Funeral de general condenado pelo Massacre de Srbrenica atrai multidão na Sérvia e provoca indignação na UE

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Uma multidão prestou homenagem nesta segunda-feira diante do caixão do ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, condenado por genocídio, crimes de guerra e declarado culpado por seu papel no Massacre de Srebrenica, em julho de 1995 — a pior matança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que custou a vida de quase 8 mil homens e adolescentes muçulmanos. O polêmico funeral, realizado em Belgrado, provocou indignação na comunidade internacional. Ratko Mladić: Sanguinário 'açougueiro da Bósnia', morre aos 84 anos Quer morar fora? Guia reúne informações sobre 36 países Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Mladic faleceu no fim de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda, onde cumpria uma pena de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia, na década de 1990. Muitos simpatizantes do dirigente, que a imprensa internacional chamava de "açougueiro dos Bálcãs" e "açogueiro da Bósnia", reuniram-se na igreja ortodoxa de São Lucas, na capital sérvia, desde as primeiras horas da manhã. Muitos dos presentes beijaram o caixão fechado de Mladic, enquanto militares ficaram posicionados ao lado e sacerdotes ortodoxos recitavam orações. A polícia fechou ruas próximas à igreja devido à quantidade de pessoas, incluindo muitos veteranos sérvios do conflito da década de 1990. Bandeiras sérvias foram penduradas nas imediações e uma grande faixa estendida sobre a rua afirma: "Bem-vindo, general. Obrigado à sua mãe por ter dado à luz a um herói, para que a glória da Grande Sérvia possa retornar". Multidão acompanha funeral de Ratko Madlic em Belgrado Oliver Bunic/AFP — Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional — declarou à AFP uma aposentada, Radojka Visic, que viajou da entidade sérvia da Bósnia, a chamada Republika Srpska. Nesta segunda-feira, um porta-voz da União Europeia (UE) afirmou que a "glorificação de criminosos de guerra, negacionistas do genocídio ou revisionistas contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem espaço na UE ou em países candidatos" à adesão ao bloco. A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancelou na sexta-feira uma visita prevista à Sérvia para 9 de setembro. Ela explicou que "a glorificação em torno da morte" de Mladic era "incompatível com os valores sobre os quais a UE foi construída". A guerra de 1992-1995 na Bósnia deixou quase 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados. Mladic foi declarado culpado de genocídio, mas passou 16 anos foragido, antes de ser capturado em 26 de maio de 2011 na vila de Lazarevo, perto de Zrenjanin, no norte da Sérvia. A condenação oficial pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) acontece em 2017. Massacre de Srbrenica Em julho de 1995, diante de câmeras de vídeo, os guardas de Mladic distribuíram doces para crianças bósnias. "Ninguém vai se machucar", disse o general a mulheres e crianças aterrorizadas, dando um tapinha na cabeça de um menino. Naquele momento, seus soldados se preparavam para realizar os assassinatos em massa. Após o massacre, a indignação nos EUA e na Europa levou a uma campanha de bombardeios da Otan que derrotou as forças sérvias da Bósnia e resultou nos Acordos de Dayton, que puseram fim à Guerra da Bósnia, em dezembro de 1995. Abalada pelas ações do pai durante a guerras, a filha de Madlic, Ana, estudante de medicina então com 23 anos, tirou a própria vida em 1994, com uma pistola militar que era de grande valor para ele.

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