De Michelle a Marina: pesquisas indicam possível recorde de mulheres eleitas ao Senado em 2026, aponta levantamento

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A rodada de pesquisas mais recentes da Quaest nos estados indica que o Senado pode ter a maior eleição feminina de sua história este ano. É o que mostra levantamento realizado pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), com base nos dados do instituto. A análise aponta haver hoje 15 mulheres em situação de favoritismo na corrida por uma das duas cadeiras da Casa em disputa em cada local, enquanto outras 14 têm candidaturas competitivas, em um panorama que abrange tanto nomes à esquerda quanto à direita.

Acusado de 'esconder' Flávio: Presidente do PL na Bahia é ignorado pelo correligionário em lista de indicações ao Senado 'Baixa o dedinho' x 'vai ficar na sua cara': Elmano e Ciro batem boca durante debate no Ceará; assista Caso pelo menos dez candidatas sejam eleitas ao Senado em outubro, o país já igualará o pleito de 2014 como o com maior proporcionalidade de mulheres alçadas à Casa (18,5%). Na ocasião, cinco dos 27 senadores eleitos eram mulheres.

Já em números absolutos, o recorde pertence às eleições de 2002 e 2010, quando oito senadoras foram eleitas. A marca também pode ser quebrada daqui menos de um mês.

Mulheres no Senado Medeiros aponta que, na última década, o Senado ganhou protagonismo crescente na relação entre os Poderes e no exercício institucional de freios e contrapesos. As siglas passaram, assim, a escalar alguns dos nomes mais fortes para disputar a Casa — e, neste ano, muitas dessas vitrines partidárias são mulheres.

— O crescimento feminino no Senado não está restrito a uma corrente ideológica. Há candidaturas competitivas à esquerda, ao centro e à direita. A representação feminina deixou de depender de um único campo político e passou a integrar a estratégia eleitoral de diferentes forças.

Já Marcela Machado, doutura em Ciência Política pela UnB, ressalta que, ainda que um eventual recorde amplie a representação feminina no Senado, não necessariamente as eleitas terão uma pauta convergente no Congresso: — A presença de candidatas competitivas em diferentes campos políticos merece uma leitura cuidadosa: mostra que a ampliação da participação feminina pode ocorrer por caminhos partidários distintos, o que não significa que essas mulheres compartilhem a mesma agenda. Do lulismo ao bolsonarismo Medeiros aponta que as mulheres formam a "principal fortaleza eleitoral da base do governo Lula para o Senado". No Sudeste, onde o presidente atua para ampliar a base de votos, destacam-se Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) em São Paulo, Benedita da Silva (PT) no Rio de Janeiro e Marília Campos (PT) em Minas Gerais (veja mais detalhes ao fim da matéria).

Também são candidatas bem posicionadas ao Senado à esquerda: Manuela D’ávila (PSOL) no Rio Grande do Sul; Marília Arraes (PDT) em Pernambuco; Gleisi Hoffman (PT) no Paraná; Luizianne Lins (Rede) no Ceará; Eliziane Gama (PT) no Maranhão; Samanda de Lula (PT) no Rio Grande do Norte; e Leila do Vôlei (PDT) e Erika Kokay (PT) no Distrito Federal.

Um fenômeno semelhante ocorre no campo bolsonarista. Há mulheres à frente nas pesquisas em várias localidades, como Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) no Distrito Federal; Carol De Toni (PL) em Santa Catarina; Cristina Graeml (PSD) no Paraná; Sílvia Cristina (PP) em Rondônia; Mara Rocha (Republicanos) no Acre; Teresa Surita (MDB) em Roraima; e Rayssa Furlan (Podemos) no Amapá.

Outras frentes O levantamento mostra também a presença de lideranças jovens, como Janaína Riva (MDB) em Mato Grosso, atual deputada estadual de 37 anos, e Marina JHC (PSDB) em Alagoas, de 35 anos, que busca quebrar a força local de Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB).

Também há nomes competitivos fora do lulismo e do bolsonarismo, como a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MDB), a ex-senadora capixaba Rose de Freitas (MDB) e Gracinha Caiado (União) em Goiás, mulher do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), além das atuais senadoras Zenaide Maia (PSD-RN) e Soraya Thronicke (PSB-MS), que miram a reeleição.

— Antes, quando falava-se de eleição para o Senado, as mulheres eram imediatamente lembradas para preencher as vagas de suplência. Hoje, elas encabeçam chapas e aparecem bem posicionadas em todas as regiões brasileiras. Isso sugere que não estamos diante de um fenômeno localizado, mas de uma tendência nacional — aponta Medeiros. Carolina Botelho, por sua vez, ressalta que o cenário é derivado da "pressão da sociedade civil sobre partidos, políticos e instituições públicas por maior espaço da mulher no Congresso". Ainda assim, a pesquisadora do INCT/SANI avalia o quadro como insuficiente: — Há uma tendência de aumento na taxa de participação das mulheres no Legislativo ao longo dos anos, mas ainda está bem aquém de uma proporcionalidade que represente esse grupo na sociedade. Para Botelho, enquanto partidos e políticos não "incentivarem efetivamente candidatas mulheres", a taxa proporcional de presença feminina no Senado não avançará com mais substância: — Mesmo com as cotas, a falta de recurso financeiro, de apoio nas campanhas e de outros incentivos afins nos espaços de decisões políticas mantêm ainda a maioria das mulheres que querem trabalhar na política alijadas desses espaços. Veja os cenários eleitorais por região As tabelas abaixo mostram o cenário eleitoral mostrado pelas pesquisas mais recentes da Quaest nos estados. A posição apresentada nas tabelas leva em conta quem aparece numericamente à frente nos levantamentos. Sudeste Sudeste Sul Sul Centro-Oeste Centro Oeste Norte Norte Nordeste Nordeste

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