França avalia ajuda direcionada para combustíveis após guerra no Irã elevar custos
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, pediu aos ministros que preparassem medidas para ajudar pessoas que dependem de carros, após os preços dos combustíveis dispararem devido à guerra no Irã.
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— Embora eu não acredite em distribuir bilhões de forma indiscriminada, sou a favor de ajuda direcionada — disse ele na quinta-feira, durante uma coletiva de imprensa em Bordeaux.
O governo já anunciou subsídios muito limitados para combustíveis em alguns setores, como transporte rodoviário e pesca, além da ampliação da distribuição de auxílio energético para famílias de baixa renda. Mas até agora evitou medidas mais amplas e custosas, depois que gastos generalizados em 2022 contribuíram para ampliar um déficit orçamentário que o país ainda tenta reduzir.
Lecornu afirmou que qualquer subsídio será implementado de forma mensal, para permitir que o governo se adapte rapidamente e controle os custos.
— Não vamos abandonar ninguém, mas não vamos gastar dinheiro que não temos — disse.
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Parlamentares da oposição, incluindo a líder de extrema direita Marine Le Pen, pediram cortes acentuados nos impostos sobre gasolina e diesel e acusaram o Estado de lucrar com o aumento da arrecadação à medida que os preços sobem.
O ministro do Orçamento, David Amiel, afirmou na sexta-feira que o Estado recebeu cerca de €120 milhões adicionais em receita de imposto sobre vendas de combustíveis, enquanto uma taxa sobre volumes arrecadou €130 milhões a mais do que o esperado, após motoristas correrem para abastecer no início de março diante do temor de escassez devido ao conflito no Oriente Médio.
Ele acrescentou, porém, que o governo estima que a ajuda direcionada já anunciada totaliza cerca de €130 milhões e que o aumento dos rendimentos dos títulos elevará os custos de financiamento da dívida em 2026 em cerca de €3,6 bilhões.
“Há todos os motivos para temer que a possível receita extra para o Estado some milhões, enquanto o custo da crise some bilhões”, disse Amiel à rádio Franceinfo.
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Além de reiterar que qualquer nova ajuda será direcionada, o ministro do Orçamento afirmou que cada euro de novo gasto será compensado por cortes em outras áreas.
Governos ao redor do mundo têm adotado uma combinação de subsídios, cortes de impostos e intervenções diretas para conter o impacto da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio. Países europeus como Espanha e Portugal ampliaram auxílios e reduziram tributos, enquanto na Ásia economias como Coreia do Sul e China recorreram a controle de preços e apoio fiscal a empresas e consumidores.
Em mercados emergentes, como Bangladesh e Tanzânia, as medidas incluem racionamento e maior intervenção estatal na oferta, refletindo uma resposta global diversificada diante da pressão sobre energia e custos logísticos.
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