A Thales, maior companhia de tecnologia de defesa da Europa, defendeu nesta quinta-feira (17) a criação de uma estrutura internacional para regulamentar o desenvolvimento da inteligência artificial.
Durante uma apresentação de tecnologias de combate, em meio ao debate sobre a velocidade do desenvolvimento da inteligência artificial, o diretor-presidente Patrice Caine afirmou a jornalistas que as máquinas podem ser mantidas sob controle por meio de salvaguardas técnicas adequadas, apoiadas pela supervisão dos governos.
“Estou convencido de que temos os meios e as ferramentas para manter a inteligência artificial sob controle. Não se trata de um debate técnico; a questão está nas mãos dos governos”, afirmou Caine a jornalistas.
Leia mais: Amazon entra em discussão sobre segurança da IA e defende ‘testes rigorosos’ OpenAI tem seis incidentes ‘preocupantes’, mas ações de IA continuam em alta Jovens gênios da IA planejam mudar o mundo dos negócios “O mundo precisa de uma estrutura adequada que complemente essas garantias técnicas”, disse.
O apelo por regulamentação foi feito um dia depois de o ministro das Finanças, Roland Lescure, defender que a França e a Europa acelerem o desenvolvimento da inteligência artificial para evitar a dependência de fornecedores dos Estados Unidos, em meio a um debate mais amplo sobre a necessidade de mais mecanismos de proteção para a tecnologia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou os apelos de Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, e de outros executivos do Vale do Silício para desacelerar o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial.
A inteligência artificial desempenha um papel cada vez mais importante no campo de batalha, analisando dados de imagens captadas por drones e satélites para identificar alvos e ajudar os comandantes a tomar decisões com maior rapidez.
Livre das regras americanas de exportação de armamentos Empresas europeias estão promovendo seus próprios programas de comando e controle baseados em inteligência artificial depois que a Organização do Tratado do Atlântico Norte escolheu o Maven Smart System, da gigante americana de análise de dados Palantir Technologies, para suas operações de comando.
Segundo analistas, a França e outros países europeus estão preocupados com a forma como essas empresas podem utilizar e armazenar seus dados, além da possibilidade de Washington interromper o acesso à tecnologia.
A Palantir não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Thales descreveu seu próprio sistema de comando e controle baseado em inteligência artificial, chamado Hexaforce, como uma solução “soberana” e livre das restrições americanas previstas pelas Regras sobre o Tráfico Internacional de Armas.
Na Alemanha, o governo de Berlim está avaliando 30 ferramentas de inteligência artificial depois que as Forças Armadas do país descartaram, por enquanto, o uso do Maven, segundo o jornal Handelsblatt.
“A batalha está apenas começando”, afirmou Caine ao ser questionado sobre o mercado para esses sistemas. No entanto, ele evitou entrar em um confronto público direto com a Palantir, cujos sistemas, segundo especialistas, precisariam continuar interligados aos da Thales.
“Não pronunciamos a palavra Palantir desde o início — foram vocês que a mencionaram”, afirmou, ao ser questionado sobre a empresa cofundada pelo bilionário Peter Thiel, cujo crescimento provocou um debate na Europa sobre a dependência da tecnologia americana.
“A solução fornecida pela Palantir atende a uma parcela muito pequena das necessidades da Organização do Tratado do Atlântico Norte”, afirmou Caine.
Outras empresas francesas que trabalham com sistemas de comando e controle incluem as startups Mistral AI e Comand AI.
Patrice Caine, presidente global do grupo Thales Divulgação/Thales
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