A ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL) para concentrar o eleitorado de direita em torno de sua candidatura ainda no primeiro turno produziu uma reação entre seus adversários. Depois de intensificar os apelos pelo voto útil e avançar sobre os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), o senador passou a dividir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a artilharia dos rivais nesta reta final. Até aqui, Lula concentrava a maior parte das críticas desses candidatos, que buscavam se apresentar como alternativas ao petista sem transformar Flávio no principal adversário. A tentativa do senador de atrair diretamente seus eleitores, porém, mudou a temperatura da disputa dentro da direita. Flávio apresentou a estratégia na semana passada, ao fazer um apelo a quem hoje prefere outro candidato. — Eu faço um apelo a você que não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno — afirmou. Nos bastidores, aliados do senador também buscaram interlocutores ligados a Zema, Caiado e Cury para sondar eventuais desistências e uma concentração de forças em torno de sua candidatura, mas encontraram resistência. A disputa envolve uma fatia relevante do eleitorado. Na Quaest divulgada nesta segunda-feira, Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 33% de Flávio. Cury tem 6%, Caiado, 4%, Renan, 3%, e Zema, 1%. Juntos, os quatro somam 14%. Cury tem feito alguns dos ataques mais duros. Após o debate promovido pelo Flow nesta semana, do qual Flávio não participou, afirmou que o senador “sempre foge”, questionou sua experiência administrativa e classificou como “promíscua” sua relação com o Banco Master. Também retomou episódios envolvendo a antiga loja de chocolates de Flávio e a operação Dark Horse, sobre o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Durante o debate, já havia chamado de “covardes” os candidatos ausentes. A campanha de Cury vinha adotando cautela diante dos desgastes provocados pela Dark Horse e evitava concentrar a estratégia em ataques a Flávio. O avanço do candidato do PL sobre seu eleitorado mudou o cálculo. Caiado também passou a confrontar o argumento de que Flávio seria a alternativa mais competitiva da direita contra Lula. Na segunda-feira, antes do debate do Flow, comparou uma aposta no senador a um jogo de azar e recorreu à rejeição do adversário para questionar o voto útil. — Quem está apostando no Flávio, na verdade, está apostando na loteria, porque ele tem 50% de rejeição e não tem como crescer. Eu tenho como crescer — afirmou Caiado. Zema, por sua vez, tem explorado o caso Banco Master. Nos últimos dias, intensificou as críticas a personagens ligados a Daniel Vorcaro, cobrou a saída do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto dos dois em Londres, e afirmou que o ex-banqueiro “comprou muito político vendido”, citando integrantes tanto do PT quanto do PL. A pressão sobre seus eleitores também provoca incômodo no Novo. Embora uma ala da legenda defenda que Zema deixe a disputa e apoie Flávio já no primeiro turno, a avaliação predominante é de que ele seguirá na corrida. Renan Santos também endureceu o discurso contra Flávio. Nesta semana, disse que pessoas ligadas ao senador tentaram abrir uma interlocução por meio de amigos em comum para saber se aceitaria conversar com o candidato do PL. Renan disse ter recusado a aproximação e descartou apoiá-lo num eventual segundo turno. Antes disso, já havia minimizado o efeito da ofensiva pelo voto útil. — Se tem algum efeito, é um efeito marginal. Ele está aproveitando o momento que agora é bom para ele para tentar fazer isso — afirmou. Flávio não responde ataques Enquanto os adversários sobem o tom, Flávio evita responder na mesma intensidade. A campanha quer conquistar justamente esses eleitores e passou a veicular peças voltadas também a quem guarda ressalvas em relação ao próprio Jair Bolsonaro. Em uma inserção no rádio veiculada nesta segunda-feira, o candidato mira o eleitorado indeciso etenta falar com o eleitorado insatisfeito tanto com o ex-presidente quanto com Lula. — Se você ainda tem alguma dúvida, se ficou chateado com o Jair, se tá decepcionado com o Lula, eu quero dizer que meu nome é Flávio. Tenho minhas qualidades, meus defeitos, mas sou diferente dos dois. E o que importa é que o Brasil precisa mudar urgente: derrotar o crime, acabar com o medo e com esse sufoco. Do jeito que tá, já deu errado. Peço o seu voto de confiança pra fazer o Brasil voltar a vencer.
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Flávio vira alvo de rivais à direita após avançar sobre seus eleitores e passa a dividir ataques com Lula na reta final
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