Candidatos Flávio Bolsonaro e Lula participam do último debate presidencial antes do 2° turno Os candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, protagonizaram um embate focado nas políticas para o agronegócio, acesso a crédito e desigualdade social durante o último debate presidencial promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (23).
A discussão foi marcada por críticas de Flávio, que acusou o atual governo de sufocar os produtores rurais com impostos, enquanto Lula defendeu os números de sua gestão no setor e acusou o adversário de ser insensível à fome e à pobreza no país. O candidato afirmou que o setor, classificado por ele como um “orgulho mundial”, “está sendo massacrado pelo atual governo.
Quem produz está sufocado com impostos”. O candidato do PL ainda questionou presidente: “Por que você trata o agro com tanta raiva?”, resgatando fala de Lula em Santa Catarina de que o agronegócio deveria se ajoelhar para o governo do PT.
Em resposta, Lula ironizou o oponente, sugerindo aos telespectadores que dessem “um Google” para checar as informações e afirmando que Flávio “estuda para decorar e não para saber”. O presidente defendeu seu governo argumentando que sua gestão bateu recordes de investimento no agronegócio, na sustentabilidade e no incentivo à compra de maquinário.
“Eu duvido que houve um incentivo à compra de máquinas como nós tivemos para acelerar as coisas. Então é o seguinte, nunca se exportou tanto nesse país”, disse o petista.
Lula também destacou a abertura de mercados em 57 países e um superávit comercial de quase R$ 85 bilhões, afirmando que não cedeu a pressões externas de líderes como Donald Trump. “Por isso que, quando o meu adversário ficou lambendo o Trump pra taxar o Brasil, eu nunca fiquei preocupado, porque eu não nasci com medo de cara feia”, disse Lula.
Direcionando sua fala aos produtores do Centro-Oeste, Flávio criticou o atual Plano Safra, apontando que o excesso de burocracia, a falta de recursos e os juros reais próximos a 20% tornam os financiamentos impossíveis. Como propostas, Flávio prometeu garantir segurança jurídica ao seguro rural, impedindo o contingenciamento de verbas, e assegurar o reajuste da aposentadoria rural acima da inflação com o uso de tecnologia para acabar com as filas.
Ele também propôs um pacto com governadores do Centro-Oeste para combater o crime organizado e o tráfico nas fronteiras. Na tréplica, Lula rebateu as críticas econômicas explicando que os juros agrícolas não seguem a taxa Selic padrão, sendo subsidiados por bancos públicos como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O atual presidente aproveitou para levar o debate à pauta social. Lula afirmou que Flávio foca excessivamente no discurso de corte de impostos.
“Para ele o que pesa é melhorar a vida do povo. Eles se incomodam com o pobre na universidade, com o pobre no Instituto Federal.
Só de ver um filho de pedreiro virando engenheiro, virando médico, isso incomoda. Ele fica no mesmo discurso”, disse Lula.
Por fim, Lula relembrou que o país havia saído do Mapa da Fome em 2014, mas voltou a registrar 33 milhões de pessoas famintas em 2023. “Onde ele mora, não tem quem passa fome.
No condomínio dele a pessoa não passa fome, a família dele não passa fome, e ele não sabe o que é fome, essa é a verdade”, concluiu o petista. Vinicios Souza é editor e repórter no ND Mais, onde integra o Núcleo Nacional e escreve sobre fatos e assuntos de grande relevância e impacto na vida dos brasileiros.
Produz matérias sobre política, Judiciário e transparência pública, além de acompanhar atentamente acontecimentos que repercutem no Brasil e no mundo. Formado pela Unesa (Universidade Estácio de Sá), atua no jornalismo desde 2017 e acumula experiência em portais digitais, veículos impressos e comunicação empresarial.
Acompanhou de perto a imigração venezuelana em 2018 e suas implicações locais no Mato Grosso do Sul. É especializado em Jornalismo Político e Investigativo, possuindo conhecimento aprofundado no setor.
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