O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) propôs a criação de um Batalhão de Operações Especiais (BOPE) 2.0 no estado e criticou o processo de implementação das UPPs. Na sabatina do GLOBO, CBN e Valor Econômico, ele também elencou sua "maior proposta" na área da mobilidade: transformar o projeto da linha 3 do metrô, prometido há décadas pelos gestores do estado, em 70 linhas com "superbarcas". Leia mais: Garotinho desconversa sobre apoio a Lula ou Flávio e deixa voto à Presidência em aberto O GLOBO ELEIÇÕES: Participe da comunidade e saiba tudo sobre as campanhas, debates e sabatina — Esse Bope 2.0 vai ter cinco mil homens, mas, para fazer esse tipo de operação, vamos precisar de 600 a 700 homens dessa força especial. Junto dela, entra a Civil, que faz um mapeamento de locais com armas e drogas. Junto deles entra a tropa social, com programas para jovens, com saúde e educação — disse Garotinho. — Não posso pegar programa estudado e avisar os bandidos. Quem fazia isso era a UPP. Sergio Cabral anunciava: "Dia tal, vamos para Alemão." Os bandidos todos saíam, ninguém ia preso.
O ex-governador também disse que, caso eleito, tem a intenção de criar 70 linhas com "superbarcas". Questionado sobre o custo, Garotinho afirmou que o valor pago será dez vezes menor que a escavação de uma nova linha de metrô. — A maior de todas as propostas [para a viabilidade] é pegar a linha 3 e, em vez de fazer por baixo, serão 70 linhas com "superbarcas" velozes ligando toda a Baixada, e isso vai dar uma mobilidade enorme. Vamos integrar toda a região metropolitana, inclusive a Barra, e custará dez vezes menos do que se fizesse escavação — disse Garotinho. Rejeição minimizada Na sabatina, Garotinho foi questionado sobre o fato de ter deixado o governo do Rio com alta aprovação em sua última passagem, em 2002, e ainda assim aparecer hoje com a maior rejeição do eleitorado. A última pesquisa Quaest para o governo do Rio apontou que 68% dos entrevistados dizem que "conhecem e não votariam" em Garotinho, o maior número entre os demais candidatos. O candidato do Republicanos atribuiu esta rejeição ao noticiário sobre prisões e investigações contra todos os governadores eleitos do Rio nos últimos 30 anos, e disse que isto "dá a impressão de que sou responsável pela ladroagem e pela safadeza que Sérgio Cabral, Pezão e Cláudio Castro fizeram". Segundo Garotinho, suas prisões ocorreram por "equívocos administrativos", e não por "roubo". — Minha prisão não teve nada a ver com o governo do estado. (...) Fiz denúncias à Procuradoria-Geral da República sobre a quadrilha liderada pelo (então governador) Sérgio Cabral. Você há de convir que, batendo de frente com o grupo que eu bati, eu ia ter desgaste. Deveriam explicar por que eu fui preso. Garotinho já foi preso em uma investigação por compra de votos e por supostas irregularidades na construção de casas populares no município de Campos dos Goytacazes quando sua esposa, Rosinha, era prefeita. O ex-governador também foi condenado pela Justiça do Rio por improbidade administrativa por supostos desvios na Secretaria Estadual de Saúde quando Rosinha era governadora, e trava uma batalha jurídica no Tribunal Superior Eleitoral para manter-se candidato neste ano. Na sabatina desta quinta-feira, Garotinho ironizou as sucessivas prisões de que foi alvo e disse que "não chegou a passar quatro dias" detido, porque "entrava e saía no mesmo dia". Cabral e Pezão tiveram condenações e foram presos na Operação Lava-Jato, mas posteriormente foram soltos. Castro foi alvo de três operações da Polícia Federal nos últimos meses por suspeitas de irregularidades em seu governo, e não foi preso. Na sabatina, porém, Garotinho afirmou que Castro também será preso, e disse ter previsto o mesmo em relação aos ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar (União) e Thiago Rangel (Avante), seus adversários políticos em Campos, e que acabaram presos.
O Globo