‘Flaviômetro’: aliados compartilham site que monitora lealdade digital de parlamentares bolsonaristas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, têm compartilhado nas redes sociais e por mensagens o site “Flaviômetro”, que monitora a atuação de parlamentares e outros políticos na campanha do segundo turno e mede o quanto eles estão pedindo votos para o candidato. A ferramenta reúne publicações, contabiliza indicadores de engajamento e identifica quem tem se manifestado em apoio ao senador, em meio à mobilização da direita para ampliar o alcance de suas mensagens nas redes sociais e à reação do PT no ambiente digital. Segundo interlocutores do senador, a iniciativa não partiu da campanha de Flávio, mas de apoiadores. A ferramenta, porém, tem funcionado como uma forma de pressão sobre políticos que, na avaliação de parte dos aliados, não têm se manifestado com a frequência desejada para ajudar o candidato na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas redes sociais, já circulam publicações que usam o levantamento para cobrar manifestações de apoio. Uma postagem desta terça-feira, por exemplo, afirma que, segundo o site, a deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Campagnolo estava há seis dias sem publicar conteúdo sobre Flávio para ajudar na campanha de segundo turno. Além dela, Michelle Bolsonaro (PL), senadora eleita pelo DF e madrasta de Flávio, também foi cobrada nas redes. O site apresenta, logo na página inicial, um mapa do Brasil com pontos que identificam a atuação dos políticos monitorados. Os pontos verdes indicam aqueles que já pediram votos para Flávio. Entre os nomes que aparecem nessa categoria estão os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP), Domingos Sávio (PL-MG), Carlos Portinho (PL-RJ) e Filipe Barros (PL-PR), além do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) e do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Há também uma identificação específica para políticos que mencionaram o candidato à Presidência, mas não necessariamente teriam feito um pedido explícito de voto nas redes sociais. Nessa relação aparecem a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), a deputada federal Rosangela Moro (PL-PR) e o governador eleito do Paraná, Sergio Moro. A ferramenta também identifica políticos que não teriam falado de Flávio durante o segundo turno, aqueles que não publicaram nenhum conteúdo e os casos em que não há dados coletados. O site faz ainda um balanço do engajamento das publicações de apoio ao senador nas últimas 24 horas, com informações sobre visualizações e curtidas. Outra aba apresenta um ranking dos políticos que mais falaram de Flávio, considerando critérios como engajamento, número de visualizações e frequência das publicações. Até a publicação desta reportagem, o deputado Nikolas Ferreira aparecia na primeira posição, seguido pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), pelo senador eleito Deltan Dallagnol (PL-PR) e pelo senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). O site também acompanha as publicações em tempo real. Quando um político monitorado publica conteúdo relacionado a Flávio, uma notificação aparece na plataforma com uma mensagem de “Parabéns” ao autor da postagem. Print do site 'Flaviômetro' Reprodução Flávio cobra mobilização A iniciativa ocorre em um momento em que a campanha de Flávio busca evitar que o resultado do primeiro turno produza uma sensação de vitória antecipada entre seus apoiadores. Depois de terminar a primeira etapa da disputa à frente de Lula, o senador e seus aliados demonstraram otimismo com o desempenho nas urnas. Na sequência, porém, passaram a reforçar a necessidade de manter a mobilização até o dia da votação. Na segunda-feira, em uma transmissão ao vivo de cerca de 20 minutos, Flávio pediu que apoiadores corressem mais riscos nas redes sociais, compartilhassem suas publicações e retomassem as atividades de campanha. Ele também convocou deputados, senadores, governadores, artistas e influenciadores alinhados à direita a usarem suas redes para ampliar o alcance das mensagens do candidato. — Não tem eleição ganha. A gente tem que continuar mobilizado. Todo mundo ficou feliz de passar do primeiro para o segundo turno na frente do Lula, mas a gente tem que mobilizar, a gente tem que ir pra rua. Vamos sair do sofá, galera. Vamos pra rua, vamos agir, vamos fazer a nossa parte — afirmou. Na mesma transmissão, o senador pediu que os apoiadores procurassem eleitores indecisos, tentassem convencer quem havia votado em outros candidatos no primeiro turno e mobilizassem pessoas que não compareceram às urnas. Ele também orientou os seguidores a retransmitirem a live e enviarem o conteúdo a grupos de WhatsApp. Nesta terça-feira, Flávio voltou a cobrar engajamento e afirmou que a campanha não trabalha com a perspectiva de uma vitória garantida. — Agora é reta final, faltam doze dias e temos que estar engajados — disse. O senador também rebateu avaliações de que seus aliados estariam confiantes demais com o resultado da eleição. — Apesar de algumas pessoas estarem falando que estamos de salto alto, não tem clima de já ganhou. Estamos todos nas ruas e pedindo mobilização para que os parlamentares fiquem nas redes — afirmou.

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