Fotógrafo revela bastidores de clique da Lua 'sorrindo' em Niterói e encanta internet: 'Quase desisti'
Uma madrugada sem garantias, uma câmera molhada pela água do mar, neblina cobrindo a orla e poucas chances de sucesso. O fotógrafo Marcelo Tchebes saiu de casa às 3h da manhã e foi nesse cenário que persistiu para capturar uma imagem rara da Lua sobre Niterói. O resultado viralizou nas redes sociais e arrancou comentários de seguidores dizendo que o registro ajuda a explicar por que Niterói é conhecida como Cidade Sorriso.
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No vídeo publicado no Instagram, Marcelo compartilha os bastidores do clique feito na Praia da Boa Viagem e mostra que a fotografia perfeita exigiu muito mais do que apertar um botão na hora certa.
— Hoje eu vim de teimoso, mas a foto saiu. Estou na Praia da Boa Viagem, fiz um estudo de composição da Lua; ela está bem fininha, em 8%. Acordei às 3h da manhã, tem uma névoa muito grande na orla, eu estava muito cansado, quase desisti, mas vim. Meti a câmera na areia, já bateu água. No horário marcado ela veio aparecendo dourada, linda, tempo suficiente para fazer duas ou três composições e nada mais. Logo adiante ela já se meteu na névoa e sumiu por completo. Mas a foto ficou e agora eu vou para casa dormir — contou o fotógrafo no vídeo.
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As imagens mostram a Lua surgindo entre a névoa com tons dourados sobre a paisagem da cidade, tão fina que um sorriso sobre o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói. Nos comentários, seguidores elogiaram a persistência do fotógrafo e a atmosfera poética do registro.
Marcelo explica que o fascínio pela Lua acompanha sua trajetória há muitos anos e atravessa boa parte de seu trabalho artístico.
— A Lua sempre teve um fascínio enorme pelos mistérios do universo. Antes de fotografar, eu via essas fotografias da Lua e ficava apaixonado. Depois de muito estudo, muito avanço com o olhar fotográfico, hoje eu tenho o prazer de conseguir fazer também. Posso dizer que, de certa forma, tenho uma alma lunar muito conectada — afirma.
Segundo ele, o impacto emocional faz parte da força desse tipo de imagem.
— Normalmente é uma foto impactante, uma foto que tem muita sensibilidade. Acho que tudo o que envolve a Lua traz essa questão do sentimento. Meu trabalho se comunica demais com essa parte emotiva, essa parte de sensação — diz.
Fotógrafo especializado em fine art e paisagens, Marcelo costuma produzir imagens de alinhamento da Lua com cartões-postais e símbolos urbanos do Rio e de Niterói. Para conseguir esse tipo de composição, ele conta que o processo envolve planejamento técnico, estudo de posicionamento astronômico e monitoramento constante das condições climáticas.
— Essa “caça”, como a gente brinca e chama, é feita através de muito estudo. Existem programas e aplicativos que auxiliam nesse estudo de posicionamento, e é preciso um monitoramento constante para saber não só quando vai acontecer, mas também as condições climáticas, que às vezes atrapalham um pouquinho os planos — explica.
O fotógrafo relata que nem sempre as tentativas terminam em sucesso. Muitas vezes, a paisagem muda, o tempo fecha ou algum imprevisto impede a captura da imagem planejada.
— Diversas vezes eu já saí de Niterói, fui até o Rio, até a Zona Sul, cheguei lá e nada: nuvem, alguma situação que atrapalhou, até obra no lugar em que eu precisava me posicionar. Nessas circunstâncias, a gente tem que respeitar as forças da natureza e as circunstâncias adversas, porque isso faz parte do charme da fotografia, essa imprevisibilidade — conta.
Desta vez, apesar do cansaço e da neblina intensa sobre a orla, a insistência valeu a pena. A Lua apareceu por poucos minutos, suficientes para eternizar um daqueles cenários que transformam uma madrugada comum em imagem de cartão-postal.
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