Funcionária de banco que sofreu ataque hacker e operação da PF é presa por suspeita de desvio de quase R$ 2 milhões

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Fonte da notícia: Valor Valor

Uma analista financeira foi presa em flagrante na quarta-feira (14), suspeita de desviar quase R$ 2 milhões da BMP, instituição financeira onde trabalhava, na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo a Polícia Civil, os recursos eram transferidos para uma empresa em nome da funcionária e para uma conta bancária de sua mãe.

De acordo com as investigações, cerca de R$ 1 milhão teria sido transferido para a empresa da suspeita e outros R$ 900 mil, para a conta da mãe. No dia da prisão, a polícia identificou ainda três transferências não autorizadas, que somaram mais de R$ 25 mil.

A suspeita passou a chamar a atenção da diretoria da BMP no fim de agosto, depois de publicar nas redes sociais imagens de um padrão de vida considerado incompatível com sua renda. A instituição iniciou uma apuração interna e constatou que a funcionária havia recebido acesso operacional para movimentar valores em maio de 2025. Até então, ela tinha autorização apenas para consultar contas.

Segundo a Polícia Civil, a analista teria se aproveitado de uma conta do banco destinada ao recebimento de recursos de operações com cartão de crédito. Após identificar novas transferências, a BMP acionou as autoridades. A funcionária foi levada à delegacia e presa em flagrante, suspeita de furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança. Dois celulares foram apreendidos.

A Polícia Civil informou que solicitará o bloqueio das contas bancárias da investigada e de sua mãe, com o objetivo de possibilitar a recuperação dos valores desviados. Também pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva, sob o argumento de evitar a repetição da conduta. A investigação prossegue para apurar se outras pessoas participaram do esquema.

Em nota, a BMP confirma que “identificou internamente movimentações financeiras irregulares e adotou prontamente as medidas cabíveis para apuração dos fatos, incluindo a colaboração com as autoridades competentes”. “A segurança das operações é prioridade absoluta da BMP. A identificação interna da irregularidade demonstra a efetividade de seus mecanismos de monitoramento e controle, continuamente aprimorados para garantir a proteção e a confiança de seus clientes e parceiros”, afirmou.

“A BMP investe continuamente no aprimoramento de seus sistemas, mecanismos de monitoramento, controles internos e processos de prevenção a fraudes, reforçando seu compromisso com a segurança e a transparência. A instituição segue colaborando com as investigações e permanece comprometida com os mais elevados padrões de governança e segurança”, acrescenta.

A BMP esteve entre as instituições afetadas, em 2025, pelo ataque hacker à C&M, provedora de serviços de tecnologia da informação (PSTI) que conecta instituições financeiras ao sistema Pix. Do total de R$ 813 milhões desviados de clientes da provedora no episódio, R$ 541 milhões correspondiam a recursos da BMP.

Neste ano, a instituição voltou aos holofotes ao ser alvo da Operação Cliente Fantasma, da Polícia Federal (PF), que investigou suspeitas de facilitação de lavagem de dinheiro, incluindo a circulação de recursos relacionados a organizações criminosas. Segundo informações divulgadas pela PF na ocasião, as apurações indicavam que a instituição permitia movimentações financeiras sem a identificação adequada dos usuários. Com isso, clientes permaneceriam “invisíveis” aos órgãos de controle.

A BMP atua nos segmentos de crédito e de Banking as a Service (BaaS), modelo pelo qual uma instituição (prestadora) regulada pelo Banco Central (BC) oferece serviços financeiros e de pagamentos para que outras empresas (tomadoras) os disponibilizem a seus clientes.

A companhia iniciou suas atividades em 1999, com a plataforma de financiamento de veículos Credicarro.com.br. Em 2009, tornou-se instituição financeira autorizada pelo BC, inicialmente com licença de sociedade de crédito ao microempreendedor e à empresa de pequeno porte. Posteriormente, obteve também autorização para operar como sociedade de crédito direto (SCD). Viaturas da Polícia Civil de São Paulo Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP

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