O candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gravou nesta quarta-feira peças para o horário eleitoral em um mercado e prepara a entrada do caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na propaganda de sua campanha à Presidência.
A estratégia combina dois dos principais flancos que o QG pretende explorar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): a situação econômica das famílias e as investigações que envolvem o filho do petista.
As gravações desta quarta-feira começam a mostrar o tom que a campanha pretende levar à televisão.
No mercado, Flávio usou o cenário para falar de economia e de questões que atingem diretamente o bolso dos eleitores.
Já o caso Lulinha deve entrar na frente de combate à corrupção, a partir das revelações recentes da Polícia Federal sobre a relação do empresário com Roberta Luchsinger e a interlocução dela com integrantes do entorno do presidente.
Mensagens encontradas pelos investigadores mostram Lulinha e Roberta tratando de negócios e citam encontros reservados com integrantes do governo.
O filho de Lula é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência e nega irregularidades.
Em uma das conversas, Roberta afirma a Lulinha que os dois trabalhavam em “outro nível” e escreve que “nosso futuro é Suíça”.
Em outro diálogo, a empresária menciona Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente, e um almoço com “Berger”, identificado pelos investigadores como Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Lulinha responde que aquela seria a terceira reunião com Marcola e relata que o auxiliar de seu pai pedia que os encontros fossem reservados.
A PF também identificou que Roberta enviou a Marcola uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação.
A empresária havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio com a pasta.
A operação não prosperou.
Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas afirmou que não o encaminhou.
Ao levar o assunto para a propaganda eleitoral, a campanha de Flávio tenta transportar para a televisão um caso que já começou a ser explorado pela oposição no Congresso e nas redes sociais.
Parlamentares passaram a cobrar novas diligências depois da divulgação das mensagens, com pedidos para que Lulinha seja ouvido e para que as provas reunidas nas investigações sejam preservadas.
Flávio também já entrou diretamente na ofensiva.
Nas redes, o candidato repercutiu as revelações envolvendo o filho do adversário e passou a usá-las para atacar Lula.
A decisão de incluir o episódio no horário eleitoral amplia essa estratégia e leva o caso para uma parcela do eleitorado que não necessariamente acompanha a disputa política pelas redes sociais.
Mercado vira cenário para críticas à economia
Na outra frente das gravações desta quarta-feira, Flávio escolheu um supermercado como cenário para tratar de temas ligados ao custo de vida e ao poder de compra.
A aposta é usar situações cotidianas para apresentar as críticas que o candidato vem fazendo à condução da economia pelo governo.
O discurso econômico ganhou espaço nas primeiras agendas de Flávio após o início oficial da campanha.
Em Belo Horizonte, nesta terça-feira, o senador atribuiu a Lula o aumento do endividamento das famílias e afirmou que a política econômica do governo levou brasileiros a recorrer ao crédito e enfrentar juros que não conseguem pagar.
— A consequência da gastança dele foi atrair as famílias brasileiras para dívida, pagando juros que não têm mais condição de pagar — afirmou.
A escolha do mercado permite à campanha transformar esse argumento em imagens e associar a crítica econômica à experiência do eleitor no momento das compras.
O QG pretende explorar no horário eleitoral temas de impacto direto no cotidiano, ao mesmo tempo em que apresenta propostas e busca estabelecer uma comparação entre Flávio e Lula.
A televisão também é vista pela campanha como uma oportunidade de ampliar o alcance de Flávio para além do público que já acompanha o senador nas redes sociais e comparece aos atos de campanha.
A estratégia é combinar uma mensagem voltada a problemas do dia a dia com ataques ao governo e casos que possam produzir desgaste para o presidente.
Flávio vai vincular caso Lulinha ao Planalto e abordar situação econômica das famílias em propaganda na TV
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