O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 3 de novembro uma audiência pública para discutir os impactos da medida provisória que proibiu as empresas de apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como bets, de operar no Brasil. O encontro está previsto para as 10h, na sala de sessões da Segunda Turma da Corte, e contará com representantes do governo federal, entidades empresariais, associações do setor e dirigentes do futebol.
A discussão ocorre após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva editar, em 25 de setembro, uma medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas em território nacional. A decisão provocou reação de organizações ligadas ao mercado, que recorreram ao Supremo para questionar a validade da medida e pedir a suspensão de seus efeitos.
A audiência foi convocada no contexto de ações que contestam a proibição e levantam questões sobre a segurança jurídica, os efeitos econômicos da decisão e os impactos para empresas que haviam investido no país sob as regras anteriores. O tema também envolve o financiamento do esporte, já que as casas de apostas mantinham contratos de patrocínio com clubes, competições e outros agentes do futebol brasileiro.
Entre os participantes previstos estão a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério da Fazenda, a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Também foram incluídas entidades ligadas ao mercado de apostas, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
O futebol terá participação expressiva no encontro. Foram convocados representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A presença dos clubes permitirá discutir os efeitos da restrição sobre contratos comerciais e fontes de receita relacionadas ao setor de apostas. As entidades contrárias à proibição argumentam que a interrupção das atividades compromete a segurança jurídica e pode provocar perdas financeiras para empresas que investiram no mercado brasileiro após a regulamentação das apostas.
Os questionamentos também envolvem o uso de uma medida provisória para interromper as operações, em vez de aguardar a tramitação legislativa sobre o tema. Por outro lado, o governo federal defende a manutenção da medida e justifica a proibição com os impactos sociais associados às apostas on-line, especialmente o endividamento das famílias e os problemas relacionados ao vício em jogos.
A AGU solicitou ao Supremo que a restrição permaneça em vigor enquanto as ações são analisadas. A medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar produzindo efeitos de forma permanente.
Segundo o Correio Braziliense, o prazo previsto para a análise termina em 23 de novembro. Caso não seja aprovada dentro do período estabelecido, a norma perde a validade, o que aumenta a importância da discussão sobre os efeitos jurídicos e econômicos da proibição.
A audiência de 3 de novembro deverá reunir as diferentes partes envolvidas para apresentar informações sobre as consequências da medida e subsidiar a análise das ações sob relatoria de Fux. O encontro, contudo, não representa por si só uma decisão definitiva sobre a continuidade ou a retomada das atividades das casas de apostas no país.
Diario do poder