Fotos antigas de Ana Castela viralizam: o que pode explicar as diferenças na aparência

Fotos antigas de Ana Castela viralizam: o que pode explicar as diferenças na aparência - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um vídeo antigo de Ana Castela voltou a circular nas redes sociais e colocou em evidência uma questão recorrente quando imagens de celebridades de diferentes fases da vida são resgatadas: o quanto uma pessoa pode mudar visualmente ao longo dos anos sem que seja possível atribuir essas diferenças a um procedimento estético. O registro mostra a cantora ainda muito jovem, antes da projeção nacional que alcançaria a partir de 2022, e acabou sendo colocado lado a lado com registros mais recentes. Ana Castela além da 'boiadeira': como a cantora transformou seu estilo em marca registrada 'Orelhas de abano': o que leva alguém a pensar em mudar a aparência? Entenda a partir do relato de Ana Castela A partir daí, internautas passaram a observar detalhes como contorno facial, lábios, nariz e sobrancelhas. A prática não é nova nas redes, onde fotografias antigas costumam ser usadas como ponto de partida para especulações sobre possíveis intervenções. O problema é que imagens, isoladamente, não permitem determinar o que provocou uma alteração na aparência. Ana Castela é comparada com registros antigos: o que pode explicar as diferenças na aparência Reprodução Instagram Para o cirurgião plástico Marco Cassol, há um aspecto básico que costuma ser deixado de lado nessas análises: o rosto não permanece igual ao longo da vida. "Quando colocamos lado a lado uma imagem do final da adolescência e outra de alguns anos depois, não estamos comparando exatamente o mesmo rosto. Existe amadurecimento facial, mudança na distribuição da gordura, alterações de peso, definição maior de algumas estruturas e até mudanças relacionadas ao estilo de vida. Além disso, maquiagem, iluminação, ângulo, cabelo e sobrancelha conseguem modificar bastante a percepção que temos das proporções faciais. Por isso, olhar duas imagens e concluir que determinada pessoa realizou uma cirurgia ou um procedimento específico é uma análise muito limitada", explica. A imagem também faz parte da transformação No caso de Ana Castela, há ainda uma diferença de contexto entre os registros. Desde o início da carreira, a cantora passou a estar diante de câmeras com frequência, em shows, ensaios, videoclipes, eventos e produções profissionais. Maquiagem, cabelo, iluminação e recursos de fotografia fazem parte desse universo e podem interferir na forma como os traços aparecem. O cirurgião plástico Jorge Seba ressalta que o chamado "antes e depois" de uma celebridade reúne variáveis que não podem ser isoladas a partir de uma fotografia. "Hoje existe uma tendência de analisar o rosto de uma pessoa quase como se fosse possível fazer um diagnóstico por fotografia. Não é. Um rosto pode parecer mais fino por perda de peso, maquiagem ou posicionamento da câmera; os lábios podem parecer diferentes pela maquiagem; o nariz muda visualmente dependendo do ângulo e até o contorno da mandíbula pode ser completamente diferente conforme iluminação e postura. Sem avaliação presencial e sem a própria pessoa confirmar o que realizou, não é correto atribuir procedimentos específicos", afirma. Ana Castela é comparada com registros antigos: o que pode explicar as diferenças na aparência Reprodução Instagram Por que o 'antes e depois' pode enganar A repercussão do vídeo também evidencia a velocidade com que mudanças na aparência feminina são examinadas nas redes. Rugas, variações de peso, formato do rosto, maquiagem e outros detalhes podem se transformar em pistas para uma espécie de investigação coletiva sobre possíveis intervenções. Esse olhar pode criar a impressão de que existe uma resposta objetiva para cada diferença percebida. Na prática, uma série de fatores pode produzir resultados semelhantes diante das câmeras, o que torna arriscado estabelecer uma relação direta entre uma característica observada e uma intervenção. Para Marco, essa lógica também pode influenciar a maneira como pacientes chegam aos consultórios. "Um dos problemas desses comparativos é fazer alguém chegar ao consultório querendo reproduzir exatamente o rosto que viu em uma celebridade. A cirurgia plástica moderna precisa partir da anatomia individual. O objetivo não deveria ser copiar um nariz, uma mandíbula ou um formato de rosto, mas entender o que pode ser feito de maneira proporcional, segura e coerente com aquela pessoa", destaca. Ana Castela é comparada com registros antigos: o que pode explicar as diferenças na aparência Reprodução Instagram Nem toda diferença é resultado de um procedimento A dificuldade aumenta diante da variedade de recursos disponíveis atualmente para produzir imagens. Além das intervenções estéticas, maquiagem, filtros, edição, iluminação e técnicas de fotografia podem alterar significativamente a percepção dos traços. Jorge observa ainda que os próprios procedimentos passaram a incluir técnicas capazes de produzir resultados graduais, o que torna ainda mais difícil identificar uma eventual intervenção apenas por registros visuais. "Hoje temos recursos capazes de promover mudanças sutis e progressivas. Mas também temos maquiagem muito mais sofisticada, filtros, edição e técnicas de produção de imagem. Portanto, nem toda transformação visual significa cirurgia e nem toda diferença significa procedimento. A única maneira responsável de afirmar o que alguém realizou é quando existe confirmação da própria pessoa ou informação médica autorizada", conclui.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo