Uma imagem produzida pelo professor e astrofotógrafo Brendan Larsen, na Nova Zelândia, reuniu cerca de 14 mil rastros de satélites no céu noturno. A composição combina 578 fotografias registradas ao longo de quase duas horas, com a câmera apontada para o Monte Taranaki, e mostra a presença de equipamentos em órbita nas imagens feitas a partir da Terra.
O número representa as marcas luminosas acumuladas nas fotografias, e não a quantidade de satélites diferentes que passaram pelo local. Como um mesmo equipamento apareceu em várias imagens, ele pode ter contribuído com mais de um rastro para o resultado final.
Morador de New Plymouth, Larsen começou a fotografar o céu há seis anos, quando encontrava satélites apenas ocasionalmente nos registros. Com o tempo, percebeu que as marcas passaram a ocupar cada vez mais espaço nas fotografias.
“Quase todas as fotos do céu noturno que tiro contêm vários rastros de satélites”, contou à revista New Scientist. Para mostrar a mudança, Larsen fotografou a mesma região do céu em uma sequência de exposições de oito segundos, tempo em que a câmera permaneceu captando luz em cada registro.
Depois, dedicou outras 45 horas à edição, reunindo as marcas dos satélites em uma única composição. O trabalho incluiu a remoção dos rastros das estrelas.
Assim, as linhas luminosas dos equipamentos ganharam destaque na imagem final, que concentra a movimentação registrada durante toda a sessão, em vez de mostrar apenas um instante do céu. Segundo o trabalho publicado, a presença crescente dos satélites acompanha a expansão de serviços como a internet fornecida pela Starlink.
Outro exemplo é a SpaceX, que lançou mais de nove mil equipamentos desde 2019 para oferecer a conexão. Larsen também chama a atenção para possíveis consequências ambientais, como a interferência sobre animais noturnos, entre eles morcegos e mariposas.
Outra preocupação envolve os efeitos na atmosfera quando os satélites retornam ao planeta e queimam durante a reentrada, ao final da vida útil. O fotógrafo reconhece a importância dos serviços oferecidos pelos equipamentos, mas defende mais atenção aos possíveis impactos ambientais a longo prazo.
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