Flávio reúne sertanejos no programa eleitoral e critica governo por dívidas das famílias, e Lula usa Janones e ataca rival sobre programas sociais

Flávio reúne sertanejos no programa eleitoral e critica governo por dívidas das famílias, e Lula usa Janones e ataca rival sobre programas sociais - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheram estratégias distintas para encerrar a propaganda eleitoral gratuita nesta sexta-feira. Enquanto o senador aposta em manifestações de apoio de cantores sertanejos, mensagens de fé e um apelo para que os eleitores não se intimidem na hora de votar, o petista dedicou parte do último programa a ataques ao adversário, explorando investigações e propostas econômicas, antes de adotar um tom de despedida e pedir mobilização até domingo.

Os programas de rádio foram ao ar nesta manhã, enquanto os da TV, que costumam ser semelhantes aos do rádio, vão ao ar à tarde. O programa de Flávio começa com um grupo de pessoas tocando instrumentos musicais ao som do Hino Nacional.

Na sequência, reúne participações de artistas como Gusttavo Lima, Marrone e Rodolffo, ex-participante do Big Brother Brasil, e apresenta uma retrospectiva das viagens do candidato pelo país. A peça combina agradecimentos aos eleitores com críticas à situação econômica e à segurança pública, temas que marcaram a campanha do senador.

Em uma das passagens, Flávio afirma ter sido transformado pelo contato com a população durante a disputa presidencial. — Eu tive uma aula de Brasil com vocês, vocês me levaram para andar pelo Brasil real.

Eu aprendi com vocês, eu nunca mais vou ser o mesmo — diz. A participação dos sertanejos ocorre depois de um encontro promovido nesta semana, em Goiás, que reuniu artistas em apoio ao candidato.

Na ocasião, Flávio também prometeu retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado durante a pandemia e encerrado em 2025 após atingir o limite de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais. Na propaganda, o senador apresenta a eleição como uma escolha entre a continuidade do governo Lula e uma mudança de rumo, com críticas ao endividamento das famílias, à perda de poder de compra e à criminalidade.

— Você vai escolher se vai viver com medo ou se os bandidos é que vão ter medo de nós — afirma. A parte final concentra o apelo à mobilização dos eleitores, uma das principais preocupações da campanha diante da disputa apertada.

Flávio pede que seus apoiadores procurem familiares e amigos, convençam indecisos e levem outras pessoas às urnas. — E agora é hora de força total.

Fala com todo mundo, chama sua família, seus amigos, peça voto. Leve gente pra votar com você — diz.

O senador também ressalta o sigilo do voto e orienta os eleitores a não se intimidarem diante de eventuais pressões. O programa termina com uma oração e uma mensagem de fé.

Lula concentra ataques em Flávio Do lado petista, o último programa de rádio começa com uma sequência de críticas a Flávio, apresentada sob o argumento de revelar fatos que o adversário tentaria esconder.

A propaganda explora episódios envolvendo o senador, como seu posicionamento sobre a licença-maternidade, declarações sobre privatizações e cortes de gastos, além de suspeitas relacionadas a milícias, apostas e ao Banco Master. A peça também apresenta o depoimento da mãe de uma menina de cinco anos assassinada, cujo autor recebeu assistência jurídica de Flávio, e recupera declarações do candidato sobre milícias.

Em outro trecho, a campanha associa a proposta de ajuste fiscal do senador ao risco de cortes em salários, aposentadorias e programas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular. A propaganda ainda acusa Flávio de tentar reverter o fim da escala 6x1 e utiliza uma declaração do senador favorável à privatização da Petrobras para associar a proposta ao risco de aumento dos combustíveis.

As afirmações são apresentadas pela campanha de Lula como argumentos contra a eleição do adversário. Após a sequência de ataques, o deputado André Janones (Rede-MG) aparece para convocar uma mobilização permanente até a votação.

— Daqui até domingo ninguém dorme, não tem sossego. Avisa pra todo mundo que é vigília 24 horas por dia — afirma.

Na segunda parte, o programa muda de tom. Os apresentadores da propaganda se despedem dos ouvintes e convidam os eleitores a encarar o domingo como o primeiro dia de uma nova etapa.

Lula, por sua vez, faz um balanço de sua trajetória e defende a continuidade do governo, afirmando que o país avançou desde o início de seu mandato, embora ainda tenha desafios pela frente. — Tenho dedicado minha vida a lutar por um país mais justo, com oportunidades para todos.

Sei que ainda temos muito a avançar, mas o Brasil de hoje é melhor do que o Brasil que encontrei — afirma o presidente. O petista também retoma as críticas ao adversário ao defender que o país não avançará com a retirada de direitos, o desrespeito às mulheres ou a presença de milicianos na segurança pública.

Em seguida, pede que os apoiadores ocupem as ruas e as redes sociais até domingo. — Temos milhões de brasileiros e brasileiras botando fé nesse futuro, botando fé no Brasil.

Eu sou desses brasileiros, eu sou de vocês, eu tenho certeza que vamos vencer — diz. A propaganda termina com uma nova intervenção de Janones, que pede aos eleitores que reproduzam o jingle de Lula em volume alto, em carros e residências, como forma de ampliar a mobilização na reta final.

As mensagens finais refletem a preocupação das duas campanhas com a capacidade de levar seus apoiadores às urnas em uma disputa sem favorito definido. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostrou Flávio com 47% das intenções de voto, contra 46% de Lula, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Nos votos válidos, os candidatos aparecem empatados, com 50% cada.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →