Gabriel Leone e Taylor Swift usam relógios Cartier; especialista explica por que a marca virou símbolo do novo luxo

 

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O pulso virou manifesto de estilo e também um termômetro cultural. Quando Taylor Swift apareceu em registros recentes usando um Cartier Santos Demoiselle em ouro com diamantes — avaliado em cerca de US$ 27 mil no varejo e negociado no mercado de segunda mão por valores próximos de US$ 18 mil — o relógio chamou tanta atenção quanto suas aparições públicas. A cantora foi vista com a peça em momentos como jogos da NFL ao lado de Travis Kelce, em participações midiáticas e em conteúdos compartilhados nas redes, reforçando uma estética elegante e sem excessos.

No cinema, o movimento se repete. Durante o Festival de Cannes, o ator brasileiro Gabriel Leone escolheu um Cartier Santos-Dumont para o tapete vermelho — modelo que, no Brasil, tem preços que variam de aproximadamente R$ 35 mil a mais de R$ 120 mil, dependendo da versão e do material. A escolha, discreta e clássica, ajuda a explicar por que a Cartier deixou de ser apenas uma maison histórica para se tornar um dos principais símbolos do chamado novo luxo.

Esse reposicionamento não acontece apenas sob os holofotes. Ele se reflete de forma clara no mercado de segunda mão, onde a Cartier se consolida como uma das marcas mais desejadas e líquidas da relojoaria contemporânea.

Design atemporal, liquidez global e a leitura de Renan Bastos sobre o novo mercado de usados

Durante décadas, a alta relojoaria esteve associada quase exclusivamente a esportivos em aço e complicações técnicas. Nos últimos anos, porém, o mercado de segunda mão passou a revelar uma mudança consistente de gosto e comportamento. Em meio a esse reposicionamento, a Cartier emergiu como um dos principais termômetros do chamado “novo luxo”, especialmente no mercado de relógios usados.

Dados recentes de plataformas globais de revenda indicam que a procura por modelos clássicos e de perfil mais elegante cresceu de forma consistente, enquanto peças fortemente associadas ao hype perderam tração. Nesse movimento, linhas como Tank, Santos e Panthère passaram a ocupar um espaço central na escolha de colecionadores e compradores mais atentos à estética, à versatilidade e à permanência de valor.

A ascensão da Cartier no mercado secundário

Relatórios de mercado apontam um aumento expressivo da participação da Cartier nas transações de relógios usados ao longo dos últimos anos. Entre compradores mais jovens, a presença da marca avançou de forma relevante, refletindo uma mudança clara no repertório estético desse público. No agregado de todas as faixas etárias, a tendência se repete, indicando que o interesse pela Cartier não se limita a uma geração específica, mas acompanha uma transformação estrutural no consumo de luxo.

Para o especialista Renan Bastos, essa evolução revela um consumidor mais consciente e seletivo.

“A Cartier passou a representar um luxo mais silencioso. É uma marca imediatamente reconhecida, mas que não depende de exagero para afirmar status. Isso conversa diretamente com o momento atual do mercado”, analisa.

Taylor Swift com um Cartier Santos Demoiselle em ouro com diamantes

Reprodução/Instagram

Design atemporal como ativo

Um dos fatores centrais para o bom desempenho da Cartier no mercado de segunda mão é o caráter atemporal de seus designs. Diferentemente de relógios associados a ciclos curtos de moda, modelos como o Tank mantêm proporções, linhas e linguagem estética praticamente inalteradas há décadas, o que reforça sua aceitação contínua em diferentes contextos culturais e sociais.

Indicadores de mercado mostram que o valor médio de um Cartier Tank no mercado secundário gira em torno de US$ 4 mil, com variações relevantes conforme a referência, o material e o estado de conservação. Já o Cartier Santos, especialmente em versões médias e grandes, apresenta valores médios superiores a US$ 6 mil, sustentados por boa liquidez e demanda recorrente.

Segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, essa estabilidade é um diferencial importante no mercado de usados.

“Quando falamos de mercado secundário, liquidez é tão relevante quanto preço. A Cartier entrega os dois porque seus modelos atravessam gerações, estilos e ocasiões sem perder identidade”, afirma.

O novo perfil do comprador de luxo

A força da Cartier no mercado de segunda mão também reflete uma mudança mais ampla no perfil do comprador de alto padrão. Relatórios de consultorias internacionais indicam que o segmento de relógios usados cresce em ritmo superior ao do mercado primário, impulsionado por consumidores que buscam escolhas mais racionais, com maior alinhamento entre estética, uso cotidiano e preservação de valor.

Nesse contexto, o relógio deixa de ser apenas um objeto de desejo imediato e passa a ser avaliado como parte de uma construção de estilo e patrimônio de longo prazo.

“Existe hoje uma valorização maior do relógio que acompanha diferentes momentos da vida. O comprador procura algo que funcione no dia a dia, em ambientes formais e que continue fazendo sentido com o passar dos anos”, observa Renan.

O ator Gabriel Leone com um Cartier Santos-Dumont

Divulgação

Cartier como ativo cultural

Mais do que uma simples mudança de preferência, o desempenho da Cartier no mercado de segunda mão aponta para uma redefinição do próprio conceito de valor no luxo. O relógio passa a ser entendido como um ativo cultural, carregado de história, design e reconhecimento global — atributos que sustentam sua relevância mesmo em ciclos de ajuste do mercado.

Enquanto segmentos mais especulativos enfrentam maior volatilidade, marcas com narrativa sólida e estética duradoura tendem a se destacar naturalmente. Nesse cenário, a Cartier se consolida como um dos exemplos mais claros dessa transição.

“O mercado ficou mais seletivo e mais maduro. Nesse ambiente, marcas que conseguem unir tradição, design e coerência de valor acabam ocupando um espaço privilegiado”, conclui Renan Bastos.

Um novo equilíbrio no mercado de usados

A consolidação da Cartier no mercado secundário faz parte de um movimento mais amplo de racionalização do luxo. O crescimento do pre-owned não está ligado apenas a preço, mas à busca por escolhas mais conscientes e alinhadas ao longo prazo.

À medida que o mercado evolui, a Cartier se firma como uma das protagonistas do novo luxo, mostrando como tradição, design atemporal e liquidez global podem caminhar juntos em um setor cada vez mais exigente.

O especialista Renan da Rocha Gomes Bastos

Divulgação