registros úteis para investigar o incidente. Altere as senhas das contas afetadas usando um dispositivo confiável

Reprodução/Freepik 8.

Confira as principais medidas para reduzir os riscos: O professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Rudolf Bührer, ressalta que a segurança dos dispositivos conectados não é responsabilidade exclusiva do consumidor.

Segundo o especialista, os fabricantes devem desenvolver produtos com proteções adequadas, corrigir vulnerabilidades conhecidas e informar claramente os prazos de suporte. Os fornecedores de software e de serviços em nuvem também têm responsabilidades relacionadas às soluções que oferecem.

Aos usuários cabe seguir as recomendações de segurança, proteger suas contas e instalar as atualizações disponibilizadas. São elas:

Substitua as senhas padrão: crie senhas fortes e diferentes para o roteador, os aplicativos e as contas dos fabricantes. Evite reutilizar a mesma combinação em vários serviços.

Quando houver suporte, ative a autenticação em dois fatores para dificultar acessos mesmo se uma senha for descoberta. Instale as atualizações disponíveis: confira as atualizações do firmware e dos aplicativos, habilitando a instalação automática quando possível.

Não ignore alertas de segurança e verifique se o fabricante continua oferecendo suporte ao produto. Proteja o roteador e o Wi-Fi: utilize WPA2 ou WPA3, mantenha o firmware do roteador atualizado e desative o gerenciamento remoto se não precisar dele.

Não deixe painéis administrativos expostos diretamente à internet. Separe os dispositivos em uma rede própria: use uma rede para convidados ou uma rede específica para aparelhos de Internet das Coisas, se o roteador oferecer essa possibilidade.

Configure o isolamento para impedir que esses dispositivos acessem livremente computadores, celulares e outros equipamentos da rede principal. Desative funções que não utiliza: desligue o acesso remoto desnecessário e revise as permissões concedidas aos aplicativos.

Quanto menos serviços e recursos estiverem expostos, menor será a quantidade de possíveis portas de entrada. Avalie o suporte antes de comprar: prefira fabricantes que informem por quanto tempo oferecerão atualizações de segurança.

Verifique também a homologação da Anatel quando aplicável e evite produtos sem procedência clara ou sem informações confiáveis sobre o suporte. Mais do TechTudo

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