Fuga de Flávio Bolsonaro teve ex-agente do Mossad, apoio da Argentina e jato particular

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos contou com a participação de um ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, apoio de pessoas ligadas ao governo argentino e uma estrutura logística que incluiu duas vans e uma aeronave particular.

A informação consta em reportagem do jornalista Elijonas Maia, publicada pela CNN Brasil, com base em registros de câmeras de segurança e dados obtidos junto a três órgãos brasileiros.  Um dos elementos identificados pelas autoridades é a presença de um ex-integrante do Mossad, serviço de inteligência de Israel, país que teve o seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu denunciado na Corte Internacional de Justiça (CIJ) pelo crime de genocídio na Faixa de Gaza, território palestino.

O homem, de nacionalidade israelense e naturalizado norte-americano, desembarcou no Brasil em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com os registros obtidos pelos investigadores, o ex-agente acompanhou Flávio Bolsonaro no deslocamento de Brasília até a Argentina.

Ele também estava no mesmo veículo que transportou o senador pela fronteira na terça-feira (27). A participação do ex-integrante do serviço de inteligência israelense reforçou a hipótese de que o deslocamento exigiu preparação anterior ao resultado das eleições.

Membros do governo do presidente argentino Javier Milei teriam prestado auxílio ao parlamentar após sua entrada no país vizinho. As informações integram a apuração brasileira sobre a possível participação de agentes estrangeiros na operação.

O parlamentar da extrema direita fugiu do Brasil em um contexto de investigações. Existem dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem o senador.

A primeira examina suspeitas de irregularidades na obtenção de recursos destinados à produção de Dark Horse, filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por envolvimento na trama golpista. O segundo inquérito investiga possíveis operações de lavagem de dinheiro por meio de transações financeiras com empresas do ramo de apostas vinculadas ao advogado Willer Tomaz, que mantém uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro.

Duas vans cruzaram a fronteira com a Argentina Investigadores identificaram dois veículos utilizados para transportar Flávio Bolsonaro e seus familiares pela Ponte Tancredo Neves, também conhecida como Ponte Internacional da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

Câmeras de segurança registraram a travessia dos automóveis sobre o Rio Iguaçu em 27 de outubro. A identificação das placas permitiu às autoridades reconstruir parte do trajeto percorrido pelo senador e sua família.

Os veículos tinham placas TBB 4A65 e FDF 8F91, segundo a CNN. Os investigadores também identificaram os responsáveis pela condução das vans, que não precisaram apresentar passaportes para retornar ao país de origem.

Um ex-vereador de Foz do Iguaçu dirigiu o veículo que transportou Flávio Bolsonaro. O outro motorista, filho do primeiro, conduziu separadamente a esposa do senador e suas duas filhas.

O deslocamento em veículos distintos integra os elementos analisados pelas autoridades para compreender como os envolvidos organizaram a saída do Brasil e evitaram os controles migratórios que poderiam impedir a viagem do parlamentar. Jato argentino levou família Bolsonaro até Miami

Depois de cruzar a fronteira terrestre, Flávio Bolsonaro e seus familiares seguiram para os Estados Unidos em uma aeronave executiva Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. A empresa argentina Baires Fly, especializada em fretamento aéreo, operou o voo que partiu de Puerto Iguazú.

O avião fez uma escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida. A aeronave pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, por volta das 10h30 de quarta-feira (28).

O trajeto internacional evitou o espaço aéreo brasileiro, acrescentando mais um elemento à investigação sobre o planejamento do deslocamento. Segundo reportagem do jornal norte-americano The New York Times, o estrategista político Jason Miller, aliado do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria providenciado o avião utilizado pela família Bolsonaro.

Autoridades suspeitam de operação internacional planejada A investigação brasileira examina se pessoas ligadas a governos estrangeiros colaboraram para viabilizar a saída do senador, que deixou o país após descumprir uma determinação judicial.

Fontes do governo brasileiro classificaram o episódio como uma operação de “exfiltração”, expressão utilizada para descrever a retirada planejada e não autorizada de pessoas ou informações de uma área protegida. Os investigadores avaliam que a estrutura utilizada não corresponde a uma decisão improvisada após o resultado eleitoral.

A chegada antecipada do ex-agente do Mossad, o transporte terrestre e a disponibilidade do jato argentino são elementos que sustentam essa avaliação. Outro aspecto examinado pelas autoridades é a circulação de informações contraditórias sobre o paradeiro do senador.

Segundo fontes de três órgãos brasileiros, essas mensagens teriam integrado uma estratégia para concentrar a atenção em determinados locais enquanto Flávio seguia por outro caminho. As autoridades brasileiras ainda analisam a extensão da participação de agentes estrangeiros e as circunstâncias que permitiram ao parlamentar atravessar a fronteira e chegar aos Estados Unidos.

PF avalia bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro A Polícia Federal considera solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e contas bancárias de Flávio Bolsonaro como parte das medidas relacionadas à investigação de sua saída do Brasil.

A eventual solicitação dependerá da avaliação dos investigadores e de decisão judicial. A corporação também trabalha na identificação das pessoas que participaram do planejamento e da execução do deslocamento.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública aguarda um relatório da PF sobre as circunstâncias da fuga e o descumprimento da ordem judicial pelo senador. Com base nesse documento, a pasta deverá examinar a possibilidade de utilizar mecanismos oficiais de cooperação internacional para tratar do caso com autoridades estrangeiras.

A investigação busca esclarecer a participação dos envolvidos na chamada “operação Alba”, identificar possíveis responsabilidades e determinar como Flávio Bolsonaro conseguiu deixar o território brasileiro, chegar à Argentina e ingressar nos Estados Unidos apesar das restrições judiciais.

Golpismo de Flávio Bolsonaro Além de fugir do Brasil, o senador resolveu questionar a confiança do sistema eleitoral brasileiro e sugeriu que houve fraudes na eleição presidencial brasileira.

Em carta golpista, Flávio Bolsonaro se autodeclarou presidente do Brasil, mas foi derrotado pelo presidente Lula (PT) no último domingo (25). O petista conseguiu 51,79% dos votos contra 48,21% do parlamentar.

Em números absolutos, foram 64,2 milhões de votos no petista e 59,8 milhões no senador. Condenações por ações golpistas têm marcado a atuação de políticos bolsonaristas nos últimos anos.

Ministros do STF condenaram Jair Bolsonaro (PL) e outras 28 pessoas no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. A Corte também impôs condenações a mais de 1,4 mil envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A atuação do bolsonarismo contra as instituições também se manifestou por meio de ataques à credibilidade do sistema de Justiça. Membros da extrema direita mantiveram uma campanha de questionamentos ao Judiciário brasileiro, buscando disseminar a percepção de que os tribunais agem com motivações partidárias, apresentam falhas e direcionam suas decisões contra representantes da extrema direita.

Essa estratégia também alcançou o sistema eleitoral. Em 21 de julho de 2026, durante uma reunião com diplomatas em Brasília (DF), o senador Flávio Bolsonaro colocou em dúvida a confiabilidade das eleições brasileiras ao estabelecer uma associação entre as urnas eletrônicas utilizadas no país e os equipamentos da empresa Smartmatic.

O parlamentar sustentou que um documento da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) indicaria o envolvimento da companhia em um suposto esquema de manipulação das eleições venezuelanas de 2012, atribuído ao governo daquele país. “Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa.

Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, disse.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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