Galípolo diz que corpo técnico do BC sentiu ‘efetivo luto’ com afastamento de servidores por caso Master

 

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo afirmou nesta terça-feira que o corpo técnico da instituição sente um "efetivo luto" pelo afastamento de dois servidores por suspeitas de colaboração com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Galípolo compareceu à uma sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na manhã desta terça. Ao ser questionado pelo presidente do colegiado Renan Calheiros (MDB-AL) sobre problemas enfrentados na fiscalização bancária, o presidente da autoridade monetária classificou o episódio como "gravíssimo".

— Quero fazer uma fala para não parecer de forma alguma que estou reduzindo o que foi gravíssimo, só a Justiça vai determinar o que aconteceu, que é o afastamento de dois servidores do BC de carreira, um dos fatos mais graves que já aconteceu na história do BC, todo o corpo técnico do BC sente um efetivo luto com o que aconteceu — disse.

Os ex-servidores, Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana são apontados por investigação da Polícia Federal como "colaboradores informais" de Vorcaro, ajudando o banqueiro em comunicações com o BC.

— A Justiça que vai determinar o que ocorreu, mas os indícios em si já foram muito graves, e causaram uma grande sensibilização por parte de todos servidores, eu incluso. Isso integra o que o senador chamou de problemas que tivemos ao longo dos últimos anos — completou o presidente do BC.

À época dos fatos relatados na investigação, Santana e Souza eram, respectivamente, chefe e chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Souza, no entanto, foi diretor de Fiscalização do BC entre 2017 e 2023, sendo substituído por Ailton Aquino, que está na cadeira atualmente.

Tanto Santana como Souza já estavam fora de seus cargos por decisão administrativa do BC em janeiro, no contexto de uma auditoria interna. Em março o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou os afastamentos de cargos públicos.

Limitações na supervisão

Na reunião desta terça, o presidente do BC afirmou que a autoridade monetária brasileira tem menos instrumentos para realizar uma fiscalização bancária de qualidade. Segundo ele, o funcionamento do Pix também impõe dificuldades adicionais para o corpo técnico, que poderiam ser direcionados para vigilância de irregularidades.

— O Brasil tem duas complexidades, a primeira é que eu não tenho a legislação que a maior parte dos bancos tem, é defasada, combina-se a isso o fato de que eu sou basicamente o único banco que tem o sistema 24/7 que funciona com adesão que o Pix funciona. É um sistema mais complexo com menos recursos, o que é altamente complexo para nós.

Ele ainda defendeu que o BC tenha independência financeira para direcionar os seus recursos.

— O segundo começa com a discussão de qual é o arcabouço legal de outros países, e muitas vezes se fala de autonomia, que pode passar a ideia é errada, a intenção é que se preste mais contas ainda ao Congresso e Executivo, mas que você possa deter os recursos que hoje são recursos do BC para isso.