Uma questão de inglês da primeira fase do vestibular da Unicamp 2027, aplicada neste domingo (18), chamou a atenção dos candidatos ao abordar a expressão “gag”, gíria usada nas redes sociais para demonstrar surpresa, espanto ou admiração. Embora a tradução literal de “I'm gagging” seja “estou engasgando”, o sentido informal da expressão é outro: algo como “estou chocado”, “estou passado” ou “estou sem palavras”. Veja vídeo: PM resgata bebê e prende suspeito de violência doméstica após mulher 'pedir pizza' ao 190 em SP ‘Precisa comer fibras, mona’: Veterinário de SP ajuda cobra constipada a fazer cocô e viraliza com blocos duros sobre a mesa No Brasil, o termo foi incorporado à linguagem coloquial em frases como “estou gag”, “fiquei gag” e “gag de la gag”. A questão também menciona outras expressões, como “slay”, equivalente a “arrasou”, e “serve”, usada para indicar que alguém entregou tudo em um visual ou performance. Gíria tem origem na cultura ballroom A popularização de “gag” está ligada à comunidade LGBTQIAPN+, especialmente à cultura ballroom, movimento artístico e político que ganhou força em Nova York nas décadas de 1970 e 1980, com protagonismo de pessoas negras e latinas LGBTQIAPN+. Expressões desse universo passaram a circular nas redes sociais, especialmente no TikTok, e foram incorporadas ao vocabulário de públicos mais amplos. O texto apresentado na prova discute justamente esse processo: como gírias criadas por grupos marginalizados para expressar identidade e pertencimento acabam sendo adotadas por outras comunidades, perdendo parte de sua exclusividade original.
Nas redes sociais, a questão também virou motivo de brincadeira. “Eu gag na prova da Unicamp vendo eles falarem sobre o termo ‘gag’”, escreveu uma internauta. Outra comentou: “A Unicamp dando spoiler na parte de inglês, que eu ia ficar GAG com as questões de matemática”. Veja algumas reações:
Veja a tradução do texto da questão Questão da Unicamp usa a expressão "gag" no texto. Unicamp “Estamos vendo um aumento no uso de palavras e frases como ‘gag’ e ‘I'm gagged’ [estou passado/a, chocado/a, sem palavras], e isso mostra como a linguagem se espalha nas redes sociais: através de garotas brancas e héteros adotando o que pessoas gays e negras estão dizendo. Foi isso que aconteceu com as palavras ‘slay’, ‘serve’ e ‘mother’. Elas vieram da cena ballroom no final dos anos 1980, viralizaram no TikTok e, depois, todo mundo começou a usar. O apelo original dessas palavras era o fato de sinalizarem pertencimento a um grupo restrito (in-group status), mas elas perderam essa exclusividade. É também por isso que a palavra ‘gagged’ está em alta agora: ela sinaliza empolgação queer (...). E ela também vai acabar sendo apropriada, porque estamos em um ciclo sem fim no qual grupos marginalizados criam gírias como uma ferramenta de poder para construir comunidade e uma identidade compartilhada, e depois outras pessoas se apropriam dessas gírias para se aproveitar do seu apelo descolado”.
O Globo