Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA revolta militares e fortalece Tarcísio como nome da caserna para 2030

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fugir do Brasil rumo aos Estados Unidos após sua derrota na eleição presidencial de 2026 provocou forte insatisfação entre integrantes das Forças Armadas e acelerou a aproximação de setores militares com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O movimento fortalece a perspectiva de uma candidatura do ex-capitão do Exército à Presidência da República em 2030, em meio ao desgaste da família Bolsonaro na caserna. Segundo a Folha de São Paulo, integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, incluindo ex-comandantes e oficiais que atuaram em diferentes governos, avaliam que a fuga de Flávio foi interpretada como uma demonstração de deslealdade aos milhões de eleitores que apoiaram sua candidatura.

Todos os entrevistados criticaram a atitude do senador, que deixou o país sem reconhecer a derrota eleitoral e divulgou uma carta de contestação ao resultado. A insatisfação é particularmente significativa porque a chamada família militar, formada por integrantes da ativa, da reserva, reformados e seus familiares, havia apoiado maciçamente Flávio Bolsonaro na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mesmo entre oficiais que já manifestavam reservas ao bolsonarismo, o antipetismo prevaleceu durante a campanha. Um oficial-general que trabalhou no Congresso Nacional e em diferentes governos comparou a saída de Flávio à atitude de um comandante que abandona seus subordinados.

Na avaliação relatada à Folha, deixar o país sem prestar esclarecimentos aos eleitores representa uma conduta incompatível com os valores militares. Outro oficial afirmou que a rejeição ao comportamento do candidato derrotado ultrapassa divergências políticas e envolve princípios como caráter, honra, lealdade e gratidão.

Um terceiro entrevistado considerou que a tentativa de Flávio de apresentar sua saída como consequência de perseguição política não foi suficiente para superar a decepção provocada pelo episódio. A mudança de disposição foi sintetizada por um ex-comandante de uma das Forças Armadas, que defendeu uma postura de conciliação do governo Lula e resumiu as preferências políticas que começam a ganhar espaço entre seus antigos colegas: “Menos Janja, mais Alckmin.

Menos Bolsonaro, mais Tarcísio”. O mesmo militar declarou esperar que Lula tenha a “sabedoria de tentar pacificar o país”.

Tarcísio ganha força como alternativa ao bolsonarismo O desgaste de Flávio Bolsonaro coincide com os primeiros sinais de distanciamento político de Tarcísio de Freitas em relação à família Bolsonaro.

Reeleito governador de São Paulo, ele admitiu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, considerar uma candidatura presidencial ao término de seu segundo mandato, em 2030.

A declaração foi recebida favoravelmente por militares que já enxergavam Tarcísio como o nome mais preparado da direita para disputar o Palácio do Planalto. Além da afinidade ideológica com setores conservadores das Forças Armadas, o governador reúne características consideradas importantes pelos oficiais consultados: experiência administrativa, passagem por diferentes governos federais e trajetória profissional ligada ao Exército.

Tarcísio atuou nas administrações de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), de quem foi ministro da Infraestrutura. Sua experiência à frente do governo do estado mais populoso e economicamente mais importante do país também é apontada como um diferencial para uma eventual disputa nacional.

Entretanto, o principal fator de identificação entre Tarcísio e os militares é sua formação nas instituições do Exército. O governador estudou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e no Instituto Militar de Engenharia (IME), além de ter participado da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, a Minustah, em uma companhia de engenharia.

Um coronel recentemente transferido para a reserva destacou as diferenças entre a trajetória militar de Tarcísio e a de Jair Bolsonaro. Segundo o oficial, enquanto o ex-mandatário deixou o Exército em circunstâncias controversas, após enfrentar a possibilidade de expulsão, Tarcísio construiu uma carreira reconhecida e passou ao serviço público civil por meio de concurso.

Na comparação feita pelo coronel, Bolsonaro “saiu pela porta dos fundos, o Tarcísio saiu pela porta da frente, passando em concurso público”. Para esse militar, a formação técnica e a experiência operacional do governador estabelecem vínculos mais sólidos com o Exército do que aqueles mantidos por Bolsonaro e seus filhos.

