Flávio liga Moraes a Lula e reforça caso Lulinha, enquanto presidente acusa adversário de servir aos EUA e lembra atuação de família Bolsonaro no tarifaço

Flávio liga Moraes a Lula e reforça caso Lulinha, enquanto presidente acusa adversário de servir aos EUA e lembra atuação de família Bolsonaro no tarifaço - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), intensificaram as trocas de críticas a menos de um mês do primeiro turno da disputa presidencial, marcada para o dia 4 de outubro. Discursos em atos públicos, na propaganda de televisão e rádio e nas redes sociais deram o tom da estratégia que os dois principais candidatos vão usar nos próximos dias. O embate ocorre em um momento em que as pesquisas mostram um cenário aberto na disputa: de acordo com a Quaest, os dois candidatos marcam 41% em um eventual segundo turno. Ato de Dia da Independência: Lula leva temas da campanha à reeleição ao 7 de Setembro e reforça elo com a cúpula do Congresso ao reunir Alcolumbre e Motta Contra o Supremo: Renan Santos ataca adversários, pede prisão de ministros do STF e lança manifesto em ato no Ibirapuera Enquanto Flávio Bolsonaro tem usado politicamente a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer paralelos com a disputa pelo Palácio do Planalto, Lula intensificou o discurso de soberania nacional e tenta associar o adversário a decisões impopulares do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promoveu um aumento nas tarifas de produtos brasileiros. O tom usado por Flávio começou a ser testado nesta segunda-feira, no feriado de Sete de Setembro, Dia da Independência, quando ele realizou uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo.

De cima do palanque, Flávio tentou explorar eleitoralmente o embate entre os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes. Mendonça, que foi indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, levantou o sigilo de mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo de fraude financeira do Master, pediu auxílio a Moraes. Durante o ato realizado em São Paulo, Flávio buscou associar Lula a Alexandre de Moraes. O ministro não foi indicado ao STF pelo petista, mas pelo ex-presidente Michel Temer. Apesar disso, bolsonaristas tratam Moraes como inimigo político já que o magistrado é relator de casos que miraram Jair Bolsonaro e apoiadores, como o processo da trama golpista. Moraes também articulou uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afastados por uma queda de braço sobre indicação para o STF. — Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes. Nós não vamos permitir que Lula indique mais quatro Alexandre de Moraes para o STF. Eu vou indicar cinco ministros para o STF, porque Alexandre de Moraes vai cair — declarou. O embate entre Mendonça e Moraes a consequente crise no STF escalou na última quinta-feira com um pedido apresentado por Moraes para que o colega seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Banco Master. Lula tem buscado se descolar da crise dentro do STF e evitado citar Moraes. Por outro lado, o petista já divulgou um vídeo em que disse ser favorável a investigações “doam a quem doer”. Durante a manifestação, Flávio também citou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente e apelidado de Lulinha.

– Quem está bancando o Lulinha é o dinheiro do aposentado do INSS? O Lula é o responsável por esse caos moral que estamos passando hoje. A culpa é dele.

O filho do presidente é investigado por tráfico de influência em inquéritos abertos no Supremo. A suspeita é de que ele tenha atuado para abrir as portas do governo para a amiga Roberta Luchsinger, lobista que tentava prospectar negócios no Poder Executivo nacional. Ela já atuou ao lado do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", preso pela PF sob a suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS. Lula tenta desconstruir Flávio Por sua vez, a campanha de Lula tem buscado reagir e também mirou na desconstrução do adversário na disputa presidencial.

O petista tem explorado como foco o tema da soberania nacional e busca repetir que o Brasil não pode ser tratado como uma colônia. Lula usou o pronunciamento veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão na véspera do Sete de Setembro para passar a mensagem de que o país não pode sofrer interferências.

O tema também foi o mote do desfile do Dia da Independência do qual Lula participou em Brasília, ao lado dos presidentes do STF, Edson Fachin, da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre. Se evitou citar Flávio Bolsonaro nos eventos e pronunciamentos institucionais que participou como presidente, Lula usou outro tom na propaganda que será transmitida no horário eleitoral desta terça-feira e já foi divulgada nas redes sociais. “Não podemos esquecer que tem família que usa nossas cores, fala de patriotismo, mas no final serve a outro país”, diz o narrador no começo da propaganda. Logo depois o vídeo intercala trechos de falas de Flávio e Jair Bolsonaro fazendo declarações a favor de Trump.

“A tarifa vai chegar para o Brasil” e “agradeço ao presidente Donald Trump”, diz Flávio em vídeos recortados e usados na propaganda do petista. A peça também lembra um discurso de Jair Bolsonaro feito em 2019, quando o então presidente visitou os Estados Unidos e prestou continência à bandeira americana. Na propaganda, Lula declara que não quer “ninguém metendo o bedelho dentro do Brasil”. “A soberania do Brasil é marcada pela resiliência do povo brasileiro em não querer que ninguém meta o bedelho dentro do Brasil. Nós fomos colonizados muitos anos e não queremos mais ser colonizados", disse o presidente. A aposta no tema da soberania nacional acontece após dias de uma intensa campanha de desconstrução de Flávio Bolsonaro pela campanha petista.

A equipe de Lula já veiculou uma série de peças em que lembram a associação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, para quem o candidato do PL pediu dinheiro para financiar um filme em homenagem a Jair Bolsonaro.

Também usou a propaganda para criticar o adversário por atuar contra a votação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1. Além de trazer para o horário eleitoral declarações apontadas como misóginas de Flávio e Jair Bolsonaro para tentar desgastá-lo entre o eleitorado feminino.

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