Foco do grupo de Caiado na mulher do ex-governador abre racha entre candidatos aliados ao Senado em Goiás

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A disputa pelo Senado em Goiás vem escancarando as divisões dentro da base política do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD). Com quatro candidatos ligados ao grupo caiadista concorrendo a apenas dois postos, a campanha transformou aliados em adversários e abriu uma contenda pelo espaço que sobra atrás do vácuo deixado pela liderança nas pesquisas de Gracinha Caiado (União Brasil), mulher do ex-governador do estado. Lula defende decisões de Fachin: 'Era preciso botar ordem na casa' STF: Fachin entrega a ministros íntegra de processo sobre Moraes antes de julgamento na terça-feira A fragmentação se tornou mais evidente nas últimas semanas, com o confronto público entre Gracinha e Gustavo Mendanha (PRD), a aproximação entre ele e Gustavo Gayer (PL) e a dificuldade de nomes como Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB) para se firmarem em uma corrida na qual a esposa é a prioridade de Caiado no estado. Mendanha, Vanderlan e Calil, embora integrem o grupo do presidenciável, não fazem parte de uma chapa em comum. Na pesquisa Quaest divulgada em agosto, Gracinha aparece na frente, com 21% das intenções de voto. Gayer tem 12%, enquanto Vanderlan e Calil surgem empatados com 9%, e Mendanha soma 6%. Há ainda 25% de indecisos e 9% que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer. No levantamento espontâneo, quando os nomes não são apresentados, 91% dos eleitores não souberam citar um candidato ao Senado. Gracinha lidera também no primeiro voto, com 22%, e aparece com 20% no segundo. Vanderlan é o segundo colocado na segunda escolha, com 9%, enquanto Gayer e Zacharias têm 7% cada. O resultado mostra que, apesar da vantagem de Gracinha, a segunda vaga permanece aberta e é disputada por um grupo numeroso de candidatos. É nesse ambiente que a relação entre Gracinha e Mendanha se deteriorou. Em agosto, a candidata acusou o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia de atacá-la e associou a resistência à sua candidatura a um suposto preconceito contra mulheres. Gracinha também afirmou que Mendanha não teria coragem de enfrentá-la em um debate político, o chamando de “covarde”, e questionou a condição de aliado reivindicada por ele. — Ele diz que faz parte (do grupo político), mas quem faz parte não trata assim. Você não pode ter um preconceito contra a mulher, onde o preconceito fala mais alto do que os argumentos, pelo simples fato de eu ser mulher e estar na frente nas pesquisas. Cada vez que eu chego na carreata tem um meme, uma notícia contra mim, me afronta. Eu acho que as coisas são discutidas em casa — afirmou Gracinha em entrevista ao programa De Olho na Política, da Band. Mendanha respondeu em vídeos nas redes sociais dizendo que havia tentado conversar com Gracinha, mas que ela não aceitou o diálogo: — Quero lamentar isso. A dona Gracinha é alguém que eu respeito. Alguém que eu acredito na capacidade e na idoneidade, caindo em pilha de blog. Não vou mudar meu jeito de ser. Vou continuar pedindo voto para o Caiado, continuar pedindo voto para a Gracinha, acreditando que ela possa vir a público e dizer que foi um mal-entendido. Eu sempre respeitei as pessoas, além de respeitar as mulheres, eu sempre respeitei as pessoas. Tenho muito respeito pela Gracinha. Ela nunca disputou eleição, e talvez essa pressão, esse estresse, de ficar escutando pessoas que às vezes não querem o bem dela, a levou a responder dessa forma. Segundo ele, a crise começou depois que produtores rurais de Rio Verde passaram a defender uma dobradinha informal entre Gustavo Mendanha e Gustavo Gayer, batizada de “Gu-Gu”. Essa possibilidade, porém, é negada por Gayer. O candidato do PL sustenta que seu segundo voto é destinado a Oséias Varão, também do partido, e diz que os materiais que associam sua candidatura à de Mendanha não foram produzidos nem autorizados por sua campanha. Para Gayer, a associação pode ser uma estratégia de Mendanha para conquistar o segundo voto dos eleitores bolsonaristas. Apesar do