O senador Flávio Bolsonaro (PL) escalou o seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), para cumprir uma agenda própria pelos estados e cuidar da articulação política da candidatura fora do seu roteiro presidencial.
Enquanto Flávio e o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), concentram as viagens em compromissos eleitorais, o coordenador está responsável por costurar palanques, participar de reuniões políticas e atuar na busca por doações.
A busca por doações também ganhou espaço na rotina do coordenador em um momento em que o financiamento da campanha é uma preocupação dentro do PL.
Embora o partido tenha direito a uma das maiores fatias do fundo eleitoral, integrantes da legenda avaliam que os recursos precisarão ser divididos entre um número elevado de candidatos e que a campanha presidencial de Flávio terá custos altos.
A preocupação é especialmente forte entre candidatos ao Legislativo, que temem não receber recursos suficientes para bancar suas campanhas.
A avaliação de aliados é que a arrecadação própria terá peso maior neste ciclo.
Além da campanha presidencial, o PL terá candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas em todo o país, o que aumenta a disputa interna pelos recursos do partido.
Nesse cenário, as viagens de Marinho também servem para buscar apoio financeiro junto a empresários e potenciais doadores nos estados.
Já a atuação de Marinho na articulação política não é nova.
Desde o início da pré-campanha, Flávio o designou para cuidar de boa parte das negociações políticas da candidatura, especialmente das conversas com lideranças estaduais e da construção das alianças nos estados.
O senador também teve papel central na definição dos nomes apoiados pelo bolsonarismo para as disputas ao Senado.
Coube a ele conduzir boa parte das conversas com partidos e lideranças locais para mapear candidaturas competitivas e tentar evitar a fragmentação do campo de direita nos estados.
A preocupação era garantir que os nomes escolhidos tivessem viabilidade eleitoral e, ao mesmo tempo, estivessem alinhados ao projeto político de Flávio.
Ao longo da campanha, Marinho também foi alvo de questionamentos internos e críticas de aliados, mas preservou espaço no núcleo da candidatura.
O senador é um dos políticos de maior confiança de Jair Bolsonaro e foi colocado na coordenação da campanha de Flávio com o aval do ex-presidente.
A relação próxima com Bolsonaro dá a Marinho peso nas decisões e faz com que ele tenha voz relevante dentro do QG.
A proximidade com o ex-presidente também ajuda a explicar a amplitude das funções atribuídas a Marinho.
Além de coordenar a campanha, ele participa das principais articulações políticas e mantém interlocução com lideranças que orbitam o bolsonarismo nos estados.
Na prática, tornou-se um dos principais pontos de contato entre a campanha presidencial, Bolsonaro e aliados que disputam as eleições locais.
A divisão de tarefas permite que Marinho chegue a estados que podem nem sequer receber Flávio durante o primeiro turno.
A estratégia da campanha é concentrar o tempo do candidato sobretudo nos maiores colégios eleitorais, enquanto o coordenador percorre outros pontos do país para manter aliados mobilizados e resolver demandas políticas da candidatura.
Mato Grosso do Sul foi um primeiro exemplo desse desenho.
Marinho esteve nesta segunda-feira em Campo Grande, onde se reuniu com o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, a senadora Tereza Cristina (PP) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que disputa o Senado, além de participar de encontro com representantes do setor produtivo.
Flávio, por outro lado, pode nem passar pelo estado antes do primeiro turno.
Durante a visita, Marinho afirmou que uma viagem do presidenciável ainda será avaliada e deixou claro que a prioridade da campanha são São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.
— Vamos avaliar a necessidade da vinda do Flávio ou no primeiro ou no segundo turno porque essa campanha vai se decidir principalmente nos maiores colégios eleitorais do Brasil — afirmou.
Outras viagens individuais de Marinho fazem parte da estratégia eleitoral e o coordenador continuará percorrendo estados sem a presença da chapa.
Segundo integrantes do QG, ele está dedicado principalmente às questões de “palanques, doações e reuniões políticas”.
As agendas propriamente eleitorais ficam a cargo de Flávio e Gaspar.
Ainda não há um roteiro fechado para as próximas incursões.
Os destinos serão definidos de acordo com as necessidades da campanha em cada estado, mas estão no roteiro pré-desenhado estados como Amapá e Roraima, que também concentram menos eleitores.
Em Mato Grosso do Sul, a visita de Marinho ocorre num estado em que a candidatura presidencial ainda busca maior engajamento do grupo aliado.
Riedel integra o PP e faz uma campanha estadual sem ter a associação com Flávio como um de seus principais eixos.
O PL, porém, participa de sua aliança, que reúne também nomes próximos ao bolsonarismo, como Tereza e Azambuja.
A passagem do coordenador também abriu espaço para articulações que ultrapassam a corrida presidencial.
Ao lado de Marinho, Tereza reafirmou que pretende trabalhar para disputar a Presidência do Senado em 2027.
— Tem que trabalhar para isso.
Não é uma coisa simples, é uma coisa que envolve três senadores de cada estado.
A gente tem que ter a nova composição — afirmou.
Tereza e Marinho são nomes da direita cotados para a sucessão de Davi Alcolumbre (União-AP) e discutem uma composição para evitar que o campo chegue dividido à eleição da Mesa.
A senadora disse que pretende construir apoio entre os integrantes da próxima legislatura e avaliar as condições para entrar na disputa.
Flávio escala Marinho para ajustar palanques e buscar doações pelo país, em estados fora de sua agenda
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