França quer que Stellantis e Renault priorizem fornecedores locais em meio ao avanço de fabricantes chineses

 

Fonte:


A França quer que a Stellantis e a Renault deem preferência a fornecedores locais de peças para proteger empregos e manter o conhecimento técnico na região, à medida que as montadoras europeias aprofundam os laços com fabricantes da China.

Risco de 'efeito cascata': Combustível sobe mesmo com subsídio, puxa inflação e vira obstáculo para corte de juro

SpaceX, OpenAI e Anthropic se preparam para uma estreia histórica em Wall Street; veja lista com os 10 maiores IPOs

As duas montadoras “devem fazer sua parte na preferência europeia, inclusive em termos de compras junto a seus fornecedores”, disse o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, em entrevista publicada na edição de 17 de maio do La Tribune Dimanche. “A soberania industrial deve ser uma batalha coletiva.”

O governo do presidente Emmanuel Macron há tempos apoia regras que favorecem a produção local para carros elétricos, enquanto Bruxelas trabalha em uma nova regulamentação para a indústria automotiva. Enquanto isso, montadoras chinesas tentam contornar as tarifas de importação da União Europeia (UE) e regulações mais rígidas ao construir novas fábricas no continente ou acessar fábricas existentes que estão subutilizadas.

A Stellantis está na linha de frente desse movimento, como parte de uma ampla reestruturação de suas operações. A iniciativa levou a acordos com duas parceiras chinesas, incluindo um com a Zhejiang Leapmotor Technology, que dará à companhia acesso a uma fábrica na Espanha. As duas empresas também afirmaram que irão ampliar as compras conjuntas.

Leia também: Venezuela negocia contratos para parcerias com petroleiras internacionais, diz agência

Mais acordos devem ser fechados para outras fábricas da Stellantis na Europa que operam abaixo da capacidade, afirmou no início deste mês o sindicato francês Force Ouvrière, citando possíveis riscos para empregos na engenharia e para a cadeia local de fornecedores.

A Renault, na qual o governo francês detém uma participação de 15%, afirmou anteriormente que não tem capacidade ociosa para rivais chinesas. Ainda assim, o presidente-executivo, François Provost, tem recorrido cada vez mais a fornecedores chineses para reduzir o custo de seus veículos.

Como a Anthropic se tornou a principal empresa de IA do mundo: entenda em cinco gráficos

A Volkswagen também sinalizou abertura para compartilhar suas fábricas europeias com fabricantes chineses, enquanto a montadora alemã tenta cortar custos de produção e e simplificar processos. BYD e Xpeng estão entre as empresas chinesas que disseram estar de olho em fábricas na região.

Em uma entrevista à emissora France 3 neste domingo, Lescure disse estar otimista de que a transição verde continuará gerando empregos na França.

— As fábricas estão reabrindo na França — afirmou. — Talvez não no ritmo que gostaríamos, mas estão reabrindo.