Militares apostam em rompimento entre Tarcísio e o clã Bolsonaro Embora tenha ingressado na política nacional com o apoio de Jair Bolsonaro e evitado confrontos públicos com seu padrinho político, Tarcísio é visto por parte dos oficiais como alguém capaz de construir um projeto presidencial independente.

A expectativa entre os entrevistados é que uma eventual ruptura se concretize durante a preparação para as eleições de 2030. Nesse cenário, os militares mais identificados com a ala radical do bolsonarismo tenderiam a permanecer fiéis à família do ex-mandatário.

A avaliação predominante entre as fontes ouvidas pela Folha, porém, é que a maior parte dos militares acompanharia Tarcísio. O movimento representa uma mudança em relação ao comportamento observado durante a campanha de 2026, quando o apoio a Flávio Bolsonaro permaneceu elevado mesmo entre oficiais que criticavam a atuação política de seu pai.

A rejeição ao PT e a insatisfação com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) foram fatores determinantes para essa adesão. Julgamento da trama golpista mantém tensão na caserna

A atuação do STF nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos ataques de 8 de janeiro de 2023 continua sendo um dos principais motivos de descontentamento entre integrantes das Forças Armadas. Segundo a reportagem, militares entrevistados consideram que o julgamento da trama golpista teve um tratamento desfavorável aos acusados e questionam a proporcionalidade das condenações.

Parte dos oficiais sustenta que os acontecimentos de 8 de janeiro deveriam ser classificados como uma “baderna”, em comparação com episódios de depredação promovidos por movimentos sociais de esquerda em Brasília. Essa interpretação, contudo, contrasta com as conclusões do STF sobre a tentativa de ruptura institucional.

Mesmo entre militares que reconhecem a necessidade de responsabilização dos envolvidos na articulação golpista, há críticas à dosimetria das penas aplicadas. Dos 29 condenados pelo Supremo no processo principal da trama golpista, 21 são integrantes das Forças Armadas.

Dois deles tiveram suas penas substituídas por multas. Também foram condenados cinco coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal por omissão durante os ataques às sedes dos Três Poderes.

As condenações ampliaram o desgaste institucional das Forças Armadas e estimularam iniciativas destinadas a reduzir sua participação direta em disputas político-partidárias. Aproximação com José Múcio reforça imagem de moderação

Outro sinal valorizado pelos militares foi o reconhecimento público de Tarcísio ao trabalho do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Na entrevista ao Estado de São Paulo, o governador elogiou a atuação do ministro, que mantém boa interlocução com os comandantes militares e tem buscado reduzir as tensões entre o governo federal e as Forças Armadas.

Múcio e os atuais comandantes trabalham para restringir manifestações políticas de militares da ativa e desencorajar sua participação em disputas eleitorais. Apesar desses esforços, a presença de integrantes das instituições militares e das forças de segurança na política permanece expressiva.

Levantamento da Folha apontou que o número de militares e policiais eleitos em 2026, incluindo integrantes da reserva e reformados, voltou a crescer e alcançou o patamar recorde registrado durante a ascensão de Jair Bolsonaro. Enquanto isso, permanece sem avanço no Congresso Nacional a proposta de emenda à Constituição que determina a transferência automática para a reserva de militares da ativa das Forças Armadas que registrarem candidaturas eleitorais.

A medida enfrenta resistência dentro da caserna. A perspectiva de fortalecimento de Tarcísio também ocorre em um ambiente no qual alguns oficiais reconhecem os dois primeiros governos Lula como um período favorável às Forças Armadas, especialmente pela disponibilidade de recursos para investimentos estratégicos.

Esse reconhecimento, entretanto, não foi suficiente para alterar o apoio eleitoral de grande parte dos militares a Flávio Bolsonaro em 2026. Agora, a saída do candidato derrotado para os Estados Unidos e sua recusa em reconhecer o resultado eleitoral introduziram um novo elemento nessa relação.

Para os oficiais consultados pela Folha, o episódio enfraqueceu a confiança na liderança da família Bolsonaro e abriu espaço para que Tarcísio se consolide como alternativa presidencial no campo conservador.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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