Inédita na eleição presidencial, virada no segundo turno ocorre em três a cada dez disputas nos estados

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Nunca registrada em uma eleição presidencial, a virada de um candidato que não terminou o primeiro turno na liderança também não é comum nas disputas pelos governos estaduais. Desde 1990, foram 35 casos em 120 eleições para governador decididas em segundo turno, o equivalente a 29,2% das disputas, segundo levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento considera os candidatos que conseguiram reverter a desvantagem do primeiro turno e vencer a eleição.

Entre os 35 casos, há um excepcional em que o candidato que terminou em terceiro lugar no primeiro turno sagrou-se o vencedor na segunda etapa da votação. Isso aconteceu em Rondônia, em 1990, quando Oswaldo Piana chegou à disputa final após o assassinato de Olavo Pires, que havia liderado a votação. Piana venceu o segundo turno contra Valdir Raupp, que havia ficado em segundo lugar. Entre os 34 casos convencionais, a maior desvantagem revertida foi a do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), que ficou 21,1 pontos atrás de Hélio Costa na primeira rodada da eleição de Minas Gerais, em 1994, mas venceu o segundo turno com 58,65% dos votos válidos. Outra reviravolta expressiva ocorreu em São Paulo, em 1990, na primeira eleição para governador com possibilidade de segundo turno após a promulgação da Constituição de 1988. Na ocasião, Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) superou uma desvantagem inicial de 15,3 pontos percentuais em relação a Paulo Maluf, que havia liderado o primeiro turno. A maior parte das viradas, no entanto, aconteceu quando a diferença inicial era menor. Em 18 dos 34 casos (52,9%), o candidato eleito havia terminado o primeiro turno até cinco pontos percentuais atrás do adversário. Em seis episódios, a distância foi inferior a um ponto percentual. A menor diferença inicial foi registrada no Amazonas, em 2014. Eduardo Braga (PMDB) recebeu 43,16% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto José Melo (Pros) ficou com 43,04%, uma vantagem de apenas 0,12 ponto percentual, ou 1.907 votos. Melo venceu o segundo turno com 55,54%. Lula tenta virada Neste segundo turno, a campanha do presidente Lula (PT) tenta protagonizar a primeira virada da história de uma eleição presidencial, após o petista terminar a primeira rodada com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL). A disputa presidencial que chegou mais perto de registrar uma virada foi justamente a de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, reduziu a desvantagem de 5,23 pontos percentuais em relação a Lula no primeiro turno para apenas 1,8 ponto no segundo. Apesar da aproximação, o petista venceu a eleição por uma diferença de 2,1 milhões de votos. Até então, a disputa mais apertada havia ocorrido em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB) por 3,28 pontos percentuais. Para tentar reverter o resultado neste ano, a campanha de Lula aposta no ganho de popularidade com o pacote de medidas anunciado pelo governo nas últimas semanas, incluindo a aprovação da proposta de fim da escala 6x1, iniciativas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs) e o reajuste do Bolsa Família. Seis estados têm segundo turno Nas disputas estaduais, as viradas mais recentes ocorreram em 2022, quando quatro candidatos conseguiram superar os adversários que haviam liderado o primeiro turno. O caso mais expressivo foi o de Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul, que reverteu uma desvantagem de 10,7 pontos percentuais em relação a Onyx Lorenzoni (PL) e venceu com 57,12% dos votos válidos. Também conseguiram reverter o resultado Raquel Lyra (PSDB), em Pernambuco; Eduardo Riedel (PSDB), em Mato Grosso do Sul; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe. Neste ano, seis candidatos buscam uma virada nas eleições para os governos estaduais e do Distrito Federal. As menores diferenças foram registradas no Rio Grande do Norte, onde Cadu de Lula (PT) terminou 0,78 ponto percentual atrás de Allyson Bezerra (União Brasil), e no Tocantins, onde Vicentinho Júnior (PSDB) ficou 1,58 ponto atrás de Professora Dorinha (União Brasil). No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) também tenta uma reviravolta. A governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) não conseguiu vencer no primeiro turno, apesar de receber 49,93% dos votos válidos. Como mostrou O GLOBO, mais de 26 mil eleitores anularam o voto ao digitar 22 na disputa pelo governo, número do PL, partido que integra a coligação de Celina. O número da candidata na urna, no entanto, era o 11. Ricardo Ferraço (MDB), no Espírito Santo; Professora Maria do Carmo (PL), no Amazonas; e Alan Rick (Republicanos), no Acre, também buscam uma virada.

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