Fortes chuvas atingem as regiões sul e sudeste do país, causando alagamentos, temporais e queda de granizo. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta laranja de perigo de tempestade para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. No Paraná, devido aos temporais, 2.523 moradores precisaram deixar suas casas, segundo o boletim da Defesa Civil, divulgado nesta segunda-feira (14). No município de Rio Branco do Sul, duas pessoas estão desaparecidas após um carro ser carregado por uma enxurrada, o veículo foi encontrado no rio Ribeira. Segundo o Corpo de Bombeiros do estado, o motorista do veículo e um passageiro tentavam atravessar uma ponte que estava submersa e foram levados pela água, neste domingo (13).
Regiões Sul e Sudeste sofrem efeitos de ciclone, com deslizamentos, granizo, inundações e tornado Prédio em obras que desabou em São Paulo deixa seis mortos; bombeiros encerram buscas A condição climática, que atinge o Paraná desde quarta-feira (9), provocou a cheia de rios que passam pela região do Vale do Ribeira, destruindo redes de abastecimento de água e energia. A rodovia BR-467, no quilômetro 6, cedeu com as chuvas, deixando a cidade de Adrianópolis isolada, sem acesso a partir de Curitiba. Conforme a Defesa Civil, as instabilidades ainda se mantêm, principalmente na área norte do estado, onde podem ocorrer temporais pontuais.
“O risco é baixo para temporais, mas devido às chuvas recentes, o risco para alagamento se mantém. As fortes tempestades que atingiram o estado desde a última quarta-feira provocaram estragos em 60 cidades do Paraná. A Defesa Civil Estadual segue trabalhando no auxílio aos municípios na resposta e atendimento às pessoas afetadas”, diz o órgão em nota. Santa Catarina registrou 237 pessoas desabrigadas e 239 desalojadas devido às chuvas que impactam o estado. Entre os municípios com maior número de pessoas afetadas está Três Barras, com 117 desabrigados e 43 desalojados.
Segundo a Defesa Civil, 17 cidades decretaram situação de emergência e foram registrados alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, granizo, destelhamentos, queda de pontes e interdição de vias nos municípios. Na madrugada desta segunda-feira, os municípios de Joinville, Itajaí e Florianópolis sofreram alagamentos costeiros. Nesta sexta-feira (11), dois muros desabaram e atingiram a garagem de um prédio residencial em Chapecó. “A Secretaria da Proteção e Defesa Civil segue monitorando as condições meteorológicas. Esteja preparado para tomar as ações necessárias em caso de agravamento da situação”, afirma a Defesa Civil do estado.
No Rio Grande do Sul, as chuvas provocaram danos em 30 municípios. Entre as cidades mais atingidas estão Campo Bom, que registrou quatro pessoas desalojadas; Santa Bárbara do Sul, com 12 desalojados; São Borja, com quatro pessoas que precisaram deixar suas casas; e Três Palmeiras, que também registrou quatro moradores desalojados nesta segunda-feira. Segundo a Defesa Civil do Estado, o município de Braga informou danos em 150 residências e vias de acesso à área rural obstruídas; Esperança do Sul reportou chuva com queda granizo, danificando o telhado de sete casas; e Seberi pontuou danos nos telhados de 480 residências, além de duas escolas atingidas. Sudeste em alerta laranja de perigo de tempestades O Inmet publicou, na manhã desta segunda-feira, um alerta de nível laranja (perigo) para tempestades na região sudeste. As previsões apontam chuva entre 30 e 60 mm/h, ventos intensos de 60 a 100 km/h, e queda de granizo. O Instituto também alerta para o risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos. Inmet emite alerta laranja para o sudeste Inmet Em São Paulo, as áreas mais afetadas, segundo o Instituto, são as regiões metropolitanas, Bauru, Piracicaba, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba, Itapetininga, Marília, Araraquara, Assis, Campinas, litoral sul paulista e São José do Rio Preto. No Vale do Ribeira, no interior paulista, moradores tiveram que sair das casas devido às chuvas. Segundo a Defesa Civil de São Paulo, 10 cidades estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas. O município mais afetado foi Iguape, que registrou 158 mm de chuva nas últimas 72 horas, seguido por Itaóca (145 mm), Apiaí (122 mm), Barra do Chapéu (107 mm) e Registro (106 mm). Neste domingo, o órgão retirou 54 famílias de suas casas na cidade de Eldorado. De acordo com a Defesa Civil, a ponte sobre o Rio Ribeira, principal acesso ao município, foi temporariamente interditada como medida preventiva de segurança diante das condições do rio. Os trechos da rodovia SP-165 (Sete Barras / Eldorado; Eldorado / Iporanga; e Iporanga / Apiaí), permanecem com bloqueios preventivos, devido à tendência de elevação do nível da água do ao transbordar do Rio Ribeira. “A Defesa Civil segue acompanhando as condições das estradas e do Rio Ribeira, que apresenta elevação do nível devido às chuvas e ao extravasamento do rio”, diz o órgão.
Entre as áreas mais afetadas no Rio de Janeiro estão as regiões metropolitana, sul, noroeste baixadas, norte e centro fluminense. A Defesa Civil do Rio de Janeiro afirma que enviou um alerta via SMS e WhatsApp para a população sobre a possibilidade de chuvas intensas e risco de deslizamento. Já em Minas Gerais, o alerta está nas regiões oeste, sul e sudoeste, Zona da Mata, Campo das Vertentes e a região metropolitana de Belo Horizonte. A Defesa Civil do estado pontua que entre segunda e quarta-feira, “áreas de instabilidade associadas a um sistema de baixa pressão favorecem pancadas de chuva em boa parte do estado”. O órgão prevê tempestades, com acumulados de até 40 mm e rajadas de vento de até 80 km/h em algumas regiões nesta segunda-feira.
No Espírito Santo, as áreas mais afetadas com as chuvas são as regiões central e sul. O Inmet emitiu alerta laranja para 26 municípios do estado. As recomendações do Inmet são que, em caso de rajadas de vento, os moradores das regiões afetadas não se abriguem debaixo de árvores, por conta do rico de queda e descargas elétricas não estacionem veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda; e, se possível, desliguem aparelhos elétricos e quadro geral de energia. *Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão
O Globo