A primeira parcela do 13º salário tem de cair na conta dos trabalhadores até o fim de novembro. O dinheiro chega em boa hora, mas traz uma dúvida comum: gastar logo ou esperar o restante, em dezembro? Especialistas em finanças explicam como decidir e o que fazer para não começar o próximo ano no vermelho.
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Também conhecido como gratificação natalina, o 13º salário foi criado pela Lei 4.090, de 13 de julho de 1962, durante o governo João Goulart. O benefício é garantido a empregados com carteira assinada, domésticos registrados, trabalhadores rurais e urbanos, além de aposentados e pensionistas e outros beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o país tem 39,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Esse grupo deve receber a primeira parcela do 13º salário até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro.
O valor depositado depende de quanto tempo a pessoa trabalhou no ano. Quem esteve empregado de janeiro a dezembro recebe o 13º integral, equivalente a um salário bruto.
Já quem começou a trabalhar depois de janeiro tem direito a um valor proporcional: divide-se o salário bruto por 12 e multiplica-se o resultado pelo número de meses trabalhados. O depósito chega justamente na época em que as despesas das famílias costumam crescer.
Além de aliviar o orçamento, o 13º movimenta a economia. — Na vida do cidadão, o pagamento traz a oportunidade de quitar dívidas, poupar um pouco ou fazer as compras de fim de ano.
Para as empresas, é um período para compensar eventuais perdas, com mais vendas — afirma Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). Quando vale esperar dezembro
Segundo Woolley, a primeira parcela deve ser usada de imediato apenas por quem tem débitos caros, como fatura do cartão de crédito, cheque especial ou alguma pendência com o banco. Se o valor recebido for suficiente para quitar ou abater essas contas, a recomendação é não adiar.
— Quanto mais tempo essa dívida fica, maiores são os juros, e ela acaba virando uma bola de neve cada vez maior — alerta o economista. Já quem não carrega grandes compromissos financeiros, tem uma boa reserva guardada ou não sentirá diferença imediata com o dinheiro pode aguardar o depósito de dezembro.
Somar as duas parcelas, explica Woolley, amplia as opções de uso, principalmente para quem pretende investir. — Juntando os dois valores, você tem uma margem maior para decidir onde aplicar.
Investir R$ 1.000 é diferente de investir R$ 2.000. Quanto maior o montante, melhor — afirma.
O que deve ser priorizado Entre uma conta que está negativando o CPF e outra com taxa maior, mas em dia, Woolley não hesita: a prioridade é sempre a de juros mais elevados.
Ele orienta o consumidor a ligar para o credor, seja o banco ou outra instituição financeira, e perguntar o valor total devido e a taxa cobrada, independentemente de o nome estar sujo. — Se os juros forem iguais, aí sim você quita primeiro o que está negativando o seu nome, porque isso afeta o score e impede o acesso ao crédito — explica.
Ahmed segue a mesma linha e cita como mais pesados o cartão de crédito, o cheque especial e os empréstimos de curto prazo. — De que adianta pensar em investir para o futuro, projetando ganhos de 10% ao ano acima da inflação, se você está usando o cheque especial, cujos juros passam de 100% ao ano? — questiona o professor.
Por que a segunda parcela vem menor A primeira metade do benefício chega sem nenhum abatimento.
Na segunda, entram a contribuição ao INSS e, quando for o caso, o Imposto de Renda. Os dois são calculados sobre o 13º inteiro e descontados de uma só vez, o que explica a diferença entre os depósitos.
Quem tiver dúvida pode pedir uma simulação ao RH da empresa ou recorrer a calculadoras on-line. O economista Woolley lembra que a nova regra de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil já está valendo, o que pode mudar o valor da segunda parcela.
— Muito provavelmente, quem for receber o 13º agora vai ter um valor a mais, porque o Imposto de Renda não vai incidir. Por isso, planeje sempre com o valor líquido, nunca com o bruto — orienta.
Ahmed ressalta que há ainda a possibilidade de receber parte do benefício antes do fim do ano: — Algumas empresas também permitem antecipar o pagamento durante as férias, caso o funcionário solicite entre janeiro e junho.
Férias e contas de janeiro Quem sai de férias no início de 2027 precisa redobrar o cuidado.
O pagamento cai antes, acrescido de um terço, e passa a sensação de sobra. No mês seguinte, porém, o salário não vem, enquanto boletos continuam chegando.
— Junte 13º e férias num único orçamento. Separe primeiro as contas fixas do mês em que você estará sem salário e só depois pense em viagens e presentes — aconselha Woolley.
O alerta vale também para os gastos típicos do começo do ano, como IPVA, IPTU e material escolar. Para quem tem débitos antigos e sabe que essas despesas virão, o economista defende quitar primeiro o endividamento anterior e montar um novo planejamento para o que está por vir, com uma espécie de poupança forçada.
A reserva de emergência entra nessa conta. Pela fórmula de Woolley, basta somar as despesas fixas e variáveis do mês e multiplicar por seis.
Quem gasta R$ 1.000 mensais, por exemplo, deve mirar uma reserva inicial de R$ 6.000. Hora de fazer o dinheiro render
Quem está com as contas em dia não precisa guardar cada centavo, diz Ahmed. — Não é preciso guardar todo o dinheiro.
Eu sugiro um meio-termo: defina um percentual para a reserva de emergência e outro para o seu consumo — orienta. Com a reserva encaminhada, o professor aponta outros caminhos para multiplicar o abono: começar uma previdência privada, engordar a que já existe ou comprar títulos públicos que acompanham a inflação, ou seja, as mudanças de preços.
Quem não abre mão das compras de Natal deve estabelecer um limite pessoal para os presentes. — Usar o 13º de forma inteligente é uma forma de começar o próximo ano com menos dívidas e mais tranquilidade — lembra Ahmed.
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