posicionamento de Gayer, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), declarou apoio ao governador Daniel Vilela (MDB), sucessor de Caiado — em detrimento de Wilder Morais, candidato do PL ao Executivo local. Ainda assim, Corrêa se mantém próximo do próprio postulante bolsonarista ao Senado. No dia 6 de setembro, o prefeito inaugurou um comitê de apoio à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto que contou com a presença de Gayer. A briga entre os candidatos ocorre a despeito da tentativa de Vilela de preservar a unidade da base. O grupo chegou às convenções com quatro nomes para duas vagas, apesar das negociações para reduzir a quantidade de candidaturas. O governador reconheceu que houve uma discussão para unificar a chapa, mas pondera que não foi possível chegar a um acordo. O governador também defendeu o direito de cada candidato disputar a eleição e fez um apelo para que os aliados evitem ataques pessoais. — Nós tentamos, discutimos para que a gente pudesse unificar em duas candidaturas únicas, mas cada um tem o seu argumento, tem a sua razão, cada um tem o seu direito de disputar a eleição — disse em sabatina ao portal Mais Goiás. A dificuldade de acomodar os quatro nomes é consequência, em parte, da própria formação da base governista. Ao longo da pré-campanha, Caiado e Vilela atraíram para sua órbita políticos que poderiam seguir caminhos diferentes na eleição e ajudaram a formar uma frente ampla contra Marconi Perillo (PSDB), que tenta voltar ao governo de Goiás e aparece logo atrás de Vilela nas pesquisas. Zacharias Calil, por exemplo, chegou a conversar com o partido de Perillo antes de optar por permanecer no grupo governista. Ele decidiu migrar para o MDB após negociações para ser o único candidato do partido ao Senado. Já a situação de Vanderlan é especialmente delicada. Ele permaneceu no campo de Daniel Vilela e tem estrutura e relações políticas em diferentes regiões do estado, mas não conta com a mesma condição de Gracinha dentro do grupo governista. Diante disso, passou a sinalizar que não pretende depender exclusivamente do palanque de Caiado para tentar renovar o mandato. Vanderlan também teve atritos com Mendanha. Em agosto, acusou o concorrente de “vitimismo” depois de o ex-prefeito de Aparecida chegar atrasado à convenção e não discursar. Mendanha reagiu descartando qualquer crise e acusou o senador de tentar criar um “factoide”. A insatisfação do senador com o espaço reservado a ele na base, porém, é anterior à campanha. Em fevereiro, quando Caiado já havia indicado Gracinha como um dos nomes do grupo para a Casa, Vanderlan reclamou publicamente da falta de reciprocidade e avisou que poderia buscar alternativas: “Se não nos quiserem, tem gente que quer. Eu não vou ficar aí oferecendo apoio se não querem”. Na época, o postulante à reeleição disse ter recebido convites de ao menos seis partidos com garantia de prioridade e não descartou deixar o PSD. Segundo o DivulgaCandContas, Vanderlan recebeu até agora cerca de R$ 1,86 milhão em recursos para a campanha, valor inferior ao de todos os demais candidatos da base de Vilela. Gracinha teve R$ 4,09 milhões à disposição, enquanto Mendanha soma R$ 3,04 milhões. No caso de Gracinha, 87,1% dos recursos vieram da direção nacional do União Brasil, e Mendanha levou quase R$ 3 milhões do comando nacional do PRD. Vanderlan, por sua vez, recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do PSD e pouco mais de R$ 360 mil em doações de pessoas físicas. Calil também enfrenta uma disputa por recursos para a campanha. Com R$ 1,88 milhão aportados em recursos eleitorais, o deputado federal teve um conflito com seu então primeiro suplente, o advogado Thales Jayme, que afirmou ter sido convidado a aportar R$ 2 milhões na campanha, ouvin que seria substituído depois de recusar o pedido. Calil apresentou outra versão e afirmou que a saída de Thales havia sido uma decisão tomada em conjunto. A própria campanha declarou que houve despesas de pré-campanha custeadas pelos integrantes da chapa e que eventual devolução de valores seria resolvida entre as partes.

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